- Publicidade -
desmatamento na Amazônia
Em sobrevoo de monitoramento de desmatamento na Amazônia no município de Lábrea, Amazonas, realizado em 26 de março de 2022, o Greenpeace identifica um desmatamento de 2.300 hectares de floresta pública não destinada na Gleba Federal Curuquetê. Foto: Christian Braga | Greenpeace

A Amazônia teve 3.988 km² desmatados nos seis primeiros meses de 2022, de acordo com o sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O desmatamento é o maior já registrado para esse período desde o início da série histórica em 2016 – praticamente o triplo do valor registrado em 2017 (1.332 km2).

- Publicidade -

É o quarto ano consecutivo com recordes de desmatamento no período.  O aumento em comparação aos primeiros seis meses de 2021 foi de 10,6%. O destaque ainda mais negativo fica com o Estado do Amazonas que pela primeira vez lidera a lista de estados que mais desmataram no primeiro semestre com 1.236 Km2, 30.9% do total, seguido pelo Pará com 1.105 Km2, 27,7% do total, seguido por Mato Grosso, com 845 Km2, 21,1% do total.

Mariana Napolitano, gerente de ciências do WWF-Brasil, afirma que o desmatamento da Amazônia no primeiro semestre de 2022 foi alarmante e coloca o bioma cada vez mais perto do ponto a partir do qual a floresta não conseguirá mais se sustentar, nem prover os serviços ambientais dos quais nosso país depende.

desmatamento na Amazônia
Em sobrevoo de monitoramento de desmatamento na Amazônia no município de Lábrea, Amazonas, realizado em 26 de março de 2022, o Greenpeace identifica um desmatamento de 2.300 hectares de floresta pública não destinada na Gleba Federal Curuquetê. Foto: Christian Braga | Greenpeace

“Quando perdemos floresta, colocamos em risco nosso futuro. A Amazônia é chave para a regulação das chuvas das quais dependem nossa agricultura, nosso abastecimento de água potável e a disponibilidade de hidroeletricidade. O roubo de terras públicas e o garimpo ilegal, que não geram riqueza ou qualidade de vida, está destruindo nosso futuro”, explica Mariana.

O primeiro semestre deste ano teve quatro meses com recordes de alertas de desmatamento o que é uma péssima notícia pois existe muita matéria orgânica morta e com o verão Amazônico começando, período mais quente, com menos chuva e mais seco do ano, todo esse material serve como combustível para as queimadas e incêndios florestais criminosos que assolam a região, adoecem os moradores e dizimam a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo.

- Publicidade -

“É mais um triste recorde para a floresta e seus povos. Esse número só confirma que o Governo Federal não tem capacidade, nem interesse, de combater toda essa destruição ambiental, seja por ação ou omissões o que vemos é uma escalada inaceitável da destruição da floresta e do massacre de seus povos e defensores”, declara Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.

O mês de junho também teve a pior marca da série histórica. Foram devastados 1.120 km2 no mês na Amazônia, 5% a mais que em junho de 2021 (1.061 km2). Os Estados mais desmatados em junho de 2022 foram o Amazonas (401 km2) e o Pará (381 km2).

desmatamento Amazônia
Vista aérea de um desmatamento na Amazônia para expansão pecuária, em Lábrea, Amazonas. Foto: © Victor Moriyama | Amazônia em Chamas

Desmatamento no Cerrado também cresceu

No Cerrado, foram desmatados 1.026 km2 só no mês de junho. O valor é mais que o dobro do registrado em 2021 (485 km2) e 2020 (427 km2), um aumento de 111,5% em comparação a junho do ano passado. Em junho de 2022, mais uma vez, os Estados mais devastados estão no MATOPIBA: Maranhão (400 km2) e Tocantins (193 km2).

- Publicidade -

No acumulado do ano, entre o início de janeiro e o fim de junho, foram devastados 3.638 km2 no Cerrado, o que representa um aumento de 44,5% em comparação aos seis primeiros meses de 2021, quando foram destruídos 2.518 km2.

Projetos de Lei podem piorar a situação

A conservação dos biomas brasileiros aumentar ainda mais, caso alguns Projetos de Lei sejam aprovados pelo Congresso, entre eles o PL 2633/2020, que anistia grileiros, e o PL 490/2007, que abre terras indígenas para atividades predatórias.

“Ao invés dos parlamentares estarem focados em conter os impactos da destruição da Amazônia sobre a população e o clima, no combate ao crime que avança na floresta, e que não só queima nossas riquezas naturais, mas também a imagem e a economia do país, eles tentam aprovar projetos que irão acelerar ainda mais o desmatamento, os conflitos no campo e a invasão de terras públicas”, finaliza Rômulo.

indígenas Brasília marco temporal
Foto: Marina Oliveira | CIMI