Fragmentos de óleo que aterrorizaram a população do Nordeste em 2019 voltaram a aparecer. Desde março o movimento Salve Maracaípe, que atua em Pernambuco, recebe informações do ressurgimento de óleo na Bahia. Na última sexta-feira (19) foi confirmado vestígios em Alagoas e no domingo (21) em Pernambuco.

Em Alagoas, a substância foi encontrada na Praia da Lagoa do Pau, em Coruripe, e na Praia da Lagoa Azeda, em Jequiá da Praia. Amostras foram coletadas pela Marinha e enviadas para análise no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, no Rio de Janeiro.

A situação em Alagoas foi alertada pela ONG Instituto Amigos da Natureza (INAN), após receberam denúncias.

Já em Pernambuco, o óleo surgiu na praia de Cupe, em Porto de Galinhas, na praia vizinha de Muro Alto, localizada no município de Ipojuca e na praia de Tamandaré, no município de mesmo nome.

As Ongs acreditam que o óleo é mesmo do ano passado que estava no fundo do oceano e foi “desenterrado” após a passagem de grandes ondulações na costa nordestina.

“Desde o início do aparecimento, em 2019, avisamos que é importante investir em monitoramento constante pois o impacto não acaba quando a grande mancha é recolhida, a fase pós-emergência está aqui, e precisamos que a Gestão Pública não feche os olhos para isso. Ainda há muito trabalho a ser feito nesses próximos anos para entendermos de fato os impactos desse derramamento”, afirmou o Salve Maracaípe.

A origem do óleo e sua devida responsabilização até hoje não foram esclarecidas. Uma embarcação grega chegou a ser investigada, mas a hipótese foi refutada por diversas autoridades, inclusive pelo Ibama.

Uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o caso foi aberta, mas desde março, com o início da pandemia, os trabalhos foram suspensos. Não há previsão de futuras reuniões.

O que fazer

Não há informações de que uma atuação conjunta esteja acontecendo. Em nota à imprensa, a Marinha informou que a Capitania dos Portos de Pernambuco (CPPE) vão seguir monitorando. A recomendação à população é que avise pelo número 185, caso aviste óleo nas praias.

Além disso, de forma voluntária, um grupo de pesquisadores mapeia os pontos de poluição por petróleo no litoral. Se deseja apoiar a iniciativa, envie e-mail para [email protected] Caso aviste óleo nas praias, também é possível enviar as fotos para o e-mail [email protected] com a localização geográfica. Saiba mais sobre o projeto Ivides (Instituto Virtual para o Desenvolvimento Sustentável).

Tragédia em tirinhas

Foi lançada uma série de histórias em quadrinhos que conta a história, ainda em andamento, do derramamento de petróleo. Batizada de “A Mancha”, a série é do projeto de divulgação científica “A bordo do beagle” em parceria com o Instituto BiomaBrasil. Já foram publicadas, três partes da série. Acompanhe pelo Instagram.