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Mudanças climáticas deixam dias mais longos, aponta estudo

Alteração da duração dos dias é causada por mudança na velocidade de rotação da Terra e pode afetar a navegação e a Internet

vista aérea da terra dia e noite
Foto: Carl Wang | Unsplash

A emergência climática que estamos enfrentando provoca não apenas o aquecimento do planeta e um número cada vez maior de eventos extremos, mas também está alterando a duração dos dias no planeta. É o que revela um novo estudo conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores.

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Os cientistas analisaram dados e modelos climáticos dos anos de 1900 a 2100 para investigar o impacto das mudanças climáticas na duração do dia.

Essa variação acontece porque à medida que a Terra esquenta, as camadas de gelo e geleiras localizadas nos polos do planeta derretem e a água resultante desse processo flui para a região do equador. Com essa mudança na distribuição da água, o planeta se torna mais plano nos polos e incha no meio e isso desacelera a rotação da Terra.

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antártida
Geleira na Antártida. Foto: Torsten Dederichs na Unsplash

“Podemos ver nosso impacto como humanos em todo o sistema da Terra, não apenas localmente, como o aumento da temperatura, mas realmente alterando a maneira como o planeta se move no espaço e gira”, disse o professor Benedikt Soja da ETH Zurich da Suíça, em entrevista ao jornal The Guardian.

A equipe de cientistas descobriu que o aumento do nível do mar provocado pela mudança climática tornou o dia mais longo de 0,3 para um milissegundo durante o século XX. No entanto, nas últimas duas décadas, esse um aumento subiu para 1,33 milissegundos por século, o que o relatório disse ser “significativamente maior do que em qualquer momento do século XX”.

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“Devido às nossas emissões de carbono, fizemos isso em apenas 100 ou 200 anos. Enquanto os processos anteriores estavam acontecendo há bilhões de anos – isso é alarmante”, completa o professor Benedikt Soja. Segundo a matéria do The Guardian, a atração gravitacional da Lua sobre a terra e os oceanos do planeta tem feito com que o dia da Terra se torne cada vez mais longo ao longo do tempo geológico.

vista aérea da Terra luzes
Foto: NASA | Unsplash

Apesar da alteração no tempo de um dia ser de alguns milissegundos, essa mudança tem o potencial de interferir em tecnologias que dependem de cronometragem exata, como navegação por GPS, transações financeiras e internet.

“Todos os datacenters que operam a internet, comunicações e transações financeiras, são baseados em tempo preciso. Também precisamos de um conhecimento preciso do tempo para navegação, e particularmente para satélites e naves espaciais”, explica Soja.

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Embora esta mudança na duração do dia possa ser imperceptível para os humanos, ela pode interferir em sistemas que dependem do tempo atômico, que é extremamente preciso e baseado na frequência de átomos específicos. O TAI (Tempo Atômico Internacional ou Temps Atomique International) é uma escala de tempo calculada pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) a partir da leitura de mais de 260 relógios atômicos localizados em institutos e observatórios de metrologia ao redor do mundo.

“Em apenas 200 anos, teremos alterado tanto o sistema climático da Terra que estamos testemunhando seu impacto na maneira como a Terra gira”, disse Surendra Adhikari, geofísico do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e um dos autores do relatório.

vista aérea da Terra
Foto: Javier Miranda | Unsplash

No entanto, o relatório revela que se a tendência de aquecimento dos mares e perda de gelo na Antártida e na Groenlândia continuar, os dias ficarão mais longos em um ritmo cada vez mais rápido.

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Se os humanos não reduzirem suas emissões, a crise climática pode levar a um alongamento de 2,62 milissegundos em um dia até o fim do século, tornando-se um fator mais significativo do que a lua.

“Este estudo é um grande avanço porque confirma que a preocupante perda de gelo que a Groenlândia e a Antártida estão sofrendo tem um impacto direto na duração do dia”, disse o Dr. Santiago Belda, da Universidade de Alicante.

O estudo, “O papel cada vez mais dominante das mudanças climáticas nas variações da duração do dia”, foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

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Com informações de The Guardian e EcoWatch