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O projeto de construir uma estrada cortando o parque Serengeti, na Tanzânia, poderia acabar com um dos maiores espetáculos do planeta: a maior migração anual de gnus.

Todos os anos, milhões de herbívoros migram do Serengeti às adjacências de Maasai Mara, no Quênia. Mas, a construção de uma estrada e o tráfego trazido por ela, poderá acabar com a migração nestas faixas.

A estrada de Serengeti está prevista para ligar Musoma, às margens do lago Victoria e à Arusha, cortando uma faixa do parque em que os gigantes de gnus atravessam em bando todo verão para procurar as pastagens do Quênia.

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Os ambientalistas alertam que a estrada vai desfigurar o parque e matará a migração, enquanto os criadores do projeto argumentam que já chegou o momento de o Estado cuidar mais das pessoas do que dos animais.

O presidente Jakaya Kikwete, em curso de ser reeleito fez uma promessa de campanha, da estrada em 2005 e reiterou seu apoio este ano.

As duas reservas da vida selvagem, separadas pelo rio Mara, formam um ecossistema que serve de moradia para a migração que não acontece com a mesma escala em nenhum outro lugar do mundo, e foi eleito em 2008 como uma das sete maravilhas do mundo.

“Nós estamos em uma situação em que os políticos estão ‘sequestrando’ um ecossistema, um ícone”, disse Mike Rainy, um dos cientistas que lidera a campanha contra a estrada, à AFP-AFP (South African Press Association). “Nós deveríamos estar preocupados com as mudanças climáticas, nos padrões de chuva, horticultura e outros usos das águas. Nós poderíamos pensar que isso pode ser uma ameaça. Esta foi uma das preocupações até que a estrada fosse anunciada.”

Em julho e agosto de cada ano, centenas de milhares de gnus, zebras e gazelas e outros animais atravessam pelo rio Mara, que está infestado de crocodilos à procura dos pastos do Quênia em uma massiva demanda.

Rainy, que trabalhou no Quênia por 50 anos, disse que a estrada e o intenso tráfego gerado por ela poderiam significar o fim do ecossistema num espaço relativamente curto de tempo. “Com esta nova estrada estamos falando de no mínimo 400 caminhões por dia”.

Caminhões poderão atingir os animais, o tráfego humano irá introduzir doenças domésticas e a estrada será uma fuga fácil para os caçadores. Este é o primeiro passo para os gnus se moverem para a água e, quando isso acontecer, 75% do sistema vai colapsar. As estimativas são de que isso possa acontecer rapidamente, de dois a cinco anos.

Os ambientalistas lançaram campanhas na internet e na mídia e 27 cientistas co-assinaram um artigo na revista nature opondo-se ao projeto.

As autoridades tentaram orientar o debate em torno da necessidade de desenvolvimento de um dos recantos mais remotos da Tanzânia, que é maior do que a França e Alemanha juntas.

“Trata-se de desenvolvimento. Os ambientalistas são mais interessados nos animais do que nos seres humanos”, argumenta Edward Lowassa. A Tanzania fez muito pela vida selvagem, mais do que muitos países na África, disse Lowassa, um ex-primeiro-ministro, que teve de renunciar em 2008 sobre alegações de suborno.

O ex-primeiro-ministro acredita que a estrada trará desenvolvimento econômico ao povo Maasai que vive em extrema pobreza nas planícies amplas ao Leste do parque.  Mas Rainy vê a região de Serengeti como o ativo mais valioso do país e diz que a Tanzânia está dando um tiro no próprio pé e que construir a estrada é um terrível engano. Para demonstrar o estrago que seria a cosntrução, ele usou uma comparação com o Egito, suponde que as pirâmides fossem destruídas para darem lugar a um shopping center.

Para Mike Rainy, um caminhão de quarenta toneladas seria uma heresia às planícies do Serengeti. "Como podemos ser tão míopes ao risco de perder o que temos. Sem o grande Serengeti-Mara, o mundo é infinitamente mais pobre".

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