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3 caminhos para melhorar nossa relação com o planeta

O planeta existe há bilhões de anos e vai seguir existindo. O que podemos salvar é a nossa conexão com a Terra e o nosso futuro aqui.

Published 21/04/2025
água

Foto: iStock

Dia da Terra, um planeta que se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos. Nossa casa em comum, que dividimos com muitas formas de vida, humanas e não humanas. Há alguns séculos, o equilíbrio dessa casa comum, tão incrível, está ameaçado pela ação da humanidade. E muita gente fala em salvar o planeta. Mas a verdade é que o planeta vai seguir existindo, de um jeito ou de outro. Ele já passou por muitas transformações.

O que realmente precisamos salvar é o nosso futuro aqui – porque as alterações que estamos produzindo na Terra são uma ameaça para a vida humana. A nossa espécie está entre as muitas espécies ameaçadas. Melhorar nossa relação com o planeta e com todas as formas de vida que estão aqui é urgente. Mas como podemos fazer isso?

Separamos algumas dicas e caminhos, para gerar reflexões e escolhas. Bora com a gente na busca por um futuro melhor?

Como melhorar nossa relação com a Terra?

Foto: iStock

1 – Cuide de você  

Muitas pessoas buscam com muita vontade e generosidade cuidar dos outros, dos animais, da natureza e esquecem que também precisam estar bem e que têm necessidades e vontades. Mesmo quando escolhemos nos dedicar às outras pessoas ou apoiar as causas que nos movem, precisamos ter saúde (física e mental) para isso. Portanto, o primeiro passo para conseguir mudar o mundo é olhar para si mesmo.

Ter amor-próprio e priorizar a própria vida não é sinal de egoísmo, é uma escolha cheia de sabedoria. E, na hora de cuidar da gente, a nossa relação com o planeta também é fundamental: a conexão com a natureza, seus ciclos e maravilhas faz um bem imenso para o ser humano. Afinal, também somos parte da natureza.

Muitos dos problemas individuais, coletivos e ambientais que enfrentamos vêm justamente desse distanciamento, dessa pretensão humana de estar acima da natureza e não dentro dela.

Portanto, sempre que puder:

Prescrever idas a parques é uma ideia para encorajar a reconexão com a natureza. | Foto: Karsten Winegeart | Unsplash

2 – Escolhas conscientes e coletivas

Saber que estamos conectados com a natureza, com todas as suas espécies e com a humanidade é o primeiro passo para repensar nossas escolhas. O que fazemos faz a diferença, para nós mesmos e para toda essa rede de vida.

Somos a única espécie que tem uma “pegada ambiental” que vai muito além do nosso corpo – nossa existência no planeta inclui uma infinidade de coisas: roupas, casa, ruas e estradas asfaltadas, hidroelétricas, fábricas e bilhões de produtos, móveis, carros… Olhe a sua volta e veja toda a estrutura que te rodeia e que foi construída pela ação humana.

Tudo isso veio da natureza, com o que chamamos de recursos naturais, e vai voltar para a natureza, em forma de resíduos. Nesse ponto, também somos uma espécie única, já que produzimos resíduos que a natureza não consegue absorver e decompor dentro dos seus ciclos. É só olhar para a quantidade enorme de lixo nos aterros sanitários, para o plástico nos oceanos, enfim, para o rastro que estamos deixando nesse mundo.

Os lixões são uma grave ameaça à saúde pública e ao meio ambiente. Foto: Pixabay

Então, na hora de escolher o que vai consumir é sempre importante se perguntar se é realmente necessário, qual o impacto social e ambiental das suas escolhas, de onde vem e para onde vai aquilo que te cerca. A natureza sempre divide essa conta com você e o resto da humanidade também.

Voltando à necessidade de cuidar bem da gente, uma dica importante é pensar o preço que a gente paga pelo nosso consumismo. Ele vai muito além do econômico – ter muitas coisas exige muito tempo e energia.

Para ser feliz compre experiências, não coisas. Foto: iStock

3 – Amplie a sua voz

O autocuidado e as escolhas individuais fazem parte de mudanças pessoais para melhorar a nossa relação com o planeta e com as pessoas à nossa volta. Mas essa mudança precisa ir muito além disso. A crise ambiental que ameaça nosso futuro, com a emergência climática e a perda de biodiversidade, vem de um sistema econômico que coloca o lucro acima de tudo – inclusive das condições necessárias para a nossa vida nesse planeta.

Um exemplo claro disso é a poluição plástica. É muito importante cada pessoa repense suas escolhas, deixe de consumir plástico de uso único e destine seus resíduos para a reciclagem. Mas, o plástico que chega até a gente vem de grandes companhias que lucram muito com esse material. Cerca de 25% de toda a poluição plástica do planeta vem de 5 multinacionais – e se essas empresas não assumirem seu papel na redução do uso de plástico, o engajamento individual não será suficiente. Há mais de 30 anos, cientistas já haviam avisado o mundo que a reciclagem do plástico não é capaz de frear a poluição causada por esse material.

“Planeta acima do lucro”, mensagem importante exibida durante manifestação de ambientalistas. Foto: Markus Spiske | Unsplash

O mesmo modelo se repete com outras indústrias e em outras proporções: alimentos ultraprocessados que acabam com a nossa saúde, combustíveis fósseis que aumentam as temperaturas no planeta, roupas que são produzidas e descartadas sem nenhuma responsabilidade, equipamentos eletrônicos programados para durar pouco e gerar mais e mais compras, redes sociais que consomem nosso tempo e manipulam informações… Esses são só alguns exemplos de negócios altamente lucrativos para algumas (poucas) pessoas que acabam prejudicando todo o planeta e ameaçando o nosso futuro.

Nossa ação individual perto do tamanho dessas indústrias parece pequena, né? Mas, além da nossa decisão de compra, optando por marcas e empresas alinhadas com o que acreditamos ser correto, temos também leis e governos com o poder de regulamentar o mercado e a atuação dessas empresas. Por isso, quanto temos a oportunidade de escolher nossos representantes políticos, devemos fazer isso com muito cuidado.

Foto: Nelson Jr. | TSE

Escolha candidatos e candidatas que incluam nas suas propostas essas mudanças de relacionamento com o planeta. Quando essas pessoas se tornam parte dos nossos governos, elas têm um poder imenso de gerar impacto, positivo ou negativo.

Para além do voto, podemos ampliar a nossa voz nos unindo com quem têm pensamentos e valores próximos aos nossos e colocando a mão na massa, literalmente. Podemos nos juntar com amigos e vizinhos e mobilizar nosso bairro, fazer doações para ONGs e organizações que atuem em causas que sejam importantes para a gente, fazer trabalhos voluntários e manter sempre aberto um canal para o diálogo sobre assuntos que afetam o nosso futuro.

Mudar a maneira como nos relacionamos com o planeta é importante e necessário. E datas como o Dia da Terra podem servir como inspiração ou lembretes para escolhas mais conscientes, das individuais às coletivas, lembrando sempre que somos parte de um planeta, não donos desse planeta.

Horta Comunitária Mãos de Milagres. Foto: Wagner Ramos | Prefeitura do Recife
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