O grupo hoteleiro AccorHotels criou um programa para estimular os hóspedes a reutilizarem suas toalhas em estadias maiores que uma diária. Ao reutilizar as toalhas, os hotéis alcançam uma economia significativa, e 50% do valor arrecadado é revertido para o reflorestamento de diferentes regiões no mundo. Desde 2009, foram plantadas mais de 5 milhões de mudas no mundo com o projeto, e o objetivo do grupo é atingir a marca de 10 milhões até 2021.

No Brasil, o programa Plant for the Planet já recuperou 332 hectares – equivalente a 442 campos de futebol – na região da Serra da Canastra, em Minas Gerais. O projeto é viabilizado por uma parceria com a ONG Nordesta e beneficia diretamente 71 produtores locais da região, com a preservação de mais de 241 nascentes.

Segundo Claiton Majela, engenheiro ambiental da Nordesta, a escolha do local para o programa de reflorestamento não foi aleatória. “A Canastra é conhecida por ser a caixa d’água do Brasil e até mesmo da América Latina. Nesta região existem três bacias hidrográficas: a do Rio Grande, do Rio Paranaíba e do Rio São Francisco. A recuperação das nascentes garante um fluxo de água para toda a população que faz uso desse recurso.”

Canyon do lago de Furnas, na Serra da Canastra. | Foto: Marcelo Loducca

Além de fatores climáticos, o desmatamento causado pela agricultura e pecuária são os principais causadores do assoreamento de nascentes. “Quando a nascente está desprotegida e sem vegetação nativa, ocorre a erosão e compactação deste solo. O gado também piora o cenário, pois pisoteia o solo, causando o assoreamento da nascente”, disse o engenheiro ambiental ao CicloVivo.

Restaurando nascentes

O produtor rural Giovani Macedo aderiu ao programa em 2013. Uma parte da Área de Proteção Permanente (APP) de seu terreno, na cabeceira da Bacia do Rio São Francisco, abriga uma nascente. Com o desmatamento feito pelo antigo proprietário, a nascente acabou secando. “Não tinha nada aqui, o ex-dono desmatou tudo. Quando eu comprei recuperei esta área junto com o projeto e com a ajuda dos meus vizinhos, José e Marcelo Gazzotti”, relata Macedo.

Da esquerda para a direita: Giovani Macedo, Marcelo Gazzotti e José Gazzotti. | Foto: Divulgação

A área da APP foi isolada e centenas de mudas de espécies nativas, provenientes do viveiro da Nordesta, foram plantadas para restaurar o ecossistema. Os vizinhos ficaram responsáveis pela manutenção e manejo. Cinco anos depois, as árvores já alcançam mais de três metros de altura, suas copas sombreiam todo o solo. Aos poucos, a nascente dá sinal de vida. “Há 7 anos atrás, a água jorrava aqui deste solo. A nossa esperança é que ela volte,” disse o produtor rural.

Os benefícios econômicos se somam aos ecológicos, uma vez que o plantio das árvores recuperam não só as nascentes, mas também áreas de recarga de lençóis freáticos. Além disso, as árvores melhoram os rendimentos das culturas já plantadas, a qualidade da colheita, a recuperação da fauna e flora, a prevenção de processos erosivos, a diminuição do assoreamento de rios e lagos e a melhoria da qualidade das águas e do clima, ao mesmo tempo em que proporcionam aos agricultores recursos adicionais, como a venda de biomassa e frutas.

Região de nascente preservada. | Foto: Divulgação

“A cultura anterior queria cortar todas as árvores e explorar ao máximo suas propriedades. Então, o nosso trabalho foi de tentar reverter a mentalidade da população primeiramente. Tivemos que ir até o produtor rural e conversar sobre a importância das matas ciliares, era preciso convencê-los sobre os seus inúmeros benefícios. Porém, após os resultados e com a grande seca que acometeu a região, aumentou muito a procura de proprietários disponibilizando áreas para o plantio. Hoje temos até uma lista de espera”, disse Neusa Gauvão, diretora da ONG Nordesta.

Plant for the Planet nos hotéis

Os colaboradores que atuam na área de governança dos hotéis, incentivam os hóspedes a reutilizarem as toalhas em prol da causa. Cada hotel possui a responsabilidade de comunicar aos clientes sobre o programa e transmitir o quão importante é ajudar o meio ambiente. Como forma de reconhecer estes colaboradores, a empresa leva todos os anos um grupo de representantes de hotéis da América Latina para conhecer o programa na região da Canastra.

Representantes de hotéis da América Latina conhecendo o projeto de perto. | Foto: Divulgação

Este ano, os 30 colaboradores que estiveram presentes plantaram mudas e puderam interagir com alguns produtores locais beneficiados pelo reflorestamento, “Conhecer as áreas recuperadas me causou uma emoção muito grande em ver quão significante é nosso trabalho em incentivar o reuso das toalhas”, revela Edvaldo Batista, colaborador de um dos hotéis do grupo.

Confira as fotos do projeto:

*Mayra Rosa viajou para a Serra da Canastra a convite da AccorHotels.

Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.