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Foto: iStock

Muita gente passou a cultivar horta em casa durante a pandemia e períodos de isolamento social. O hábito traz uma conexão com a natureza e também benefícios para a nossa saúde, física e mental. Com a horta caseira, podemos experimentar o prazer de colher o próprio alimento e comer refeições saborosas, com hortaliças e temperos frescos, livres de agrotóxicos.

Ao mesmo tempo, o tema da sustentabilidade e da nossa relação, nem sempre saudável, com o planeta, está ganhando destaque e muitas pessoas estão questionando hábitos e escolhas. Encontrar formas de ajudar o planeta sem sair de casa, cuidando do meio ambiente e da nossa saúde, tem se tornado cada vez mais importante e existem possibilidades ao nosso alcance de fazer a nossa parte por um mundo melhor.

A compostagem doméstica é uma oportunidade de dar a destinação correta aos resíduos orgânicos que produzimos, praticamente a metade do que alguns chamam de “lixo” e gerar com estes resíduos um enriquecedor de solos orgânico, extremamente rico em nutrientes que pode ser usado em hortas e jardins da nossa casa e ainda doado para vizinhos, amigos e familiares.

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Plantar e compostar em casa são dois hábitos que estão ganhando espaço na rotina das pessoas. Foto: Karolina Grabowska | Pixabay

Como começar?

Para começar uma horta em casa, basta analisar se há um espaço, podendo ser grande ou pequeno, que bata sol e providenciar materiais como vaso, jardineira, terra, ferramenta e regador.

O sol é muito relevante, porque é energia para a planta. O ideal é ter no mínimo quatro horas de luz, mas mesmo que não tenha tanto tempo de iluminação, a planta acaba se adaptando. Na dúvida, escolha o local com maior luminosidade disponível e experimente“, aponta Diego Diel, coordenador de vendas da ISLA Sementes. Para ajudar os iniciantes na empreitada, a empresa disponibiliza 600 variedades de sementes e kits para começar uma horta em casa no e-commerce.

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Horta Vertical. Foto: Ecotelhado

Com relação à estrutura, há diversas formas. “Pode-se fazer uma estrutura suspensa, em cima de um cavalete, uma escada, parapeito ou janela. No chão ou em floreiras. É essencial pensar numa drenagem para escoar a água dada às plantas. As hortaliças gostam de solo úmido, mas não encharcado. Exemplos são os furos na base dos vasos ou ainda evitar terrenos que alaguem para uma horta em canteiros“, explica Diego.

Para escolher o que plantar, é interessante saber as características das plantas que se deseja cultivar. “Mas vale lembrar de conferir se a época condiz com o período recomendado para a sua região”, ressalta Diel.

NO CicloVivo temos diversas matérias ensinando com plantar frutas, hortaliças e ervas, como camomila, jabuticaba, alho, tomate, caju, brócolis, alecrim e algumas PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), como a capuchinha e a ora-pró-nobis.

ervas medicinais
Estas ervas podem ser cultivadas em casa, com facilidade, e trazem muitos benefícios.

Compostando os resíduos orgânicos

Horta feita, alimentos plantados e consumidos, é hora de saber como lidar com as sobras. Muita gente acha que, separando resíduos secos (recicláveis) e molhados (orgânicos) já está colaborando para o meio ambiente. Mas a verdade é que não são apenas os recicláveis secos, como plástico, metal, papel e vidro que podem ser reciclados ou reaproveitados. Os resíduos orgânicos são um material cheio de valor!

Na maior parte das cidades brasileiras, os rejeitos (parte do lixo que não temos capacidade e/ou tecnologia para reciclar) e os orgânicos acabam em aterros sanitários ou lixões a céu aberto. Por dia, 200 mil toneladas de rejeitos e orgânicos vão para lixões, e cerca de 50% deles são resíduos orgânicos.

coleta de lixo orgânico
Foto: Adriana Baldissarelli | Comcap

Um dado alarmante: medicamentos, fármacos e embalagens de cosméticos, entre outros resíduos chamados de micropoluentes, além de perfurocortantes e infectantes gerados em nossas casas, são classificados como resíduos urbanos e, com isso, a lei afasta a obrigatoriedade do descarte adequado, permitindo que o mesmo seja feito no lixo comum.

O assunto é tão sério que a ONU criou um grupo de estudo para criação de soluções inovadoras para a gestão do lixo doméstico (isso porque o resultado do descarte inadequado é poluição e contaminação do meio ambiente). Aqui a compostagem entra como uma oportunidade de cada um fazer sua parte.

A compostagem é um processo biológico de transformação de resíduos orgânicos em adubo pela ação de microorganismos, principalmente bactérias“, explica Rafael Zarvos, especialista em Gestão de Resíduos Sólidos e fundador da Oceano Resíduos.

Para quem está começando, ele deixa duas dicas: comprar uma composteira doméstica ou fazer o próprio vaso compostor. O primeiro método utiliza minhocas, e o segundo método utiliza matéria seca, mas Rafael garante que nenhuma das duas opções libera odor.

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Os minhocários são uma das possibilidades para quem quer fazer compostagem doméstica. Foto: iStock

Existe ainda a possibilidade de compostagem com bokashi ou de se contratar empresas especializadas na coleta de resíduos orgânicos, que fazem a compostagem em pátios próprios e entregam o composto orgânico pronto para ser usado pelos clientes. As duas técnicas transformam “lixo” em alimento ao invés de ter o mesmo resíduo liberando poluentes em aterros sanitários. “Estamos atravessando um momento ímpar onde podemos observar a quantidade de resíduos que geramos em nosso dia a dia. É a oportunidade de começarmos a repensar nossos hábitos. A compostagem somado à separação dos resíduos recicláveis, contribui para fecharmos o ciclo“, destaca Zarvos, que vê na compostagem uma forma do cidadão exercer sua cidadania ambiental, sem depender do poder público.