Blisters de medicamentos viram portas e rodapés
Com economia circular, centenas de 370 toneladas de cartelas de remédios se tornam itens de construção civil
Com economia circular, centenas de 370 toneladas de cartelas de remédios se tornam itens de construção civil
Cada resíduo tem os seus desafios e possibilidades. A indústria de medicamentos, por exemplo, implementa pontos de coleta em diversas farmácias para receber produtos vencidos e também embalagens que tiveram contato com comprimidos e cápsulas. São os blisters, as “cartelas” compostas por plástico e alumínio – materiais que podem ser reciclados e voltar para a cadeia produtiva.
No caso da Medley, unidade de medicamentos genéricos da Sanofi, cerca de 100 toneladas de blisters são reaproveitadas anualmente em uma ação que visa melhorar a gestão de resíduos da produção de medicamentos.

Essas cartelas vão para a Unicomper, indústria que reaproveita aproximadamente 370 toneladas desse material para a fabricação de itens para construção civil, como portas, rodapés e guarnições, promovendo inovação e sustentabilidade no setor.
Parte desses materiais retornam à fábrica da Medley, que fica localizada em Campinas/SP, como portas, rodapés, guarnições e outros objetos personalizados, como coletores de resíduos e balcões.

Essa iniciativa marca um avanço importante na gestão de resíduos no setor farmacêutico. Os blisters representam um dos maiores desafios ambientais da indústria, devido à sua complexidade de reciclagem.
Sem uma destinação adequada, esse tipo de resíduo costuma ser enviado para aterros sanitários ou incinerado, o que contribui com a emissão de gases de efeito estufa e o desperdício de recursos naturais.

“Transformar um material complexo, como o blister, em uma oportunidade de economia circular é parte da nossa responsabilidade como indústria ao gerenciar nossas emissões de gases de efeito estufa. Cada unidade produzida representa a transformação de resíduos em soluções úteis, contribuindo para um futuro mais responsável e consciente”, afirma Lucia Rossato, Diretora Geral da Medley.

Como é o reaproveitamento?
O processo permite aproveitar totalmente os blisters que seriam descartados. Primeiro, tritura-se o blister, então, é adicionado ao composto outros componentes e depois produzidas as portas, batentes, guarnições e rodapés. O chamado “composto” tem alta durabilidade, e é resistente à água, cupins e fungos. Tudo isso com eficiência e responsabilidade ambiental.
“Esse tipo de parceria demonstra como a colaboração entre diferentes setores pode gerar soluções mais sustentáveis em meio às mudanças climáticas. Transformar resíduos em produtos úteis não apenas contribui para a preservação ambiental, mas também agrega valor à cadeia produtiva e promove a economia circular de maneira concreta”, conta Osni de Souza, responsável pela divisão de Parcerias e Gestão Ambiental da Unicomper.

Além do reaproveitamento das cartelas de medicamentos, a Medley desenvolve uma série de iniciativas voltadas à sustentabilidade fabril, alinhada às diretrizes da Sanofi que tem como meta global ser Carbono Zero até 2045, utilizando 100% de energia elétrica renovável para operar.
A unidade de genéricos também segue os princípios dos 3Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), garantindo que 80% dos resíduos gerados sejam recicláveis e mantendo suas operações sem destinar resíduos a aterros sanitários.

No dia a dia, a fábrica adota diversas práticas sustentáveis, como o descarte de medicamentos pós-consumo dos próprios colaboradores, o reaproveitamento externo de pallets e tambores/bombonas de 200 litros e a destinação adequada de bulas e cartuchos.
Também são realizadas ações como a coleta de pilhas e baterias, o uso de fitas adesivas sustentáveis e a substituição de solventes químicos por água nos processos produtivos. Além disso, os resíduos orgânicos gerados nas dependências da unidade passam por compostagem, contribuindo para a redução do impacto ambiental.
