Os alunos da Escola Santi, localizada no Paraíso, em São Paulo, estão implantando uma série de ações criativas para enfrentar a crise da água.

Várias medidas para combater o desperdício de água estão sendo adotadas na Escola Santi, envolvendo alunos, familiares e professores.

Segundo a diretora geral, Adriana Cury Sonnewend, “nenhuma ação por parte da instituição será válida se não tivermos como pano de fundo ações que não apenas conscientizem os alunos sobre o uso da água, mas que, principalmente formem pessoas que realmente usem os recursos da melhor maneira como um estilo de vida e não apenas como medida emergencial”. Com este foco, a escola está implantando uma série de medidas, muitas das quais foram propostas pelos próprios alunos.

Garrafa plástica na descarga acoplada

Uma maneira simples de reduzir o gasto de água foi diminuir a vasão nas descargas. Para tanto, os próprios alunos levaram para a escola garrafas de plástico (iogurte, leite), para serem colocadas dentro das descargas acopladas: ao se dar a descarga, o volume de água é reduzido. Os próprios alunos fizeram a instalação das garrafas nas descargas. Assista abaixo ao vídeo, em que eles explicam como preparar as garrafas e fazer a instalação.

Pincéis por cores e não por aluno

Tradicionalmente, cada criança utiliza seu próprio pincel e faz a lavagem nos copinhos com água, quando quer mudar de cor. A partir deste ano, as crianças utilizam coletivamente o mesmo pincel para cada cor, evitando sua lavagem. Todos os pincéis utilizados num dia serão lavados em um único balde, ao final do dia (e não de cada turma). Além da economia, as crianças estarão aprendendo a compartilhar e dividir os recursos com os colegas.

Uso de garrafa ou copo individual ao invés de beber água diretamente no bebedouro

Pesquisa realizada por alunos da escola no ano passado revelou que há grande desperdício de água no uso dos bebedouros tradicionais. Por iniciativa dos próprios alunos, está sendo estimulada a adoção de garrafas individuais ou copos inquebráveis, para serem abastecidos nos bebedouros, sem perda de água.

Intervenção sobre o uso consciente da água

As ações não se limitam à escola. Para instigar a reflexão sobre o uso consciente da água, os alunos fizeram uma intervenção em frente à escola.

Após serem discutidos os motivos pelos quais se chegou à atual situação em São Paulo e suas consequências, os estudantes literalmente foram à rua, no horário de saída das turmas da manhã. Em frente à escola, levaram uma piscina de areia, com barcos de papel e folhetos sobre como evitar o desperdício da água. Conseguiram chamar a atenção de quem passava em frente da Escola Santi. “A ação foi muito positiva e as pessoas pararam bastante para ver o que estava acontecendo e ler os panfletos”, conta o professor. “Foi a nossa maneira de contribuir com o uso sustentável da água.” Sob a coordenação do professor de História Lucas Oliveira, os estudantes se reuniram semanalmente para realizar oficinas com o objetivo de pensar temas relacionados à identidade e meio ambiente, além de produzir materiais que ilustrem as discussões e planejar ações que envolvam a comunidade escolar, como no caso do problema de abastecimento hídrico em São Paulo. 

Portas abertas à comunidade


No dia 28 de março a Escola Santi promove um evento gratuito, aberto ao público, para todos que quiserem discutir, pensar, aprender e fazer ações para o uso consciente da água. 

A iniciativa contará com a instalação de uma cisterna, bate-papo, salas interativas e mostra de vídeos. Para participar, basta se inscrever no aqui.

Todas essas ações são comunicadas aos pais, a quem é solicitado o engajamento e incentivo aos filhos. “A escola é responsável por formar pessoas que compreendam, analisem e questionem o mundo que as cerca, por isso, é fundamental que cada professor traga essa discussão para sala de aula, pense em estratégias para diminuir o consumo de água e faça com que os alunos estejam realmente engajados”, complementa a diretora geral, Adriana Cury Sonnewend.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.