Quase tudo que compramos vem com embalagens e rótulos, certo? Significa que quando compramos um conteúdo, estamos comprando junto o seu invólucro. O que fazer com tanto lixo gerado?

A primeira questão é que embalagens não têm apenas função logística e higiênica: têm função informativa. Comunicam informações relevantes ao consumidor, mas também carregam marcas e, com elas, suas histórias. Fabricantes capricham nas embalagens como nós caprichamos nas nossas roupas, afinal, é como nos apresentamos ao mundo. Na economia linear em que vivemos (onde se extrai, transforma, consome e descarta, sem pensar onde o lixo vai parar) nem todas as embalagens são recicláveis e poucas são retornáveis.

A indústria, muitas vezes, projeta um futuro lixo quando cria seus produtos. “Por falta de conhecimento ou acesso, o consumidor nem sempre faz as melhores escolhas para descartar essas embalagens”, explica Daniela Lerário, CEO da TriCiclos no Brasil, empresa de economia circular e gestão de resíduos. Mas é preciso dizer que é justamente o consumidor que tem um dos maiores poderes nas mãos para mudar essa realidade, rumo ao que chamamos de uma economia “Circular”. Cada decisão de consumo é como um voto: a pessoa ‘vota’ em uma marca quando opta por comprá-la. É preciso que a sociedade amplie sua consciência ambiental, apoie marcas que colocam embalagens mais circulares no mercado e dê o destino correto para o que restar do seu consumo.

Com a ajuda de especialistas da TriCiclos, foram reunidas 10 dicas que podem ajudar qualquer pessoa a fazer melhores escolhas, a levar menos lixo para casa e, ainda, ter a certeza de que esse lixo gerado pode ser reciclado.

1.       Evite embalagens descartáveis

Há muitas coisas que usamos mas não precisaríamos usar: mexedores plásticos de café, canudos, plásticos que acompanham talheres, copos descartáveis. Escolha para o dia-a-dia materiais que possa reutilizar e crie o hábito de abastecer a lancheira do seu filho com eles. Evite comprar produtos que ainda dependem do uso desses dispensáveis. O mesmo vale para garrafinhas de água, sachês de mostarda, maionese, ketchup, sal, açúcar, geleias, etc.

2.       Evite embalagens de isopor.

Se o seu mercado local aceitar que você leve seus próprios recipientes para colocar carnes, frios, peixe, faça isso. Senão, pressione seu mercado para mudar essa prática e passar a aceitar esse hábito. Ou, em último caso, chegando em casa, lave e descarte o saquinho de plástico, que acompanha o isopor, junto com os demais materiais recicláveis.

3.       Refri ou cervejinha? Vá de lata!

As bebidas em garrafinha estilo long neck são um charme, mas o vidro é um material complexo para a reciclagem: pesado, cortante, sua logística é complicada e algumas regiões do Brasil não têm mercado para ele. Seu valor no mercado acaba ficando proporcionalmente baixo e ele ainda é responsável por muitos acidentes dos garis e catadores. Além disso, o alumínio é o material mais reciclado no Brasil: 98% das latinhas produzidas no país voltam para o mercado em um curto espaço de tempo.

4.       Vasilhames retornáveis

A latinha é realmente uma ótima opção, mas nada se compara ao uso dos vasilhames retornáveis. Deixam a bebida mais barata, você compra só o líquido mesmo, e aquela garrafa pode ser usada milhares de vezes! É o mundo ideal e um exemplo clássico de zero lixo.

5.       Analise o tamanho e pense no consumo

Embalagens grandes, tamanho família, são excelentes saídas se você tem uma família grande, vai dar uma festa ou realmente consome muito daquele produto. Mas atenção, se esse não for o seu caso, você pode acabar desperdiçando alimento e ainda jogar uma embalagem muito grande no lixo.

6.       Evite descartáveis por conveniência

Muitos mercados oferecem frutas cortadas e servidas num copinho plástico, vegetais em embalagens plásticas individuais com talheres descartáveis, sucos em copos com tampa e canudo. Tudo isso é realmente necessário? Quanto tempo a mais você gastará lavando as frutas e o talher na sua casa? Se bem utilizada, a água para lavagem de louça é um impacto menor do que a geração do lixo. Avalie o impacto desses hábitos em relação ao rastro deixado no meio ambiente e diga não para tudo o que for desnecessário.

7.       Aprenda a identificar os materiais

Nem todo plástico é reciclável em qualquer região do país porque o valor de cada material é atribuído a ele pelo seu mercado comprador, local. As embalagens normalmente vêm com um código explicando qual é o ‘tipo’ daquele material. Fique atento e dê preferência para aqueles que certamente voltarão ao mercado como matéria -prima para outras coisas. Nos pontos de entrega voluntária ou incentivada, os ‘Pontos Limpos’, é possível aprender mais sobre esses materiais ao mesmo tempo em que estamos fazendo seu descarte correto.

8.       Dê uma chance ao que for a granel

As estações de produtos a granel estão cada vez mais organizadas e completas. Faça um teste! E se possível leve seu pote de vidro ou um saquinho de pano para armazenar suas compras.

9.       Valorize as mudanças

Muitas empresas já estão preocupadas com a quantidade de lixo que seus produtos podem gerar e estão investindo em tecnologias para aumentar a reciclabilidade das embalagens. Então, valorize aquelas com menos embalagens intermediárias, com rótulos menores e porções  em tamanho adequado. Além de incentivar quem já está no caminho certo, você ajudará a provocar uma mudança na indústria toda!

10.   Evite saquinhos e sacolas

Essa é dica é antiga, mas nem por isso menos importante. Sempre que possível leve saquinhos e sacolas retornáveis com você. Se esquecer, peça para o caixa do supermercado oferecer caixas de papelão para você transportar suas compras. Hoje, grandes redes de mercado possuem caixas ecológicos, sem sacolas, em que essas caixas estão sempre à disposição.

A TriCiclos ainda reforça que, apesar de a reciclagem ser muito importante para o caminho rumo a um mundo sem lixo, grande parte do da solução virá das mãos de quem produz os alimentos e as embalagens. “É muito importante que as empresas façam análise da reciclabilidade dos seus produtos e possam tomar decisões cada vez melhores para investir na melhoria contínua desses materiais e de suas escolhas. Os grandes players do mercado já estão se movimentando e inovando nessa direção, o que coloca essas marcas na vanguarda de uma nova economia, mais circular. Os consumidores valorizam isso e estarão cada vez mais conscientes’’, lembra Daniela.

O vídeo “Pequenos atos” mostra como geramos resíduos sem perceber em pequenas atividades do dia a dia. Clique aqui para acessar o vídeo.