Em 1 ano, Paris dobrou o número de ciclistas na cidade
O investimento na ampliação de ciclovias e criação de programas de compartilhamento de bicicletas públicas trouxeram resultados
O investimento na ampliação de ciclovias e criação de programas de compartilhamento de bicicletas públicas trouxeram resultados
Paris esteve no centro das atenções de todo o mundo em 2024, graças à realização dos Jogos Olímpicos. Para receber este grande evento, a cidade passou por grandes mudanças, mas algumas conquistas vão muito além das Olimpíadas. Graças a investimentos e ações do poder público, a qualidade do ar da cidade melhorou muito e a maneira como os parisienses se deslocam mudou. O número de ciclistas na cidade dobrou em apenas um ano – entre outubro de 2022 e outubro de 2023.
As bicicletas estão cada vez mais presentes nas avenidas históricas e ruas movimentadas da capital francesa. A revolução sobre duas rodas na cidade luz foi tema de uma matéria do jornal Le Monde.
O artigo traz dados relevantes e explica que o aumento no número de ciclistas é um reflexo de uma mudança social mais ampla em direção à mobilidade sustentável e à renovação urbana.

Segundo o vice-prefeito David Belliard da Europe Ecologie-Les Verts (EELV), o ciclismo em Paris vai além do modismo e s transformou em um aspecto fundamental da identidade da cidade. “Na mobilidade, mais do que em qualquer outra área, a questão central é a oferta e não a procura”, afirma ele, garantindo que o município “ampliou enormemente a oferta em infraestruturas”.
O investimento em infraestrutura para ciclistas tem dado resultado: apesar de desafios como o clima, os ciclistas continuam a se aglomerar nas ruas, estabelecendo novos recordes de público e remodelando a paisagem urbana no processo.
“Já sabíamos que o uso da bicicleta tinha ido muito além do simples efeito da moda. Embora o clima tenha piorado em Paris nas últimas semanas, ainda registramos recordes de público”, disse Belliard.

A construção de uma cidade para bicicletas começou em 2015, quando a prefeita Anne Hidalgo avançou com seu plano de apoiar o ciclismo com um investimento de 150 milhões de para dobrar o número de ciclovias em Paris. Os investimentos continuaram para cumprir com a meta de criar uma “cidade 100% ciclística”.
Para além dos números, é preciso ressaltar as mudanças na “cultura ciclística” parisiense, que hoje conta com uma comunidade de ciclistas entusiasmados circulando pelas ruas da cidade. De passeios de lazer ao longo do Sena a deslocamentos diários por avenidas movimentadas, o ciclismo se tornou parte integrante da vida urbana.
Além da construção de ciclovias e alterações nas regras de trânsito para garantir mais vias seguras para quem pedala, programas inovadores de compartilhamento de bicicletas públicas foram criados.

Com Paris sendo uma das cidades mais icônicas do mundo, seu modelo de mobilidade urbana pode servir de inspiração para outras cidades francesas, já que o país anunciou um investimento de US$ 2 bilhões para promover o ciclismo em todo o país nos próximos quatro anos.
O CicloVivo espera que a bicicleta ganhe cada vez mais espaço nas cidades do mundo inteiro e que o exemplo de Paris seja seguido por prefeitos e prefeitas de todo o Brasil.