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Foto: Malcol Lightbody | Unsplash

Na véspera da Cúpula do Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, 101 ganhadores do Prêmio Nobel de diferentes disciplinas e regiões do mundo publicaram uma carta aberta em que apelam aos líderes globais para que mantenham os combustíveis fósseis debaixo da terra, de forma a avançar em um compromisso real com a ação climática.

Para ler a íntegra da carta, clique aqui. 

Entre os signatários da carta estão o 14º Dalai Lama, ganhador do Nobel da Paz em 1989, Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank e ganhador do Nobel da Paz em 2006, Rigoberta Menchú Tum, ativista pelos direitos humanos na Guatemala e ganhadora do Nobel da Paz em 1992, e Adolfo Pérez Esquivel, ativista argentino pelos direitos humanos e ganhador do Nobel da Paz em 1980.

“Agora é o momento para os chefes de Estado em todo o mundo se reunirem a serviço das pessoas e de nosso planeta, e usarem a Cúpula como uma plataforma de lançamento para um futuro melhor e mais limpo”, declara Leymah Gbowee (Libéria), vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2011 por seu trabalho pelos direitos da mulher.

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Ações climáticas mais ambiciosas salvariam milhões de vidas. Foto: Pixabay

Coordenada pela Iniciativa do Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis, com o apoio da 350.org e outras organizações da sociedade civil, a declaração conjunta dos ganhadores do Prêmio Nobel destaca a crise climática como a maior questão moral da atualidade.

“Os combustíveis fósseis são a principal causa das mudanças climáticas. Permitir a expansão contínua desse setor é inaceitável. O sistema de combustíveis fósseis é global e requer uma solução global – uma solução em que a Cúpula do Clima deve trabalhar. E o primeiro passo consiste em manter os combustíveis fósseis debaixo da terra.”

Os signatários reconhecem que os governos têm sido muito lentos para responder ao alerta de cientistas e movimentos populares quanto à importância e à urgência de ações pelo clima.

Nova era de ação climática

Com a representação de 17 grandes economias, responsáveis por 80% das emissões globais, a Cúpula do Clima pode marcar um momento decisivo para a cooperação global Norte-Sul na COP26, assim como um esforço dos Estados Unidos para colocar o clima novamente no centro de sua diplomacia.

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Imagem: Pixabay

A carta dos ganhadores do Prêmio Nobel expressa seu apelo aos líderes mundiais para que lancem um novo capítulo de cooperação internacional, que permita:

  • Acabar com a expansão da produção de petróleo, gás e carvão, em linha com os melhores dados científicos disponíveis, conforme definido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA);
  • Eliminar a produção existente de petróleo, gás e carvão de uma maneira justa e equitativa, considerando as responsabilidades dos países pelas mudanças climáticas, sua respectiva dependência de combustíveis fósseis e sua capacidade de transição;
  • Investir em um plano de transição que garanta 100% de acesso à energia renovável globalmente, apoie as economias dependentes para que diversifiquem sua produção e se afastem dos combustíveis fósseis e possibilite às pessoas e comunidades de todo o mundo prosperar por meio de uma transição global justa.

Veja o que dizem alguns dos signatários

“Os impactos das mudanças climáticas sobre comunidades, famílias e indivíduos são consideráveis. Como os combustíveis fósseis são responsáveis por 80% do aquecimento, os governos devem ser ousados e deter a expansão dos combustíveis fósseis em nome da segurança humana.”

Jody Williams (EUA), Prêmio Nobel da Paz de 1997 por seu trabalho pela proibição de minas terrestres

“Podemos construir um mundo onde os pobres não continuarão a ser esmagadoramente vitimados pelo aquecimento global. A tecnologia existe, o desejo das pessoas existe e o mundo espera que os chefes de Estado ajam”.

Muhammad Yunus (Bangladesh), Prêmio Nobel da Paz em 2006 por seu trabalho com microcrédito a famílias de baixa renda

“A paz é a existência de um ambiente onde as pessoas prosperam e têm suas necessidades atendidas no contexto de um planeta saudável. Em meio à nossa crise climática, essa paz está em risco, e o Sul Global, e as mulheres em particular, sentem os piores impactos”.

Leymah Gbowee (Libéria), Prêmio Nobel da Paz em 2011 por seu trabalho pelos direitos da mulher

“Vamos nos engajar novamente como uma comunidade global, uma comunidade motivada pela crença e convicção de que a crise climática pode ser resolvida. O fracasso não é uma opção”.

José Ramos-Horta (Timor Leste), Prêmio Nobel da Paz em 1996 por seu trabalho pela resolução de conflitos em seu país

“Os direitos humanos são um padrão universal. Muitos desses direitos, como o direito a boa saúde, alimentação nutritiva e meios de subsistência adequados, são prejudicados pelas mudanças climáticas e tornam ainda mais vulneráveis aqueles que já estavam em situação desfavorável”.

Shirin Ebadi (Irã), Prêmio Nobel da Paz em 2003 por seu trabalho pelos direitos humanos