Por ACNUR

“Nossa casa está em chamas — vamos agir de acordo.” É dessa forma que a jovem ativista Greta Thunberg ilustra a crise climática global, que pode ser a luta de nossas vidas. Afinal, é uma luta que, se perdida, pode nos custar tudo.

E ninguém conhece os riscos e a realidade de se perder tudo melhor do que um refugiado. Para aqueles que fugiram por conta da guerra, violência e perseguição, a ameaça iminente das mudanças do clima já é real.

Assim como as lideranças e ativistas climáticos que se encontraram em Nova Iorque para a Cúpula de Ação do Clima, muitos refugiados já se conscientizaram de que não é preciso ser um chefe de estado para entrar nessa luta.

Conheça oito refugiados que estão ativamente engajados nessa luta global, tomando ações concretas para combater os efeitos adversos das mudanças climáticas. A matéria é da Agência da ONU para Refugiados.

Céline, Empreendedora

Céline Semaan fugiu da guerra no Líbano. Foto: Slow Factory | Direly Carter.

Céline Semaan é a fundadora de um laboratório de design que está lutando para colocar a sustentabilidade ambiental no coração da indústria da moda – e além.

Ela é também uma ex-refugiada, cujas primeiras memórias são a sua fuga da guerra que devastou o Líbano quando ela tinha por volta de três anos de idade.

Como estilista, Céline tem um profundo senso de responsabilidade em criar itens bonitos e produzidos eticamente – um sentimento impulsionado por sua experiência como refugiada, pois sabe com que facilidade as coisas podem se tornar tiranas.

E o futuro? Céline está abrindo uma instalação industrial que transformará resíduos de plástico e resíduo têxtil em novos materiais.

Omar, Líder da Juventude Sudanesa no Egito

Omar é refugiado sudanês no Egito. Foto: ACNUR | Pedro Gomes.

Omar é um dos 50 refugiados que trabalham para combater a poluição plástica do rio Nilo. Voluntariando-se ao lado de 800 egípicios locais, refugiados de cinco países ajudam a remover plásticos de ilhas flutuantes que se acumularam nas margens do Nilo, no centro do Cairo. Em apenas um dia, os voluntários já removeram 11,5 toneladas de lixo.

Como fundador de um grupo de jovens que ajuda outros refugiados sudaneses a se integrarem às comunidades locais, Omar espera que seu voluntariado mude a percepção negativa que alguns locais têm dos refugiados.

“Hoje, os voluntários egípcios voltam para casa e dizem aos pais que refugiados de diferentes comunidades os ajudaram a limpar o Nilo, e isso mudará sua compreensão de nós para melhor”, contou.

Gharam, funcionária ecológica no Líbano

Gharam é refugiada síria no Líbano. Foto: ACNUR | Houssam Hariri.

Gharam é uma das primeiras refugiadas recicladoras contratadas para enfrentar a crise de lixo que assola o Líbano desde 2015.

A viúva síria conseguiu seu primeiro emprego remunerado no Recycle Beirut, um projeto inovador que visa reduzir os transbordantes aterros sanitários de Beirute e, ao mesmo tempo, oferecer trabalho decente aos refugiados sírios que estão em situação de vulnerabilidade.

Para Gharam, esse trabalho ecológico é mais do que apenas um meio de pagar o aluguel. “Eles estão com uma crise de resíduos agora e estamos ajudando-os”, relatou.

Como lar de mais de um milhão de refugiados sírios registrados, o Líbano abriga mais refugiados per capita do que qualquer outro país do mundo.

Abraham, campeão em plantar árvores

Abraham Bidal é refugiado sul-sudanês em Uganda. Foto: ACNUR | Michele Sibiloni.

Ele não conseguiu parar a guerra da qual fugiu, mas Abraham Bidal e seus companheiros refugiados podem plantar árvores e cuidar da terra que os acolheu.

Abraham é agora um defensor do plantio de árvores em Uganda, promovendo um movimento para conservar o meio ambiente em seu novo país.

“Plantar árvores é importante porque as árvores são vida. Se um dia voltarmos ao Sudão do Sul, podemos deixar este lugar como o encontramos”, contou.

O ACNUR está trabalhando com o governo de Uganda para plantar 8,4 milhões de mudas de árvores em 2019 e restaurar centenas de hectares de árvores em reservas e plantações.

Annick, Empreendedora de Energia Limpa

Annick, do Burundi, é refugiada em Ruanda. Foto: ACNUR | Anthony Karumba.

Kigali, em Ruanda, é conhecida como uma das cidades mais limpas e verdes da África – e refugiados como Annick estão ajudando a manter as coisas assim.

A empresária do Burundi, Annick, ganha a vida vendendo gás de energia limpa ou gás de petróleo líquido, e os negócios estão crescendo.

Annick não é apenas financeiramente independente e uma empreendedora de sucesso. Ela também está impulsionando a economia local ao criar empregos ecologicamente corretos. Esta é uma situação em que todos saem ganhando – refugiados, Ruanda e o meio ambiente.

Teteh, Inovador de Abrigos no Deserto

Teteh, jovem refugiado saharaui na Argélia. Foto: ACNUR | Russell Fraser.

Conheça Teteh, um jovem refugiado que projeta e constrói abrigos com garrafas de plástico descartadas para os refugiados mais vulneráveis que vivem no deserto do sudoeste da Argélia.

Graças ao seu mestrado em eficiência energética e seu espírito inovador, Teteh provou que os seus abrigos duráveis são uma alternativa mais forte e sustentável às fortes chuvas e às fortes tempestades de areia no clima severo do deserto, onde dezenas de milhares de refugiados saharauis vivem há cerca de 40 anos.

Refugiados Rohingya e a tecnologia verde

Refugiada Rohingya em Bangladesh. Foto: ACNUR | Kamrul Hasan

Nos dois anos desde que cerca de 740.000 refugiados da etnia rohingya fugiram de uma violência indescritível em Mianmar, vários deles assumiram papéis-chave na resposta humanitária.

No centro deste trabalho estão os principais esforços para compensar os danos ambientais por meio da inovação e da tecnologia não poluente.

Desde projetos agrícolas liderados por refugiados que combatem os efeitos do desmatamento e da erosão, a sistemas de água potável movidos à energia solar que reduzem custos e emissões de energia, esses refugiados estão liderando iniciativas que visam promover uma mudança humanitária que se utiliza do uso de tecnologia verde.

Abdullah, supervisor de energia solar

Abdullah, refugiado sírio na Jordânia. Foto: ACNUR | Lilly Carlisle.

Na Síria, Abdullah podia confortavelmente sustentar sua crescente família como eletricista. Agora, como refugiado na Jordânia, esse pai de cinco crianças usa suas habilidades como supervisor na usina de energia solar em Azraq, o primeiro campo de refugiados de energia limpa do mundo.

Abdullah pode sustentar sua família com dignidade, sabendo que sua expertise em energia renovável colabora com o planeta e também ajuda seus companheiros sírios a iluminar suas casas, carregar seus telefones e refrigerar suas comidas.

No campo de refugiados ao lado, Za’atari, a maior usina solar já construída em um campo de refugiados está fornecendo energia limpa e necessária para 80.000 refugiados sírios – enquanto reduz as emissões anuais de dióxido de carbono do campo em 13.000 toneladas, o equivalente a 30.000 barris de petróleo.