- Publicidade -

Moda circular: marcas podem lucrar sem fazer novas peças

Iniciativa da Fundação Ellen MacArthur para criar modelos de negócios circulares já tem participação de gigantes como H&M Group e Primark

calça jeans
Foto: iStock

A indústria da moda tem um impacto ambiental enorme que vai desde a extração de matérias primas, passando pelo processo de produção que usa muita água até o descarte de quantidades absurdas de peças, com a famosa “montanha de roupas” no deserto do Atacam, no Chile, sendo visível do espaço. Mas, existem caminhos para tornar o setor mais sustentável – e circular! É esse o objetivo da nova iniciativa da Fundação Ellen MacArthur: o Fashion ReModel.

- Publicidade -

O projeto tem como objetivo impulsionar a adoção de modelos de negócios circulares para que o lucro das empresas não dependa de matérias-primas virgens para a confecção de novas peças, mas sim da circulação das peças que já foram criadas no mercado. A iniciativa vai envolver grupos de líderes da indústria da moda, de marcas populares à alta costura, que vão apoiar a Fundação no desenvolvimento de soluções para superar os desafios e implementar estes modelos.

“O Fashion ReModel surge como uma forma de acelerar a transformação da atual economia linear para uma economia circular. Sem essa transformação, a reincorporação de materiais na cadeia é simplesmente uma solução temporária para o problema global de resíduos têxteis. Atualmente, mais de 80% dos têxteis quando são descartados, acabam incinerados, aterrados ou vão parar no meio ambiente, independentemente de ainda estarem ou não em condições de uso”, explica Guilherme Suertegaray, gerente responsável pelo relacionamento da Fundação Ellen MacArthur com grandes empresas latino-americanas.

- Publicidade -

Atualmente, existem quatro modelos de negócios circulares principais, voltados para o cliente: reparo, aluguel, revenda e refabricação. Esses modelos mantêm os produtos em uso na economia e têm o potencial de dissociar os fluxos de receita da produção e do uso de recursos, evitando grandes quantidades e emissões de gases de efeito estufa.

Além disso, os modelos de negócio circulares para a moda, que hoje representam 3,5% do mercado global do setor, têm o potencial de chegar a 23% até 2030, o que representa uma oportunidade de US$ 700 bilhões. 

- Publicidade -
desfile de moda no Atacama
Modelo posa na montanha de roupas descartadas no lixão do Atacama, no Chile: mais de 59 mil toneladas de peças vindas em grande parte da indústria fast fashion. Foto: Mauricio Nahas

Dentre as primeiras empresas que aceitaram o desafio de ampliar o percentual da sua receita que vêm de modelos de negócio circulares estão gigantes da indústria: H&M Group, Primark, Arc’teryx, ARKET, COS, Weekday, Reformation e Zalando. Como parte da participação na rede da Fundação Ellen MacArthur, essas empresas tiveram a oportunidade de entrar para a iniciativa e receberão o apoio e orientação da fundação durante a sua jornada.

Moda brasileira

Grandes empresas brasileiras interessadas em acelerar a sua transição para a economia circular também podem se juntar à rede da Fundação Ellen MacArthur e participar da iniciativa.

“Aproveitar o potencial inovador e criativo da indústria da moda é essencial para que exista uma mudança na forma como ela faz dinheiro, dissociando o lucro da produção, e criando um futuro mais próspero e resiliente”, reforça Guilherme Suertegaray.

- Publicidade -
calças jeans
Foto: Waldemar | Unsplash

Elaborado em consulta com mais de 150 organizações do setor da moda, incluindo marcas, varejistas, ONGs, acadêmicos e inovadores, o Fashion ReModel é sustentado por um documento de Orientação Técnica com um conjunto compartilhado de princípios, atuando como um ponto de entrada para que as organizações e o setor se alinhem aos esforços para manter os produtos em uso por meio de modelos de negócios circulares.

Essa nova iniciativa chega após a conclusão de outro projeto da Fundação, o The Jeans Redesign, que esteve em vigor de 2019 a 2023, e tinha como objetivo demonstrar como os jeans, especificamente, podem ser projetados e fabricados para uma economia circular. Agora, o desafio das empresas se torna outro: criar modelos de negócio circulares sólidos, que gerem receita sem depender da produção de novas peças.

- Publicidade -
assinantes
Nossa campanha de assinaturas está no site: https://benfeitoria.com/projeto/ciclovivo