Slow life, slow food, slow medicine, slowkids, slow parenting , slow school, enfim: slow movement – esse é um  movimento de desaceleração da sociedade, já ouviu falar?

Um movimento de conscientização sobre o ritmo frenético da sociedade atual, e a proposta de viver sem pressa, fazer as coisas com presença e atenção plena, estar atento às relações, buscar uma vida mais simples.

Como desacelerar quando o tempo parece escorrer como areia entre os dedos? Como viver sem pressa com tantos afazeres a cumprir?

Já percebeu como as crianças vivem? Criança não sente a urgência que nos move todo momento fazendo com que estejamos sempre preocupados com o que está por vir. Criança vive o presente, que demanda um tempo largo para ser desfrutado, para que as experiências sejam devidamente saboreadas.

Devemos aprender com elas a ter um olhar demorado para as coisas corriqueiras do dia-a-dia. Observar a peregrinação das formigas carregadeiras, apanhar uma flor no caminho, admirar um passarinho que pousa, e tantas outras belezuras da vida. Infância pede calma, pede alma. Infelizmente estamos desrespeitando a infância tirando a criança deste tempo demorado – leia aqui

Contra o tempo da pressa

Contra o tempo da pressa o remédio é um olhar contemplativo, demorado e lento. Contra o tempo da pressa recomenda-se o ócio, o vazio, a meditação.

O filósofo e escritor sul-coreano radicado na Alemanha, Byung-Chul Han, em seu mais recente ensaio (2016) Aroma do tempo,  afirma que “a demora contemplativa concede tempo, dá amplidão ao ser, o que é algo mais do que estar ativo. Quando recupera a capacidade contemplativa, a vida ganha tempo e espaço, duração e amplidão”

Precisamos nos refinar na arte da demora. Precisamos devolver ao tempo a sua condição de instante, rompendo com o percurso horizontal e transformando-o numa profundidade vertical – é o que adverti o filósofo.

Viva sem pressa, viva slow – um modo de estar no mundo atento ao que realmente importa.

Ana Lúcia Machado é pesquisadora da cultura da infância e arte na educação. Autora do blog “Educando Tudo Muda”, carrega a bandeira da educação como a única revolução capaz de transformar o mundo. Ela é autora do livro “Clarear – a pedagogia Waldorf em debate” e do projeto “Playoutside – alegria de brincar na natureza”