O edifício da Academia de Ciências Naturais da Califórnia, revitalizado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, recupera duas antigas construções e mistura-as com uma estrutura totalmente nova, transparente, que a conecta visualmente com o Golden Park, caracterizando-se por uma concepção totalmente diferente dos museus escuros tradicionais. A sombra para o prédio será fornecida por uma cobertura que gira em torno da estrutura, com painéis solares instalados sobre ela. 

A sustentabilidade foi um aspecto fundamental no projeto, dado que ele é um dos dez pilotos "green building" do Departamento de Meio Ambiente de São Francisco, visando obter a certificação LEED de platina. O edifício ainda deverá consumir de 30 a 35% menos energia que o exigido pelo órgão certificador.

O projeto conserva duas paredes de pedra calcária do edifício anterior (1934), e abriga um planetário, um habitat de floresta tropical e um aquário, além de vários espaços de exposições para abrigar as várias coleções da Academia. 

O planetário e a “bolha” que contém o habitat da floresta tropical são as duas grandes esferas que formam o telhado verde. O teto se torna uma paisagem com espécies nativas da Califórnia, que não precisará de manutenção extra ou água, atraindo espécies locais para ocupá-lo. Assim, o telhado verde não será totalmente acessível para os visitantes, que só podem percorrer um pequeno caminho na cobertura.

O aquecimento por piso radiante reduzirá de cinco a10% os gastos com energia; sistemas de recuperação de calor irão captar e utilizar o calor produzido pelos equipamentos de aquecimento, ventilação e ar condicionado, reduzindo o consumo energético. O telhado verde fornecerá uma camada de isolamento térmico superior para a construção e os vidros de alta performance serão utilizados em todo o edifício, reduzindo os níveis padrões de absorção de calor e diminuindo a carga de refrigeração. Sistemas de umidificação de osmose reversa serão usados para manter as coleções com uma umidade constante, reduzindo 95% do consumo de energia necessária para a umidificação. Além disso, pelo menos 90% dos espaços ocupados regularmente terão acesso a luz natural e vista externa. 

O telhado ondulado levará ar fresco para a praça aberta no centro do edifício, ventilando naturalmente os espaços de exposição adjacentes. Clarabóias no teto irão automaticamente abrir e fechar para ventilar o ar quente para fora através dos topos das abóbadas. As clarabóias são estrategicamente posicionadas para permitir que a luz solar natural chegue à floresta viva e aos recifes de corais. Janelas motorizadas abrem e fecham automaticamente para que o ar fresco possa adentrar ao prédio, estas janelas também serão empregadas nos escritórios. 

Fotossensores no sistema de iluminação irão funcionar automaticamente, em resposta à penetração da luz natural de verão, reduzindo a energia necessária para iluminar espaços interiores. A cobertura solar ao redor do perímetro do telhado contendo 60 mil células fotoelétricas fornecerão quase 213 mil kW/h de energia limpa por ano (pelo menos 5% da energia necessária da nova Academia), evitando a emissão de toneladas de gases de efeito estufa por ano. As células multi-cristalinas são as mais eficientes no mercado alcançando uma eficiência pelo menos 20% superior às demais. 

As torneiras dos banheiros terão sensores que as carregarão com o próprio uso. O fluxo da água faz com que uma turbina interna gere energia e carregue a bateria.

O teto irá absorver cerca de 98% de toda água da chuva. A água recuperada da cidade de São Francisco será usada para lavar os sanitários, reduzindo em 90% o uso de água potável para o transporte de águas residuais. 

Devido ao baixo fluxo e ao uso da água recuperada, o consumo total de água potável será 30% inferior ao de referência. A água salgada para o aquário será encaminhada a partir do Oceano Pacífico, minimizando o uso de água potável para sistemas de aquário. Resíduos de nitratos serão purificados com os sistemas naturais, assegurando a reciclagem desta água. 

Mais de 90% dos resíduos de demolição da antiga Academia foram reciclados. Nove mil toneladas de concreto foram reutilizados na construção da estrada de Richmond, 12 mil toneladas de aço foram recicladas e 120 toneladas de poda foram recicladas no local. Pelo menos 50% da madeira foi colhida de forma sustentável e certificada pelo Forest Stewardship Council. Toda a estrutura de aço do edifício será feita a partir da utilização de aço reciclado. 

O isolamento que será instalado nas paredes do edifício, é feito de jeans reciclado. O produto contém 85% de conteúdo reciclado pós-industrial e usa algodão, um recurso renovável, como um dos seus principais ingredientes.Todo o concreto contém 30% de cinzas, um subproduto das usinas a carvão. Ele também contém 20% de escória, um resíduo de fundição de metais. 

Foi feito um corredor ecológico para a fauna, o telhado vivo possui nove espécies nativas da Califórnia, que não requerem irrigação artificial. A área de 2,5 hectares plantadas é hoje a maior faixa de vegetação nativa da região. Cerca de 1,7milhão de plantas cobrem o telhado vivo.

As plantas nativas irão fornecer habitat para uma variedade de vida selvagem. A plantação de morangos produz frutos que atraem pássaros nativos, outas espécies atraem beija-flores, abelhas, mariposas, borboletas, vespas e “insetos piratas” que se alimentam de insetos pragas, larvas de borboleta e as flores amarelas brilhantes atraem uma grande variedade de espécies nativas de insetos benéficos.

Para o transporte, a academia vai oferecer bicicletários nas entradas frontal e traseira, bem como uma estação de recarga de carros elétricos na doca de carregamento. Os funcionários serão compensados ​​com o uso de transportes públicos. Materiais locais e produtos fabricados dentro do raio de 800 quilômetros da Academia serão responsáveis ​​por pelo menos 20% dos produtos usados na construção. Isso reduz os impactos do transporte e suporta a economia regional. 

O edifício foi aberto ao público em 2008 totalmente finalizado. 

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.