O Parlamento irlandês aprovou no início de julho uma lei que obriga o país a se desfazer de seus investimentos em empresas de combustíveis fósseis. Aprovada com apoio de todos os partidos na câmara baixa (equivalente à Câmara dos Deputados), a Lei de Desinvestimento em Combustíveis Fósseis torna a Irlanda o primeiro país do mundo a se comprometer com a retirada de dinheiro público investido em empresas de petróleo, carvão e gás – indústrias que estão contribuindo para as mudanças climáticas.

A lei vai obrigar o Fundo de Investimento Estratégico da Irlanda (ISIF) a vender seus investimentos na indústria de combustíveis fósseis global, que em junho de 2017, estavam na casa dos € 318 milhões distribuídos em 150 empresas em todo o mundo. Ela resulta de mais de dois anos de trabalho do deputado Thomas Pringle, da ONG Trócaire. Além de outros grupos da sociedade civil, ativistas e estudantes, e da Rede Global de Ação Legal (GLAN).

“Os governos não cumprirão suas obrigações sob o Acordo de Paris se continuarem a sustentar a indústria de combustíveis fósseis. Países de todo o mundo devem agora seguir com urgência a liderança e o desinvestimento da Irlanda dos combustíveis fósseis”, afirmou Gerry Liston, diretor jurídico da GLAN, que redigiu o projeto.

Já para Éamonn Meehan, diretor executivo da ONG Trócaire, o projeto é necessário porque “vai impedir que o dinheiro público seja investido contra o interesse público”. Além disso, “envia um sinal claro nacional e globalmente de que a ação sobre a crise climática precisa ser acelerada urgentemente, começando com a eliminação dos combustíveis fósseis”, declarou.

Do ambiental para o social

Meehan ainda falou sobre a relação entre as questões ambientais e o impacto social nas comunidades. Segundo ele, “a mudança climática é um dos principais propulsores da pobreza e da fome no mundo em desenvolvimento”. E ainda mais, as “secas prolongadas, inundações e tempestades já contribuíram para a morte de centenas de milhares de pessoas, com milhões a mais enfrentando a fome e precisando de ajuda urgente apenas para sobreviver”.

Irlanda tá “mal falada”

“A Irlanda ganhou uma reputação internacional nos últimos anos como uma ‘retardatário do clima’ e no mês passado foi classificada como o segundo pior país da Europa para a ação climática, então a passagem desta lei é uma boa notícia, mas tem também que indicar uma mudança significativa de ritmo sobre o assunto”, disse ainda o diretor executivo da ONG Trócaire. “Esperamos que esta importante legislação passe rapidamente pelo senado e seja promulgada antes do final do ano. Devemos fazer tudo o que pudermos para evitar que as mudanças climáticas revertam as décadas de progresso na redução da pobreza em todo o mundo”, concluiu.