Dia da Terra, um planeta que se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos. Nossa casa em comum, que dividimos com muitas formas de vida, humanas e não humanas. Há alguns séculos, o equilíbrio dessa casa comum, tão incrível, está ameaçado pela ação da humanidade. E muita gente fala em salvar o planeta. Mas a verdade é que o planeta vai seguir existindo, de um jeito ou de outro. Ele já passou por muitas transformações.
O que realmente precisamos salvar é o nosso futuro aqui – porque as alterações que estamos produzindo na Terra são uma ameaça para a vida humana. A nossa espécie está entre as muitas espécies ameaçadas. Melhorar nossa relação com o planeta e com todas as formas de vida que estão aqui é urgente. Mas como podemos fazer isso?
Separamos algumas dicas e caminhos, para gerar reflexões e escolhas. Bora com a gente na busca por um futuro melhor?
Como melhorar nossa relação com a Terra?
1 – Cuide de você
Muitas pessoas buscam com muita vontade e generosidade cuidar dos outros, dos animais, da natureza e esquecem que também precisam estar bem e que têm necessidades e vontades. Mesmo quando escolhemos nos dedicar às outras pessoas ou apoiar as causas que nos movem, precisamos ter saúde (física e mental) para isso. Portanto, o primeiro passo para conseguir mudar o mundo é olhar para si mesmo.
Ter amor-próprio e priorizar a própria vida não é sinal de egoísmo, é uma escolha cheia de sabedoria. E, na hora de cuidar da gente, a nossa relação com o planeta também é fundamental: a conexão com a natureza, seus ciclos e maravilhas faz um bem imenso para o ser humano. Afinal, também somos parte da natureza.
Muitos dos problemas individuais, coletivos e ambientais que enfrentamos vêm justamente desse distanciamento, dessa pretensão humana de estar acima da natureza e não dentro dela.
Portanto, sempre que puder:
- Escolha alimentos naturais, descasque mais do que desembale
- Mexa seu corpo, da forma como puder e gostar.
- Beba água pura
- Se desconecte do mundo humano e seus estímulos incessantes e passe algum tempo na natureza, com seus ciclos e ritmos.
- Esteja com as pessoas que ama e faça aquilo que te dá prazer.
2 – Escolhas conscientes e coletivas
Saber que estamos conectados com a natureza, com todas as suas espécies e com a humanidade é o primeiro passo para repensar nossas escolhas. O que fazemos faz a diferença, para nós mesmos e para toda essa rede de vida.
Somos a única espécie que tem uma “pegada ambiental” que vai muito além do nosso corpo – nossa existência no planeta inclui uma infinidade de coisas: roupas, casa, ruas e estradas asfaltadas, hidroelétricas, fábricas e bilhões de produtos, móveis, carros… Olhe a sua volta e veja toda a estrutura que te rodeia e que foi construída pela ação humana.
Tudo isso veio da natureza, com o que chamamos de recursos naturais, e vai voltar para a natureza, em forma de resíduos. Nesse ponto, também somos uma espécie única, já que produzimos resíduos que a natureza não consegue absorver e decompor dentro dos seus ciclos. É só olhar para a quantidade enorme de lixo nos aterros sanitários, para o plástico nos oceanos, enfim, para o rastro que estamos deixando nesse mundo.
Então, na hora de escolher o que vai consumir é sempre importante se perguntar se é realmente necessário, qual o impacto social e ambiental das suas escolhas, de onde vem e para onde vai aquilo que te cerca. A natureza sempre divide essa conta com você e o resto da humanidade também.
Voltando à necessidade de cuidar bem da gente, uma dica importante é pensar o preço que a gente paga pelo nosso consumismo. Ele vai muito além do econômico – ter muitas coisas exige muito tempo e energia.
3 – Amplie a sua voz
O autocuidado e as escolhas individuais fazem parte de mudanças pessoais para melhorar a nossa relação com o planeta e com as pessoas à nossa volta. Mas essa mudança precisa ir muito além disso. A crise ambiental que ameaça nosso futuro, com a emergência climática e a perda de biodiversidade, vem de um sistema econômico que coloca o lucro acima de tudo – inclusive das condições necessárias para a nossa vida nesse planeta.
Um exemplo claro disso é a poluição plástica. É muito importante cada pessoa repense suas escolhas, deixe de consumir plástico de uso único e destine seus resíduos para a reciclagem. Mas, o plástico que chega até a gente vem de grandes companhias que lucram muito com esse material. Cerca de 25% de toda a poluição plástica do planeta vem de 5 multinacionais – e se essas empresas não assumirem seu papel na redução do uso de plástico, o engajamento individual não será suficiente. Há mais de 30 anos, cientistas já haviam avisado o mundo que a reciclagem do plástico não é capaz de frear a poluição causada por esse material.
O mesmo modelo se repete com outras indústrias e em outras proporções: alimentos ultraprocessados que acabam com a nossa saúde, combustíveis fósseis que aumentam as temperaturas no planeta, roupas que são produzidas e descartadas sem nenhuma responsabilidade, equipamentos eletrônicos programados para durar pouco e gerar mais e mais compras, redes sociais que consomem nosso tempo e manipulam informações… Esses são só alguns exemplos de negócios altamente lucrativos para algumas (poucas) pessoas que acabam prejudicando todo o planeta e ameaçando o nosso futuro.
Nossa ação individual perto do tamanho dessas indústrias parece pequena, né? Mas, além da nossa decisão de compra, optando por marcas e empresas alinhadas com o que acreditamos ser correto, temos também leis e governos com o poder de regulamentar o mercado e a atuação dessas empresas. Por isso, quanto temos a oportunidade de escolher nossos representantes políticos, devemos fazer isso com muito cuidado.
Escolha candidatos e candidatas que incluam nas suas propostas essas mudanças de relacionamento com o planeta. Quando essas pessoas se tornam parte dos nossos governos, elas têm um poder imenso de gerar impacto, positivo ou negativo.
Para além do voto, podemos ampliar a nossa voz nos unindo com quem têm pensamentos e valores próximos aos nossos e colocando a mão na massa, literalmente. Podemos nos juntar com amigos e vizinhos e mobilizar nosso bairro, fazer doações para ONGs e organizações que atuem em causas que sejam importantes para a gente, fazer trabalhos voluntários e manter sempre aberto um canal para o diálogo sobre assuntos que afetam o nosso futuro.
Mudar a maneira como nos relacionamos com o planeta é importante e necessário. E datas como o Dia da Terra podem servir como inspiração ou lembretes para escolhas mais conscientes, das individuais às coletivas, lembrando sempre que somos parte de um planeta, não donos desse planeta.

