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Casal muda ‘astral’ da vizinhança cultivando horta na calçada

A horta comunitária fica na cidade de Atibaia, interior de São Paulo.

17 de fevereiro de 2017 • Atualizado às 12 : 36

A horta é literalmente comunitária, ela é na calçada, sem cercas nem portões, qualquer um pode colher livremente o que quiser. | Foto: Órbita da Horta

Casal muda ‘astral’ da vizinhança cultivando horta na calçada
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Depois de mudarem para a cidade de Atibaia, interior de São Paulo, para passarem um período de um ano, o casal gaúcho Fábio Nagel e Jaqueline Joner notaram um canteiro abandonado na calçada em frente à nova casa deles. “O canteiro fazia parte de um terreno enorme cercado por um muro cinza medonho. Nós resolvemos limpar um pedaço pequeno deste espaço pra começar uma horta comunitária, já tínhamos umas mudas que a Jaqueline tinha plantado em vasos de sementes de pimentão, tomate…” conta Fábio, que é produtor e diretor de televisão, em entrevista ao CicloVivo.

Quando começaram a capinar e plantar, vários vizinhos que transitavam por ali paravam curiosos para conversar. “Nós não conhecíamos ninguém ainda e explicávamos que estávamos limpando pra fazer uma horta comunitária, e que todos poderiam participar e colher. Não teve um que não ficou com a pulga atrás da orelha, meio desconfiados, mas acharam interessante”. Fabio conta que todos, sem exceção, foram unânimes em dizer que o projeto não iria dar certo, que não duraria um dia, e que certamente alguém iria vandalizar. Mesmo assim, o casal não desanimou e seguiram com o projeto. “Fizemos uns cartazes explicando o que era e deixamos algumas mudinhas pra doação”.

Como moravam bem em frente à horta, eles observavam as pessoas e ficaram impressionados com o impacto dela na vizinhança. “Os vizinhos, a partir daquele momento, não somente passavam ali… paravam, olhavam as mudinhas, liam os cartazes, liam novamente, fotografavam, levavam uma mudinha, mas todos saiam dali com uma expressão diferente no rosto”.

O produtor ainda conta que alguns vizinhos começaram a trazer sementes, mudas e ferramentas como pás, rastelo e tesouras. Eles receberam até mesmo um livro sobre cultivos de um dos moradores. Alguns quiseram ajudar doando dinheiro para que comprassem mudas e terra. “Muita gente começou a colaborar e nós fomos ampliando a horta, limpando, capinando e plantando de pouquinho em pouquinho”. Apesar das colaborações mais diversas, o casal notou uma peculiaridade estranha que até hoje não conseguiram entender: ninguém colocou as mãos na terra pra plantar, a não ser Fábio e sua esposa. E segundo eles, não foi por falta de convites.

Mesmo assim Fábio relata que foi impressionante a relação das pessoas com a horta. “Tínhamos um biodecompositor que um vizinho montou e trouxe pra horta e toda vizinhança começou a separar e depositar seu lixo orgânico nele. Começaram a vir pessoas de outros bairros trazendo o lixo que tinham separado. O envolvimento foi tão grande que tivemos que fazer uma pausa pois o biodecompositor não estava dando conta”, além do adubo produzido para a horta, o casal distribuiu dezenas de litros de adubo líquido (chorume orgânico) para os moradores do bairro.

Fábio relata que numa escala de impacto positivo, colher passou a ser uma das últimas coisas em importância. “As pessoas passaram a se conversar mais, trocar informações, mudas, receitas. Teve vizinhos que se falaram pela primeira vez se encontrando na frente da horta! Pais trazem os filhos pra mostrar as hortaliças crescendo no pé e as crianças saem impressionadas e felizonas”, diz Fábio orgulhoso. “Agora todos são unânimes em dizer que a horta mudou completamente o astral da rua, e claro, revitalizou totalmente um lugar que antes era ocioso e largado”. A horta se tornou inclusive um ponto turístico na cidade. “Vem gente de outros bairros conhecer, fotografar – e ainda levam um “souvenir”, um pouco de manjericão, hortelã, uma berinjela… enfim, também usufruem da horta”.

Jose Luiz, sua mãe Maira e Jaqueline | Foto: Órbita da Horta

A horta é literalmente comunitária, ela é na calçada, sem cercas nem portões, qualquer um pode colher livremente o que quiser. Claro que a produção é pequena, não dá pra “fazer feira”, mas todo mundo colhe uma e outra coisa diariamente. “A horta já existe há um ano e o máximo que aconteceu foi levarem uns quatro pés inteiros de couve, ou seja, nada”. Os grandes sucessos são as berinjelas, as couves e o manjericão, mas a horta já produziu alface, acelga, almeirão, tomate cereja, beterraba, ervilha torta, feijão, abóbora, pimentão, espinafre, repolho, brócolis, rúcula, rabanete, hortelã, poejo, erva doce, sálvia, cidreira, melissa, boldo, guaco tomilho, alecrim, cebolinha, salsinha, orégano, girassóis e capuchinha.

Fabio é produtor e diretor de televisão e Jaqueline fotógrafa l Foto: Órbita da Horta

“Nós somos aprendizes compartilhando nossos aprendizados e experiências. Mais importante que qualquer coisa, é mostrar que iniciativas simples podem realmente ser transformadoras, mesmo em pequena escala. A horta mudou positivamente as pessoas. E obviamente, mudou a gente também.”

O casal gostou tanto da experiência que resolveu criar a Órbita da Horta, um projeto que mistura arte e horta itinerante. Saiba mais aqui.

Mayra Rosa – Redação CicloVivo

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