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Com Escola Permacultural, jovens do RJ mudam seus bairros

Proposta de educação socioambiental ultrapassa os muros das escolas e desenvolve soluções para comunidades vulneráveis

escola permacultura
Evento Tira Caqui 2024 em Campo Grande (RJ). Foto: Bê Lima

Sair da rotina pedagógica tradicional e aprender fora da escola é uma realidade para os estudantes do ensino médio da escola CIE Miecimo da Silva, que fica no bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Duas vezes por semana, alunos e alunas têm aulas com a Escola Permacultural, programa de educação ambiental elaborado pelo Instituto Permacultura LAB.

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O projeto, que teve início em 2017, realiza um intercâmbio entre escolas e o território do entorno e capacita estudantes para desenvolver e implementar tecnologias sociais que auxiliem na resolução de problemas socioambientais.

Desde a criação do Instituto, que atua principalmente em regiões periféricas e expostas à vulnerabilidade, 46.355 pessoas já foram impactadas direta ou indiretamente, numa dinâmica que já abarcou mais de 35 bairros em cidades do Rio de Janeiro.

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Evento Tira Caqui 2024 em Campo Grande (RJ). Foto: Bê Lima

Com uma base teórica fundamentada na educação ambiental crítica e na proposta pedagógica de educação libertadora de Paulo Freire, estudantes trocam conhecimentos com as lideranças do território atendido e com educadores ambientais. Com estes saberes, os jovens entendem os diferentes contextos e encontram maneiras de levar o que aprendem em sala de aula para ações práticas nas comunidades.

As aulas práticas são experiências fora de sala e que permitem uma conexão entre a vivência, a experimentação e o que é explicado em teoria. Já as saídas de campo proporcionam contato com o território e com a aplicação prática de novas possibilidades de existir no mundo.

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Evento Tira Caqui 2024 em Campo Grande (RJ). Foto: Bê Lima

“A educação não pode se limitar apenas à educação formal, onde conteúdos didáticos abordados nos vestibulares tradicionais, por exemplo, são trabalhados. Ela tem o dever de formar cidadãos atuantes e críticos, capazes de promover mudanças profundas na sociedade, a fim de aumentar a qualidade de vida das pessoas, principalmente aquelas que são afetadas pela desigualdade social e preconceito”, pondera Ana Coimbra, Coordenadora Pedagógica do projeto.

Ana reforça que o programa educacional da Escola Permacultural une temáticas das disciplinas de biologia, física, química, história e sociologia e as integra aos saberes e práticas da agroecologia e educação ambiental de maneira transdisciplinar. A metodologia foi desenvolvida especificamente para o ambiente escolar com o objetivo de incentivar a reflexão e autonomia dos estudantes.

Dentre as trocas mais interessantes geradas no decorrer do aprendizado verde pelo olhar dos alunos, estão os debates e as rodas de conversa que estimulam o reconhecimento do outro e o diálogo e a liberdade para se expressar.

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Evento Tira Caqui 2024 em Campo Grande (RJ). Foto: Bê Lima

Impacto positivo ampliado

O projeto acontece em um bairro que possui um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade do Rio de Janeiro. A população local não tem acesso à educação de qualidade, é ameaçada pela insegurança alimentar, não tem áreas verdes disponíveis e o modelo local de produção agrícola é extremamente prejudicial à saúde da população e ao meio ambiente.

A adesão ao projeto e seu conteúdo tem rendido frutos saborosos. Os educadores vêm acompanhando relatos de ex-estudantes que implementaram as técnicas aprendidas como a compostagem e manejo de horta dentro de suas próprias casas, onde o compartilhamento desses saberes foi, ainda, um momento de reconexão com familiares como mães e avós, que também mantinham uma relação com o cultivo de alimentos.

escola permacultura colheita caqui
Evento Tira Caqui 2024 em Campo Grande (RJ). Foto: Bê Lima

“Entramos com o projeto oferecendo a capacitação destes estudantes, envolvendo-os em atividades práticas nas quais aprendem a desenvolver tecnologias sociais e aulas teóricas, discutindo temas ligados ao meio ambiente, saúde e desigualdade social. Ao longo do ano realizamos cinco saídas de campo para visitar propriedades de agricultores agroecológicos do território. A educação é central para o desenvolvimento das soluções, pois os estudantes serão convidados a desenvolver soluções eficientes para os problemas apresentados mapeados durante as atividades do projeto”, endossa Clara Trevia, Coordenadora Geral do projeto.

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Evento Tira Caqui 2024 em Campo Grande (RJ). Foto: Bê Lima

“Em 2020, uma estudante da edição do projeto em Santa Cruz entrou em contato buscando ajuda para implementar um projeto em uma comunidade de Gramacho, em Caxias. Após constatar que a localidade tinha problemas com o abastecimento de água, essa ex-estudante da Escola Permacultural idealizou e implementou um sistema de captação de água da chuva para a comunidade – já com planos de desenvolver uma horta comunitária que seria irrigada com a água coletada. A ideia também abarcava a construção de uma composteira para adubar a horta”, finaliza Juliana Menezes, Educadora Ambiental do projeto.