Estudos já ressaltaram que os “millennials” estão comprando menos e priorizando produtos mais sustentáveis. A fim de investigar melhor esta questão, a Universidade do Arizona, nos EUA, realizou uma pesquisa focada no comportamento dos jovens “pró-ambientais” em relação ao consumo, ou seja, aqueles que estão mais predispostos a mudar atitudes em favor de um mundo sustentável.

De acordo com o estudo, os participantes mais materialistas se engajam menos na bandeira pela redução do consumo. Em contrapartida, eles optam por produtos ecológicos como forma de suprir o desejo de compra. “Encontramos evidências de que há um grupo de pessoas que pertencem aos ‘materialistas verdes’, afirma Sabrina Helm, uma das autoras da pesquisa.

Já entre os participantes que favoreceram a redução do consumo percebeu-se “menor sofrimento psicológico”. Isto é, houve uma relação direta entre comprar menos e bem-estar pessoal mais positivo.

Os pesquisadores acreditavam que a compra de produtos ecológicos criaria um padrão de satisfação entre os consumidores, uma vez que tais itens impactam menos o planeta. Mas não foi isso que revelou o estudo. “O consumo reduzido de mercadorias trouxe aumento no bem-estar. O consumo ‘verde’ não”, garante Sabrina. “Ter menos e comprar menos pode realmente nos deixar mais satisfeitos e felizes”, complementa.

Carga mental

Como já ressaltamos inúmeros vezes aqui no canal sobre minimalismo: ter menos também significa menos coisas para se preocupar, menos coisas para limpar, menos complicações, menos acúmulo físico e mental. Se faltava um estudo para comprovar isso, agora não falta mais.

“Se você tem muitas coisas, tem muita coisa em mente”, ressalta Sabrina. Muitas vezes pensamos apenas na questão financeira, mas as “tralhas” afetam diretamente nosso psicológico. Quem nunca teve que, diante de uma situação de estresse, parar e arrumar a bagunça do quarto para se sentir mais aliviado mentalmente?

É importante sim buscar opções ecológicas na hora da compra, mas é preciso tomar cuidado para não cair na armadilha do consumismo exacerbado e sem razão.

As descobertas dos pesquisadores são baseadas em dados de um estudo longitudinal que acompanhou 968 jovens adultos desde o primeiro ano de faculdade, quando tinham entre 18 e 21 anos, e dois anos após a faculdade, entre 23 e 26 anos. O estudo, em inglês, está disponível aqui: Valores materialistas, comportamentos financeiros e pró-ambientais e bem-estar.

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