eua geração de lixo
Foto: Emily Brauner | Ocean Conservancy

Países asiáticos são costumeiramente apontados como os maiores responsáveis por despejar lixo plástico no oceano. A imagem de rios forrados por garrafas PET já entrou no imaginário de quem acompanha notícias ambientais. Entretanto, um recente estudo revelou que os Estados Unidos estão gerando uma quantidade de resíduos plásticos tão grande que pode ser classificado no terceiro lugar entre os países que mais contribuem para a poluição plástica nos oceanos.

Os pesquisadores norte-americanos usaram dados do Banco Mundial sobre a geração de resíduos em 217 países. Segundo eles, de 2010 a 2016, a produção global de plásticos aumentou 26%. Os Estados Unidos, apesar de representar apenas 4% da população global, em 2016, geraram 17% de todos os resíduos plásticos. 

Além dos dados do Banco Mundial, os estudiosos somaram ainda dados mais locais do país que revelaram que o problema é muito maior do que já havia sido apontado.

Dados anteriores não consideraram, por exemplo, as exportações de sucata de plástico. O novo estudo calculou que mais da metade de todos os plásticos coletados para reciclagem, em 2016, foram enviadas para o exterior. O pior é que até 25% deste lixo era de baixo valor ou contaminado, ou seja, provavelmente não seria reciclável.  

Panamá. | Foto: Ocean Conservancy

“Levando esses fatores em consideração, os pesquisadores estimaram que até 1 milhão de toneladas métricas de resíduos plásticos gerados nos EUA acabaram poluindo o meio ambiente além de suas próprias fronteiras”, afirma a Ocean Conservancy, uma das organizações envolvidas no estudo.

Usando dados de 2016, a pesquisa também estimou que 2 a 3% de todos os resíduos plásticos gerados nos EUA – entre 0,91 e 1,25 milhões de toneladas métricas – foram internamente jogados no lixo ou ilegalmente despejados no meio ambiente. Combinado com as exportações de resíduos, o país contribuiu com até 2,25 milhões de toneladas métricas de plásticos para o meio ambiente. Para se ter uma ideia, esses mais de dois milhões seriam suficientes para cobrir o gramado da Casa Branca até a altura do Empire State Building – o famoso arranha-céu de Nova York que possui 102 andares.

Desse total, até 1,5 milhão de toneladas métricas de plásticos acabaram em ambientes costeiros (dentro de 50 km da costa), onde a proximidade da costa aumenta a probabilidade de os plásticos entrarem no oceano pelo vento ou por vias navegáveis. Isso classifica os Estados Unidos como o terceiro lugar globalmente em contribuição para a poluição costeira de plásticos. Indonésia e Índia disputam o primeiro lugar na quantidades de resíduos plásticos que vão parar nos oceanos.

Tanto pela estimativa do Banco Mundial quanto pela do novo estudo, em 2016, a população dos EUA produziu a maior massa de resíduos de plástico de qualquer país do mundo e também teve a maior geração anual de resíduos de plástico per capita dos principais países produtores de resíduos plásticos. 

Os países que também entraram no pódio foram Índia e China, em segundo e terceiro lugar respectivamente. Não por acaso, são os países mais populosos do mundo. Já os países da União Europeia geraram coletivamente mais resíduos de plástico do que estes dois países, apesar de terem apenas 40% da população.

Levando em consideração o cálculo per capita, o Reino Unido fica em segundo lugar, seguido pela Coréia do Sul e Alemanha.

Foto: Kara Lavender | Ocean Conservancy

E para onde vai todos esses resíduos? Uma investigação do The Guardian, em 2019, revelou que o plástico dos EUA estava sendo enviado para os países mais pobres do mundo, incluindo Bangladesh, Laos, Etiópia e Senegal. É bom lembrar que muitos países asiáticos estão se recusando a receber lixo dos países desenvolvidos. É o caso da China e Malásia.

“Os Estados Unidos geram a maior parte dos resíduos de plástico do que qualquer outro país do mundo, mas em vez de olhar o problema de frente, nós os terceirizamos para os países em desenvolvimento e nos tornamos um dos principais contribuintes para a crise dos plásticos oceânicos”, diz Nick Mallos, sênior diretor do programa Trash Free Seas® da Ocean Conservancy e coautor do estudo. “A solução tem que começar em casa. Precisamos criar menos, cortando plásticos descartáveis ​​desnecessários; precisamos criar melhor, desenvolvendo novas formas inovadoras de embalar e entregar mercadorias; e onde os plásticos são inevitáveis, precisamos melhorar drasticamente nossas taxas de reciclagem. ”

Para a professora Jenna Jambeck, da Universidade da Geórgia, é preciso cuidar do próprio quintal e assumir a responsabilidade pela pegada global de plástico. “Pesquisas anteriores forneceram valores globais para a entrada de plástico no meio ambiente e nas áreas costeiras, mas análises detalhadas como esta são importantes para os países individuais avaliarem melhor suas contribuições”, diz ela que é também co-autora do estudo. 

A pesquisa, que é uma continuação de um estudo anterior, foi publicado em 30 de outubro na Science Advances.