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Jornada reduzida para combater a queda na natalidade em Tóquio

Cultura de trabalho exaustiva é apontada como vilã na queda da natalidade, e Tóquio aposta na jornada reduzida para reverter esse cenário

japão
Foto: Clay Banks na Unsplash

Tóquio está chamando a atenção ao adotar uma semana de trabalho de quatro dias para funcionários do governo, uma medida para lidar com desafios demográficos urgentes. Essa iniciativa, que terá início em abril, visa promover um equilíbrio entre vida pessoal e profissional e enfrentar uma das maiores crises do país: a baixa taxa de natalidade. “Revisaremos os estilos de trabalho… com flexibilidade, garantindo que ninguém tenha que desistir de sua carreira devido a eventos da vida, como parto ou creche”, afirmou Yuriko Koike, governadora de Tóquio, em um discurso político sinalizando uma abordagem transformadora para um dos desafios mais urgentes do Japão – e a jornada reduzida por ser a solução.

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A taxa de fertilidade do Japão atingiu uma baixa histórica de 1,2 em 2023, muito abaixo da taxa de reposição de 2,1 necessária para manter a população estável. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, apenas 727.277 nascimentos foram registrados no país no ano passado, acendendo um alerta vermelho para uma sociedade que enfrenta envelhecimento acelerado e força de trabalho em declínio. A governadora Koike destacou a gravidade da situação, afirmando: “Agora é o momento de Tóquio tomar a iniciativa de proteger e melhorar as vidas, os meios de subsistência e a economia do nosso povo durante esses tempos desafiadores para a nação”.

A nova política permitirá que os funcionários do governo tenham um dia extra de folga por semana, oferecendo mais tempo para cuidados infantis, convívio familiar e bem-estar pessoal. Além disso, pais de crianças do primeiro ao terceiro ano poderão sair mais cedo do trabalho, mesmo aceitando uma pequena redução salarial. Tais medidas buscam aliviar as pressões enfrentadas pelos trabalhadores, especialmente aqueles com filhos pequenos, e criar um ambiente no qual a escolha entre carreira e família não seja mais necessária.

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Há muito tempo o Japão luta com sua notória cultura de trabalho, marcada por jornadas extenuantes e altas expectativas que frequentemente resultam em riscos à saúde. Em casos extremos, isso culmina no “karoshi” — morte por excesso de trabalho. Para as mulheres, o desafio é ainda mais complexo, pois normas sociais e demandas profissionais tornam difícil equilibrar carreira e maternidade.

De acordo com dados do Banco Mundial, apenas 55% das mulheres japonesas participam da força de trabalho, em comparação com 72% dos homens. Essa disparidade de gênero é uma das maiores entre os países de alta renda, refletindo a necessidade de mudanças profundas no sistema.

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toquio
Foto: Aleksandar Pasaric / Pexels

Ao oferecer mais flexibilidade, Tóquio espera criar um modelo de trabalho que inspire outras regiões e setores. A cidade está apostando que, ao priorizar as famílias, será possível reverter parte das tendências demográficas negativas. No entanto, a adoção desse modelo no setor privado permanece incerta. Culturalmente, no Japão, a dedicação no trabalho é frequentemente associada à lealdade, o que dificulta a implementação de políticas progressistas em empresas privadas.

No cenário internacional, a ideia de uma semana de trabalho de quatro dias tem ganhado força. Países no Ocidente começaram a experimentar jornadas mais curtas, relatando ganhos tanto na produtividade quanto no bem-estar dos funcionários. Na Ásia, Cingapura recentemente implementou diretrizes para que empresas adotem acordos de trabalho mais flexíveis, incluindo semanas reduzidas. Esses exemplos mostram que a mudança pode ser benéfica tanto para trabalhadores quanto para empresas, mas no contexto japonês a resistência cultural será um obstáculo significativo.

A crise demográfica do Japão, que já dura décadas, exige ações urgentes. Especialistas alertam que o tempo para reverter essa tendência está se esgotando. A baixa taxa de natalidade ameaça não apenas o crescimento econômico, mas também o tecido social do país. O experimento de Tóquio pode ser um ponto de partida para lidar com esses desafios de forma abrangente.

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Ao mesmo tempo, as lições de outras nações oferecem uma perspectiva valiosa. As políticas implementadas globalmente indicam que mudanças no equilíbrio entre área pessoal e área profissional não apenas melhoram a qualidade de vida, mas também aumentam a produtividade. Para o Japão, a questão não é apenas adotar medidas práticas, mas também reconfigurar valores culturais profundamente enraizados.

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Foto: Will Wright / Pexels

A governadora Yuriko Koike está confiante de que essa abordagem poderá marcar o início de uma transformação nacional. Os resultados desse experimento serão acompanhados de perto, tanto no Japão quanto internacionalmente. Se bem-sucedida, a iniciativa pode se tornar um modelo de como equilibrar o crescimento econômico com o bem-estar humano, estabelecendo Tóquio como pioneira nesse sentido. 

Embora o desafio seja significativo, a direção está clara: a sobrevivência do Japão como uma sociedade vibrante e sustentável dependerá de como equilibrar as demandas econômicas com a necessidade de priorizar o bem-estar familiar. Com a liderança de Tóquio, o país pode estar traçando um novo caminho para o futuro.

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