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Unicef aponta onde crianças estão mais expostas a riscos ambientais

Será que a sua cidade tem um ambiente saudável e seguro? Novo painel revela a vulnerabilidade ambiental que ameaça crianças e adolescentes em 5.571 municípios brasileiros

crianças clima
Foto: © UNICEF

Crianças e adolescentes brasileiros estão expostos, ao mesmo tempo, a riscos como poluição do ar, eventos climáticos extremos, falta de saneamento básico e infraestrutura escolar precária. Em muitas cidades, esses desafios se sobrepõem, ampliando as desigualdades e tornando ainda mais urgente a adoção de políticas públicas voltadas à proteção da infância.

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É nesse contexto que, enquanto o Brasil se prepara para os possíveis impactos do El Niño, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a organização global de saúde pública Vital Strategies lançam, nesta quarta-feira (23), o Painel Crianças e Meio Ambiente, uma plataforma online que reúne dados sobre a exposição ambiental de crianças e adolescentes em 5.571 municípios brasileiros.

Voltada à gestão pública municipal, a ferramenta consolida 14 indicadores distribuídos em quatro áreas temáticas: ambiente escolar, eventos climáticos extremos, qualidade do ar e infraestrutura ambiental e urbana. Além de apresentar um retrato individualizado de cada município, o painel classifica os indicadores em três níveis de prioridade (alta, média e baixa), indicando onde são necessárias ações imediatas, onde é preciso planejar intervenções e onde basta manter o monitoramento. A plataforma também reúne 50 recomendações para apoiar gestores municipais na elaboração e implementação de políticas públicas capazes de reduzir esses riscos e proteger crianças e adolescentes.

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Alerta para o Norte

Os dados mostram que crianças e adolescentes estão expostos a diferentes desafios ambientais e climáticos em todo o país, mas que esses riscos não se distribuem de forma igual. Muitos municípios da Região Norte e da Amazônia Legal, por exemplo, apresentam indicadores críticos em diversas áreas analisadas simultaneamente, reforçando a necessidade de ampliar investimentos e fortalecer políticas públicas voltadas à proteção da infância e da adolescência.

Foto: Ricardoricardo618, CC BY-SA 3.0 | Wikimedia Commons

A ferramenta também revela que problemas relacionados ao acesso à água tratada, ao saneamento básico, à coleta de resíduos e às condições de moradia costumam ocorrer de forma simultânea em um mesmo território. Por isso, ações articuladas entre diferentes áreas da gestão pública são fundamentais para promover melhorias duradouras na qualidade de vida de crianças e adolescentes.

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Ar poluído no Sudeste

Mesmo em regiões com indicadores socioeconômicos historicamente mais favoráveis, os desafios persistem. Os grandes centros urbanos registram índices preocupantes de qualidade do ar; no Sudeste, a oferta de áreas verdes nas escolas ainda é insuficiente; e a adaptação aos diferentes eventos climáticos extremos se impõe como uma necessidade em todas as regiões do país. Considerar essas particularidades é essencial para planejar políticas públicas mais eficazes e adequadas às necessidades de cada território.

“Crianças e adolescentes são os mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e da poluição, embora sejam os que menos contribuem para esse cenário”, afirma Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil. “O Painel foi desenvolvido para apoiar gestores públicos na identificação dos principais riscos que afetam meninos e meninas em seus territórios, oferecendo evidências que ajudam a orientar ações mais eficazes para proteger seus direitos e seu desenvolvimento”, completa.

Unicef
Indicadores associados à frequência e à intensidade de eventos climáticos no município paulista.

Para Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil, ao reunir dados acessíveis e territorializados, a ferramenta contribui para a definição de prioridades e para o fortalecimento de ações adaptadas às realidades locais, integrando também as estratégias do Selo UNICEF como apoio ao desenvolvimento de políticas públicas.

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Já Pedro de Paula, Vice-presidente sênior de Inovação da Vital Strategies, lembra que “um ambiente seguro, saudável e sustentável não é apenas um direito, mas também um elemento essencial para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento integral na infância e na adolescência. Visando futuros melhores e mais seguros, essa ferramenta permite um olhar qualificado e individualizado para o território, subsidiando ações mais preventivas focadas em riscos ambientais previsíveis e evitáveis”, completa.

O Painel Crianças e Meio Ambiente pode ser acessado aqui.

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