Rica em vitamina C e minerais como potássio, cálcio e zinco, além de compostos sulfurosos benéficos ao sistema imunológico, a flor comestível capuchinha (Tropaeolum majus) dura mais tempo se mantida em torno de 5ºC. A conservação foi determinada por agrônomos da Embrapa Hortaliças (DF) em um projeto de pesquisa que elegeu 20 espécies vegetais que fazem parte do grupo de plantas alimentícias não convencionais (PANCs), para terem suas características agronômicas e nutricionais estudadas.

Além do consumo fresco em saladas, as flores de capuchinha também podem ser desidratadas, embebidas em álcool ou em calda de açúcar ou, ainda, congeladas em forma de cubos, para adição em coquetéis.

“As pessoas associam o consumo de plantas às partes comestíveis como folhas, frutos e raízes. Porém, em algumas espécies, as flores, além de ornamentais, também podem ser degustadas”, observa a pesquisadora da Embrapa Neide Botrel ao lembrar que, no caso da capuchinha, as folhas também são aproveitadas e até mesmo as sementes podem ser consumidas, cruas ou na forma de conserva, sendo popularmente chamadas de falsas alcaparras.

 

Cuidados na comercialização da capuchina

Os cientistas observaram também a aparência da capuchinha ao longo do tempo. Enquanto as flores recém-colhidas estavam totalmente firmes e frescas, após uma semana de armazenamento, iniciaram-se os sinais de murchamento. “As flores amarelas e laranjas apresentaram maior vida útil, mantendo-se em excelentes condições por sete dias em condições de refrigeração a 5ºC”, relata Neide. As flores vermelhas mostraram-se mais sensíveis e murcharam antes, independentemente da temperatura de armazenamento.

A conclusão do estudo foi de que, para fins de comercialização, as flores de capuchinha devem ser embaladas rapidamente e mantidas refrigeradas, na faixa de 5ºC, por até uma semana antes que elas comecem a murchar.

Na capuchinha, as tonalidades das pétalas estão associadas à presença de carotenoides, que são pigmentos que vão do amarelo claro até o vermelho escuro. No caso específico dessa flor, o carotenoide predominante é a luteína, um composto antioxidante relacionado à prevenção de doenças oculares. “Já o sabor fresco e picante, que faz lembrar um pouco o agrião, ocorre devido à presença de compostos sulfurosos, que beneficiam o sistema imunológico. Há também um considerável conteúdo de vitamina C e de minerais como potássio, cálcio e zinco”, comenta a pesquisadora.

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Mais flores comestíveis na mira da pesquisa

Há outras flores sendo estudadas no da Embrapa Hortaliças que possuem características nutricionais interessantes. Na vinagreira, planta também conhecida por hibisco, o composto antioxidante que prevalece é a antocianina, um pigmento responsável pela coloração púrpura dos cálices ou frutos (espécie Hibiscus sabdariffa ou vinagreira de folhas verdes) e pelos tons arroxeados das folhas e flores (espécie Hibiscus acetosella). Há, ainda, outra espécie bem conhecida: a “vinagreira veludo”, que tem folhas verdes e flores vermelho intenso (Hibiscus cannabinus).

Os minerais que se destacam na composição da vinagreira são potássio, ferro e cálcio. As flores roxas da espécie H. acetosella e H. cannabinus, no geral, são desidratadas e usadas no preparo de chás, bolos e geleias.

Já pratos tradicionais da gastronomia da Região Norte, como o tacacá e o pato no tucupi, utilizam hastes de jambu em suas receitas, mas em geral, as folhas são cozidas. Contudo, pode-se também aproveitar as pequenas flores amarelas para acentuar o sabor, já que elas concentram ainda mais a substância espilantina, que causa um leve amortecimento das mucosas devido às suas propriedades anestésicas.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.