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Treinar hoje pode melhorar sua memória na próxima semana

Estudo raro aponta como nossos hábitos moldam o cérebro

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Foto: Bruno Nascimento | Unsplash

Segunda-feira é o dia oficial de mudanças de hábitos. Dormir mais cedo, alimentar-se de forma mais saudável, começar a se exercitar. Mudar um hábito nunca é fácil, mas observar os efeitos positivos de uma mudança traz o gás necessário para continuar. Um novo estudo finlandes buscou justamente entender como os efeitos cotidianos do sono, exercícios, frequência cardíaca e humor — tanto bons quanto ruins — podem permanecer em nossos cérebros por mais de duas semanas.

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Trata-se de um estudo raro, pois envolve o monitoramento detalhado ao longo de dias e semanas. Pesquisadores da Universidade Aalto e da Universidade de Oulu, ambas na Finlândia, acompanharam a atividade cerebral e comportamental de uma pessoa por cinco meses usando exames cerebrais e dados de dispositivos vestíveis e smartphones.

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Foto: Ginny Rose Stewart | Unsplash

A líder da pesquisa Ana Triana afirma que quer ir além de eventos isolados, o que é comum de se encontrar em estudos anteriores. “Nosso comportamento e estados mentais são constantemente moldados por nosso ambiente e experiências. No entanto, sabemos pouco sobre a resposta da conectividade funcional do cérebro a mudanças ambientais, fisiológicas e comportamentais em diferentes escalas de tempo, de dias a meses”, diz Ana.

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O estudo descobriu que nossos cérebros não respondem à vida diária em explosões imediatas e isoladas. Em vez disso, a atividade cerebral evolui em resposta aos padrões de sono, atividade física, humor e frequência respiratória ao longo de muitos dias. Isso sugere que mesmo um treino ou uma noite agitada da semana passada ainda pode afetar seu cérebro — e, portanto, sua atenção, cognição e memória — até a próxima semana.

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Foto: Sander Sammy | Unsplash

A pesquisa também revelou uma forte ligação entre a variabilidade da frequência cardíaca e a conectividade cerebral, particularmente durante o repouso. Isso sugere que impactos na resposta de relaxamento do nosso corpo, como técnicas de gerenciamento de estresse, podem moldar a fiação do nosso cérebro mesmo quando não estamos nos concentrando ativamente em uma tarefa.

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A atividade física também pode influenciar positivamente a maneira como as regiões do cérebro interagem, potencialmente impactando a memória e a flexibilidade cognitiva. Mesmo mudanças sutis no humor e na frequência cardíaca deixaram marcas duradouras por até quinze dias.

Particularidades do estudo finlândes

Ana Triana ressalta que “nossos cérebros não funcionam isoladamente”. Por isso, para ir além das “varreduras cerebrais” e auxiliar no monitoramento cerebral detalhado, o uso da chamada “tecnologia vestível”, no caso um relógio, foi fundamental.

Outro fator incomum da pesquisa é que a própria Ana foi o sujeito da pesquisa. Autora principal e participante do estudo acrescentou complexidade, mas também culminou em insights sobre a melhor forma de manter a integridade da pesquisa ao longo de vários meses de coleta de dados personalizados.

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Ana Triana foi monitorada enquanto seguia com sua vida diária. | Foto: Matti Ahlgren

“No começo, era emocionante e um pouco estressante. Então, a rotina se instala e você esquece”, diz Triana. Dados dos dispositivos e exames cerebrais duas vezes por semana foram complementados por dados qualitativos de pesquisas de humor.

Desta forma, foram identificados dois padrões de resposta distintos durante o estudo: uma onda de curto prazo com duração inferior a sete dias e uma onda de longo prazo de até quinze dias. A primeira reflete adaptações rápidas, como a forma como o foco é impactado pelo sono ruim, mas se recupera rapidamente. A onda longa sugere efeitos mais graduais e duradouros, particularmente em áreas ligadas à atenção e à memória.

“Devemos trazer dados da vida diária para o laboratório para ver o quadro completo de como nossos hábitos moldam o cérebro, mas pesquisas podem ser cansativas e imprecisas”, diz o coautor do estudo, neurocientista e médico Dr. Nick Hayward. “Combinar fisiologia simultânea com exames cerebrais repetidos em uma pessoa é crucial. Nossa abordagem dá contexto à neurociência e fornece detalhes muito finos para nossa compreensão do cérebro”, complementa.

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Foto: Enrico Glerean

Segundo os pesquisadores, rastrear mudanças cerebrais em tempo real ainda pode ajudar a detectar distúrbios neurológicos precocemente, especialmente condições de saúde mental onde sinais sutis podem ser perdidos.

“Vincular a atividade cerebral a dados fisiológicos e ambientais pode revolucionar os cuidados de saúde personalizados, abrindo portas para intervenções mais precoces e melhores resultados”, diz Triana. Os resultados foram publicados na PLOS Biology.

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