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Acordo sobre caça às baleias fracassou

As decisões do que seria feito com a caça às baleias, o sistema de cotas, a regularização, a moratória e toda essa discussão foram adiadas para o ano que vem. “A proposta que estava em cima da mesa morreu”, disse o comissário alemão Gert Lindem.

23 de junho de 2010 • Atualizado às 13 : 05

Acordo sobre caça às baleias fracassou
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Reunidos desde segunda-feira a portas fechadas, em Agadir, as delegações dos 74 países (representados em 88 membros) discutiam sobre o futuro da caça as baleias no Conselho Baleeiro Internacional (CBI)

As decisões do que seria feito com a caça às baleias, o sistema de cotas, a regularização, a moratória e toda essa discussão foram adiadas para a 63ª edição do CBI. “A proposta que estava em cima da mesa morreu”, disse o comissário alemão Gert Lindemann, durante a assembléia plenária.

Uma das principais propostas de consenso que estava em cima da mesa visava, entre outras coisas, manter a moratória, mas limitando a caça aos países que atualmente capturam baleias. Os três países que mais caçam baleias (Japão, Islândia e Noruega) capturaram mais de 1500 baleias em 2009, sendo que mais 1000 foram capturadas pela frota nipônica. Apesar da moratória,que está em vigor desde 1986, esses países continuam a caça argumentando que não são obrigados a cumprir a proibição, apesar da condenação internacional.

Alguns delegados afirmaram que as negociações fracassaram porque o Japão se recusou deixar de caçar no Oceano da Antártida, onde quatro quintos de todas as baleias se vão alimentar, mesmo tendo aceitado reduzir o número de baleias mortas anualmente.

Um representante japonês disse à agência Reuters que o Japão não teve culpa. Os Estados Unidos lamentaram a “incapacidade de adotar um novo paradigma” enquanto o Brasil considerou uma “falta de maturidade política”.

"Estou muito satisfeito pelo fato de que, nesta manhã, ficou claro e confirmado que a comissão não vai explorar a perspectiva de caça comercial de baleias no futuro", disse o ministro do Meio Ambiente australiano Peter Garrett.

Para o neozelandês Geoffrey Palmer, a origem do problema está na própria identidade do CBI: "Há 20 anos que a própria CBI é motivo de divergência entre nós: será um organismo de conservação das baleias ou um tratado de caça? Poderá esta convenção associar os dois pontos de vista?(…). Se não mudarmos esta organização nos próximos anos, as consequências serão fatais para a CBI. E ainda mais para as baleias".

O Brasil e a Nova Zelândia sugeriram “uma pausa, um período de reflexão para um regresso mais vigoroso para o próximo ano”.

A CBI vai continuar reunida em Agadir até sexta-feira. Hoje concentra-se sobre o futuro da Comissão.

Fonte: Estadão

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