Na última terça-feira (27), o governo brasileiro voltou atrás em sua oferta de sediar a COP25, a conferência do clima marcada para acontecer de 11 a 22 de novembro de 2019. Apesar de sua importância na questão ambiental, o Brasil nunca sediou uma COP.

O comunicado, feito pelo Itamaraty, foi divulgado pelo jornal O Globo: “Levando em consideração restrições fiscais e orçamentárias, que muito provavelmente devem continuar em um futuro próximo, e tendo em vista o processo de transição para a administração recém-eleita, que será inaugurada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro é obrigado a retirar a oferta de sediar a COP 25”, diz a nota enviado à secretária-executiva da Convenção, a embaixadora Patrícia Espinosa.

Em nota, a organização ambiental WWF se posicionou sobre a decisão, ressaltando que o recuo não pode significar menos compromissos com as metas climáticas do Brasil, confira abaixo:  

O WWF-Brasil lamenta a notícia de que o Brasil desistiu de sediar a 25ª Conferência de Partes na Convenção de Clima da ONU. O país tem tido destaque nas negociações internacionais de clima, exercendo um importante papel na diplomacia rumo a uma maior redução de gases de efeito estufa.

A participação do Brasil é vital para atingir as metas mundiais, uma vez que nosso país é atualmente o 7º maior emissor de Gases de Efeito Estufa e a Amazônia tem um papel fundamental na regulação do clima mundial.

Neste momento de transição de governo, a decisão diverge do posicionamento anterior anunciado antes das eleições, demonstrando forte influência da equipe de transição. O Embaixador brasileiro no próximo governo, Ernesto Araújo, demonstrou ceticismo às mudanças climáticas e fez duras críticas ao processo internacional de negociação.

De acordo com o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, a decisão de não realizar a COP no Brasil passa ao mundo um sinal de que o novo governo não enxerga como prioritária a agenda de combate às mudanças climáticas, o maior desafio que o planeta enfrenta.

Em um período marcado por desastres ambientais ao redor do globo, como secas gerando prejuízos na agricultura no Nordeste ao mesmo tempo em que inundações assolam cidades no Sudeste do Brasil, e os históricos incêndios da Califórnia, esperamos que esta decisão não implique em um menor protagonismo do Brasil no Acordo de Paris ou um menor compromisso com as já assumidas metas de redução das emissões brasileiras.

Com uma economia fortemente apoiada no uso de recursos naturais, minimizar os efeitos, e as medidas de enfrentamento às mudanças climáticas, poderá gerar sérias implicações a uma trajetória de desenvolvimento sustentável. A segurança climática do país e do planeta, assim como a qualidade das vidas de todos nós dependem disso.