Como descartar corretamente as “canetas emagrecedoras”?
Agulhas e canetas descartadas no lixo comum ou para reciclagem ameaçam a saúde de equipes de coleta e catadores
Agulhas e canetas descartadas no lixo comum ou para reciclagem ameaçam a saúde de equipes de coleta e catadores
O consumo de produtos vem sempre acompanhado da geração de resíduos relacionados à produção ou ao descarte pós-consumo. E com as canetas emagrecedoras isso não é diferente. Indicadas para alguns casos e contraindicadas para outros, as famosas canetas se tornaram febre e têm alguns riscos. Entre eles está o descarte incorreto.
Pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que faz ou já fez uso desses medicamentos injetáveis destinados ao tratamento de diabetes e obesidade. Em um a cada três domicílios (33%), os entrevistados relataram ter ao menos um morador que usa ou já usou esses remédios.
Como acontece com todo medicamento, as embalagens desses produtos precisam de um cuidado especial depois do seu uso. Nas cooperativas de reciclagem, profissionais que fazem a triagem de resíduos podem se ferir com as agulhas ou seringas de dispositivos usados para a aplicação de Mounjaro ou Ozempic. O mesmo risco está presente com o descarte desse material em lixo comum – uma ameaça para as equipes de coleta e limpeza públicas.

“As medicações injetáveis sempre existiram, mas, na maior parte das vezes, eram utilizadas em hospitais, clínicas, farmácias ou outros estabelecimentos de saúde, que têm um sistema correto de descarte de agulhas e seringas. Com a febre das chamadas ‘canetas emagrecedoras’, esses dispositivos chegaram às residências e estão sendo descartados indevidamente no lixo orgânico ou no reciclável, colocando em risco todos os profissionais que lidam com resíduos”, alerta Thais Fagury, presidente executiva da Associação Prolata Reciclagem, entidade gestora de logística reversa de latas de aço que apoia mais de 1.200 catadores em todo o país, inclusive com o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual.
Thais alerta que o descarte incorreto de dispositivos com agulha não apenas pode trazer sérios riscos à saúde dos catadores, com possibilidade de contaminação por doenças transmitidas pelo sangue, como hepatites e HIV, e pode causar impactos ambientais. “Resíduos de medicamentos podem atingir o solo e a água e provocar sérios danos ambientais e sanitários”, destaca.
