Um projeto da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da capital paulista visa resolver um problema que já há muito tempo é motivo de debates: a presença da espécie Seafórtia (Archontophoenix cunninghamii) no Parque Trianon. Mais conhecida como palmeira australiana ou palmeira-real, ela é esteticamente bonita e foi plantada como parte de projetos paisagísticos. O problema é que inibe o desenvolvimento de espécies nativas.

De grande porte, chegando a 10 metros de altura, a Seafórtia “provoca muitos danos ambientais devido ao seu crescimento rápido, à intensa competição com outras plantas e à sua sombra excessiva que prejudica a germinação das espécies nativas”, avalia a secretaria. Para se ter uma ideia do impacto e de sua capacidade de reprodução, cada cacho da árvore possui cerca de quatro mil sementes.

A espécie é chamada de exótica por não ser nativa, vinda da Austrália, e invasora por comprometer a flora original. O projeto segue o exemplo da USP que, em 2011, substituiu esta mesma espécie por 120 espécies nativas de Mata Atlântica. Na época, cientistas do Instituto de Biociências haviam constatado que ela prejudicava à flora nativa.

Foto: Wikimedia Commons

A decisão foi anunciada desde 2017, mas agora é que começaram os treinamentos para começar a retirada. Enquanto isso, o Conselho Gestor do Parque vai conscientizar a população do entorno. Segundo a prefeitura, serão removidas as cerca de 750 palmeiras existentes no Parque Trianon. O plano de retirada completa e substituição por árvores nativas da Mata Atlântica estipula o prazo de dois anos para ser concluído. 

O Parque Trianon está em frente ao Masp e é uma pequena selva em meio aos arranha-céus de São Paulo.

Foto de capa: John Tann