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Cientistas usam método que transforma plástico em vapor

Novo processo de reciclagem degrada eficientemente sobretudo polietileno e polipropileno

reciclagem plástico
O estudante de pós-graduação RJ Conk ajusta uma câmara de reação na qual plásticos mistos são degradados. | Foto: Robert Sanders | Universidade da Califórnia em Berkeley

Estima-se que cerca de oito milhões de toneladas de plásticos entrem no oceano anualmente, afetando a vida marinha e entrando na cadeia alimentar humana. Além disso, o plástico já está presente no ar, na água, no solo e nos órgãos humanos. Diversas organizações ambientais apontam que a reciclagem não resolve o problema como um todo, mas é importante para reduzir a poluição. Acontece que a reciclagem global é de ​​apenas 9% do plástico produzido, segundo a ONG Center for Climate Integrity, o que, é consequência de diversas escolhas e desafios. Um novo método, entretanto, promete melhorar significativamente a reciclagem de plástico.

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Descoberto por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), o processo transforma resíduos plásticos em vapor para a fabricação de novos plásticos. A técnica é eficaz tanto com polietileno, presente na maioria das sacolas plásticas de uso único, quanto com polipropileno, material mais rígido usado em itens como potes, frascos de iogurte e seringas descartáveis, por exemplo. O método também é eficiente na degradação de misturas desses plásticos.

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Os químicos John Hartwig e RJ Conk. | Foto: Robert Sanders | Universidade da Califórnia em Berkeley

Para os cientistas, se ampliado, o novo processo poderia ajudar a trazer uma economia circular para muitos plásticos descartáveis. Com os resíduos plásticos convertidos de volta em monômeros usados ​​para fazer polímeros, seria reduzida a dependência de petróleo para a produção de novos plásticos e, consequentemente, diminuiria as emissões de gases de efeito estufa.

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Ainda segundo os pesquisadores, garrafas plásticas transparentes de água feitas de polietileno tetraftalato (a famosa garrafa PET), foram projetadas na década de 80 para serem recicladas dessa forma, porém o volume atual de polietileno e polipropileno, chamados de poliolefinas, é infinitamente maior.

“Temos uma quantidade enorme de polietileno e polipropileno em objetos cotidianos, de lancheiras a garrafas de sabão em pó e frascos de leite — muito do que está ao nosso redor é feito dessas poliolefinas”, diz John Hartwig, professor de química da UC Berkeley que liderou a pesquisa.

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O tamanho do problema

Os plásticos de polietileno e polipropileno representam aproximadamente dois terços dos resíduos plásticos pós-consumo globalmente. Infelizmente, cerca de 80% desses plásticos acabam em aterros sanitários, são incinerados ou descartados de maneira inadequada, frequentemente se fragmentando em microplásticos. O restante é reciclado em produtos de baixo valor, como decks, vasos de flores e utensílios descartáveis.

Para enfrentar esse problema, pesquisadores têm explorado métodos para transformar plásticos reciclados em materiais de maior valor, como monômeros, que podem ser polimerizados para criar novos plásticos. O processo, defendem, promoveria a economia circular.

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Exemplos dos tipos de plásticos que o novo processo pode manipular. Da esquerda para a direita, um jarro feito de polietileno de alta densidade, um tubo de ensaio de polipropileno e um saco de pão de polietileno de baixa densidade. Os números abaixo de cada imagem são o rendimento percentual de monômeros que podem ser usados ​​para fazer novos polímeros plásticos. | Fotos dos pesquisadores.

No centro deste processo químico, está o uso de catalisadores sólidos, mais baratos e duráveis. Catalisadores metálicos (caros e solúveis) foram substituídos por um catalisador de sódio em alumina e outro de óxido de tungstênio em sílica.

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“Os dois catalisadores juntos transformaram uma mistura quase igual de polietileno e polipropileno em propileno e isobutileno — ambos gases em temperatura ambiente — com uma eficiência de quase 90%. Para polietileno ou polipropileno sozinhos, o rendimento foi ainda maior”, explica a UC Berkeley em comunicado à imprensa.

Conk adicionou aditivos plásticos e diferentes tipos de plásticos à câmara de reação para ver como as reações catalíticas eram afetadas por contaminantes. Pequenas quantidades dessas impurezas mal afetaram a eficiência de conversão, mas pequenas quantidades de PET e cloreto de polivinila — PVC — reduziram significativamente a eficiência. Isso pode não ser um problema, no entanto, porque os métodos de reciclagem já separam os plásticos por tipo.

Ainda foram testados aditivos plásticos e diferentes tipos de plásticos na câmara de reação, descobrindo que pequenas quantidades de impurezas não afetaram significativamente a eficiência. No entanto, a presença de PET e cloreto de polivinila (PVC) reduziu a eficiência de conversão de forma significativa.

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Para John Hartwig, embora muitos pesquisadores visem redesenhar os plásticos para facilitar sua reutilização, os plásticos difíceis de reciclar continuarão a ser um problema nos próximos anos.

“Pode-se argumentar que deveríamos eliminar o polietileno e o polipropileno em favor de materiais circulares. Mas o mundo não fará isso por décadas e décadas. As poliolefinas são baratas e têm boas propriedades, tornando-as amplamente utilizadas”, pontua Hartwig. “As pessoas dizem que se pudéssemos descobrir uma maneira de torná-las circulares, seria um grande negócio, e foi isso que fizemos. Agora é possível imaginar uma planta comercial dedicada a essa tecnologia”, finaliza.

Os detalhes do processo você encontra, em inglês, na revista Science.

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