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Refúgio biológico no Paraná registra 1o nascimento de onças-pintadas

Esta é a primeira vez que os felinos resgatados se reproduzem em cativeiro.

2 de janeiro de 2017 • Atualizado às 13 : 50

A reprodução da espécie era um sonho antigo dos profissionais do Refúgio. | Foto: Divulgação

Refúgio biológico no Paraná registra 1o nascimento de onças-pintadas
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O Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (Paraná), registrou a primeira reprodução em cativeiro de onças-pintadas. Dois filhotes nasceram na última semana.

O nascimento dos bebês-onças ocorreu apenas três meses depois da aproximação entre Valente, antigo morador do Refúgio, e a recém-chegada Nena, procedente da divisa do Mato Grosso do Sul e Goiás.

A reprodução da espécie era um sonho antigo dos profissionais do Refúgio. O local já é referência em reprodução de outros animais, como a harpia, o veado-bororó e a anta.

O nascimento das onças confirma a época de alta fertilidade no Refúgio, onde atualmente as harpias, por exemplo, estão se reproduzindo. Seis ovos estão sendo chocados.

Conquista

Desde duas semanas atrás, quando Nena já vinha dando sinais de gestação, ela foi retirada do recinto principal, para se preparar para a chegada dos bebês.

Agora, a mamãe-onça e os filhos estão em uma maternidade isolada, no Zoológico Roberto Ribas Lange, dentro do RBV, onde recebem todos os cuidados.

Para o médico-veterinário Wanderlei de Moraes, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, essa é uma das principais conquistas da unidade de conservação. A primeira tentativa de reprodução da espécie no RBV começou há 14 anos, com a chegada da onça Juma. Mais tarde se descobriu que Juma tinha problemas de infertilidade, por causa da idade.

Moraes lembra “que Valente e Nena eram filhotes órfãos quando foram resgatados e não conseguiriam sobreviver na natureza. Hoje, eles têm o papel fundamental de contribuir para reprodução da espécie em cativeiro”. E completa: “Quem sabe um dia seus descendentes possam voltar à liberdade”.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Os filhotes

Os dois filhotes de onça passam bem. Eles são melânicos, isto é, sua cor é preta, como a da mãe. Mas, embora Nena seja preta e Valente pintado, a diferença é só uma questão de pigmentação, em função da quantidade de melanina. Ambas as onças são da mesma espécie (Panthera onca).

Para garantir a integridade dos bebês-onças e evitar estresse da mãe, só a partir da semana que vem serão feitas imagens dos animais. Se tudo der certo, já em março a mãe e os filhotes serão expostos para visitação. Atualmente, só Valente é mantido na área de visitantes do recinto das onças, que integra o circuito turístico.

Em extinção

Quando Nena chegou, em setembro, os profissionais da unidade de conservação foram bastante prudentes. Eles trabalhavam com a expectativa de que os primeiros filhotes fossem gerados em um ano.

A antecipação do prazo traz esperança de nascimento de mais onças-pintadas, espécie em processo de extinção na natureza. A única reserva de grande porte no Sul do País que abriga a espécie é o Parque Nacional do Iguaçu, na fronteira do Brasil com a Argentina, onde estão as Cataratas.

Histórico

A onça-preta fêmea foi doada à unidade de conservação pelo Criadouro Científico Instituto Onça-Pintada, de Goiás. Em idade fértil, a nova integrante do plantel de Itaipu foi sendo gradativamente introduzida no recinto da onça-pintada macho Valente, para que se acostumassem um com o outro.

Valente, capturado em uma fazenda no Mato Grosso do Sul, na divisa com São Paulo, tem nove anos de idade e Nena, três. Ela é a sexta onça recebida pelo Refúgio mantido pela Itaipu Binacional.

Primeiro veio Juma, em 2002. Depois, Tonhão, Valente e Teka (também conhecida como Beyonça). E em setembro, junto com Nena, chegou também uma onça-pintada macho, que tem a mesma idade dela. Estrela do Refúgio desde que havia chegado ao local, Juma morreu no começo deste ano, já com a idade avançada. Tonhão e Teka foram conduzidos para outros zoológicos.

 

 

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