Mudar hábitos nem sempre é fácil, mas as mudanças em relação ao nosso comportamento e padrões de consumo são cada vez mais necessárias. O impacto individual pode parecer insignificante em relação aos danos causados por empresas, governos e políticas ambientais, mas podemos escolher ser parte da solução e contribuir com o que está ao nosso alcance. A soma das nossas ações pode trazer benefícios enormes.

É preciso repensar a maneira como produzimos e consumimos. Por isso, separamos algumas dicas simples de mudanças possíveis para o ano que está começando. Sugerimos o foco em um comportamento por mês, mas nada impede que muitas mudanças sejam realizadas no começo do ano e mantidas ao longo de 2020.

Janeiro: organize a sua casa

Depois das festas de final de ano, uma época normalmente marcada por excessos e falta de rotina, a organização é uma boa maneira de começar o novo ciclo. Organizar a casa e nossos pertences é uma oportunidade de ver o que temos e medir quais são nossas reais necessidades de consumo. Ao arrumar o guarda roupas, por exemplo, podemos doar o que não usamos, estimulando a economia circular, e evitar a armadilha de comprar mais roupas. Uma cozinha organizada também ajuda a evitar desperdício de comida. As vezes, ao nos depararmos com tudo o que já temos em casa, percebemos que não precisamos comprar mais coisas e que, inclusive, podemos viver com menos e ajudar quem precisa.

Fevereiro: cuidado com o ar condicionado

O Brasil é um país quente e quem tem ar condicionado costuma abusar do equipamento. Sempre que possível, prefira as janelas abertas e a circulação natural do ar no carro e nos ambientes da casa e escritório. O uso do ar condicionado aumenta consideravelmente o consumo de energia elétrica e combustível, cuja produção tem impactos ambientais importantes. Além da economia no bolso, esta atitude poupa recursos naturais. Caso ligue o ar condicionado, opte por temperaturas amenas.

Março: reduza o consumo de proteína animal

Se a proteína animal faz parte da sua dieta, é possível reduzir o consumo sem prejudicar a sua saúde. A produção de carne é responsável por emissões de gases do efeito estufa, gerando impacto direto no aquecimento global, consume grandes quantidades de água e as pastagens e plantações de grãos para alimentação dos animais são causa de desmatamento. A pecuária é considerada o principal vetor de desmatamento na Amazônia.

Mesmo quem não considera o vegetarianismo ou o veganismo como opções, pode reduzir o consumo de carne. Um exemplo é o movimento #segundasemcarne, que estimula as pessoas a adotarem uma dieta vegana um dia por semana. Com esta atitude simples, uma pessoa economiza 3,4 mil litros de água e diminui a emissão de CO2 em 14kg (o equivalente a uma viagem de 100km de carro) em um dia.

Além das questões ambientais e da compaixão pelos animais, trocar produtos de origem animal por vegetais pode trazer muitos benefícios à saúde.

Abril: experimente novos meios de transporte

Que tal deixar o carro na garagem e descobrir novas maneiras de ir e vir? O transporte público é uma opção mais sustentável do que o automóvel, que emite gases do efeito estufa para o transporte individual. Muitas cidades já contam com serviços de aluguel de bicicletas e, para quem não vive longe do trabalho, a caminhada também é uma boa opção. Ao deixar o carro na garagem, você evita a emissão de gases do efeito estufa, economiza com o combustível e contribui para melhorar o trânsito. Quem caminha e pedala também está contribuindo para manter a saúde em dia.

Maio: prefira produtores locais

Produtos que são transportados por longas distâncias geram uma pegada de carbono maior e estão mais propensos a serem danificados no trajeto. Especialmente para os alimentos, o transporte é uma grande fonte de desperdício. Priorizando produtores locais, você favorece o empreendedorismo e conhece melhor a origem (e qualidade) do que está consumindo. No caso dos alimentos, a produção local também está vinculada à agricultura familiar e orgânica – melhores para sua família e para o meio ambiente.

Junho: chega de plásticos de uso único

Se nada mudar, em 2050 teremos mais plástico do que peixes no oceano. O plástico de uso único, como aquele copinho de café ou a embalagem do seu lanche, é usado durante menos de um minuto e fica na natureza por centenas de anos. Enquanto a gente consumir este tipo de plástico, a indústria vai continuar a produzir produtos com ele e o volume deste resíduo vai seguir crescendo.

Soluções simples: substituir o copinho por um copo reutilizável, recusar sacolinhas e canudinhos, escolher produtos livres de embalagens plásticas, comprar a granel, ter uma sacola retornável para levar suas compras. Lembre-se: antes de reciclar, é preciso recusar e reusar sempre que possível.

Uma boa atitude é organizar festas juninas que não usem descartáveis. Você pode conversar com as pessoas envolvidas na realização das festas e ajudar a promover esta consciência em quem participa das comemorações.

Julho: compense suas emissões de carbono

Com as férias escolares, muitas famílias aproveitam para viajar. E as viagens, apesar de maravilhosas, também têm seu impacto negativo. Viagens, especialmente as aéreas, emitem grande quantidade de gases de efeito estufa emitidos no transporte. Uma solução é compensar estas emissões com o plantio de árvores.

Uma pessoa indo e voltando de São Paulo para Salvador, por exemplo, emite cerca de 260kg de CO2. Para compensar esta emissão é necessário plantar 2 árvores.

No site Iniciativa Verde, é possível calcular sua pegada de carbono e a quantidade de árvores necessárias para a compensação. No caso da viagem de avião de São Paulo a Salvador, a entidade oferece o plantio destas 2 árvores, ajudando no reflorestamento da Mata Atlântica, por R$ 40. Além das viagens, é possível compensar a pegada de carbono gerada por outras atividades, como consumo de energia elétrica, dietas e uso de gás de cozinha.

Agosto: comece a compostar seu lixo

Quando falamos de reciclar o nosso lixo, a primeira ideia que vem à cabeça é a coleta seletiva e reciclagem de materiais recicláveis como o plástico, alumínio, papel… Mas a maior parte dos resíduos que geramos em casa são resíduos orgânicos, principalmente restos de comida. A compostagem doméstica é uma solução simples e que pode ser feita em casas e apartamentos. Uma composteira com minhocas ocupa pouco espaço e pode receber boa parte do nosso “lixo” orgânico. Para quem tem um quintal e um pouco mais de tempo, é possível fazer a compostagem seca em um canteiro.

Além de evitar que os resíduos orgânicos da sua casa sejam enviados ao aterro, onde geram grandes quantidades de gases do efeito estufa, quem faz compostagem doméstica ganha no final do processo um adubo muito rico (e sem produtos químicos) que pode ser usado nas suas plantas ou doado para vizinhos e amigos.

Existem ainda empresas que recolhem resíduos orgânicos de quem não tem tempo ou vontade de fazer a compostagem doméstica. Quem contrata este serviço normalmente recebe um recipiente para depositar os lixo orgânico, que é recolhido e compostado, garantindo uma destinação sustentável para este resíduo.  

Setembro: plante árvores

No Brasil, comemoramos o Dia da Árvore no dia 21 de setembro. Podemos aproveitar a data, e o mês de setembro, para plantar árvores, participar ou promover plantios ou ainda contribuir para organizações que realizam este trabalho tão importante.

Árvores contribuem para a conservação do solo, drenagem de água da chuva (evitando enchentes), melhoram a qualidade do ar, ajudam a controlar a temperatura, grantem sombra e podem dar alimentos.

Existem espécies de árvores da Mata Atlântica que podem ser plantadas em cidades e o contato com a terra ajuda quem planta a relaxar, trazendo bem estar e saúde mental.

Quem não tem tempo ou espaço para plantar árvores, pode contribuir com plantios realizados por organizações como a Tree Nation que planta árvores em todo o mundo. No Brasil, temos muitas opções: Novas Árvores por Aí, em São Paulo, o  Instituto Árvores Vivas, o movimento Nós + Árvores, em Goiânia, o Pró-Árvore, em Fortaleza.

Quem usa muito a internet para pesquisas pode ajudar de um jeito ainda mais simples: ao usar o buscador Ecosia você automativamente está contribuindo para que novas árvores sejam plantadas. São necessárias aproximadamente 45 buscas para plantar uma árvore e com esta ferramenta, são financiados o plantio de uma nova árvore a cada segundo.

Outubro: escolha bem seu filtro solar

O calor está de volta e temos o privilégio de viver em um país com praias maravilhosas. Mas, quando vamos para a praia precisamos proteger a pele do sol e, sem saber, podemos levar para o mar substâncias perigosas à vida marinha. Muitos protetores solares contêm ingredientes que ameaçam corais e animais marinhos, entre eles a oxibenzona que danifica o DNA de corais, pode matar corais jovens e prejudicar o desenvolvimento saudável em espécies de peixe, além de ser tóxica para camarões, moluscos, algas marinhas e ouriços-do-mar. O impacto se estende para outras espécies de animais marinhos que dependem dos corais como abrigo e fonte de alimento.

Muitos países já estão proibindo o uso de protetores solares com oxibenzona e outras 9 substâncias (etilparabeno, octinoxato, butilparabeno, octocrileno, metilbenzilideno cânfora, benzilparabeno, triclosano, metilparabeno e phenoxyethanol). No Brasil, podemos optar por produtos sem estes ingredientes, independente de qualquer veto ou lei que os proíba.

Novembro: aproxime-se das causas que você defende

Muitas vezes nos sentimos impotentes frente aos problemas do mundo: desmatamento, ameaças aos povos indígenas, uso desenfreado de agrotóxicos, poluição, falta de oportunidades e educação para todos. Queremos muito ajudar, mas não sabemos como e acabamos não nos envolvendo.

A boa notícia é que existe muita gente trabalhado por um mundo melhor. Pessoas que se organizam e sabem o que fazer, mas que também precisam de apoio. Você pode ajudar descobrindo quais são as Organizações Não Governamentais que defendem causas que você apoia e descobrir como você pode fazer parte deste trabalho. Muitas precisam de voluntários e outras tem canais para receber doações em dinheiro. Você pode fazer a diferença com o seu tempo, conhecimento ou com sua contribuição financeira.

Dezembro: resista ao consumismo

Mais uma vez chegamos ao final do ano e é época de comemorar e estar com quem faz parte da nossa vida. Um mês marcado por festas, presentes e muita comida e bebida. Exageros nesta época do ano são comuns e podem trazer um impacto negativo importante: para o nosso bolso, nossa saúde e para o nosso planeta. Combater o consumismo justamente no momento em que ele se faz mais presente é uma ótima maneira de encerrar o ano e de ajudar a mudar padrões de consumo tão presentes na nossa sociedade. E pode ser mais fácil do que parece: para te ajudar, o CicloVivo e o Instituto Akatu preparam algumas dicas!