Os resíduos plásticos são um enorme problema oceânico. De acordo com um estudo publicado em fevereiro na revista Science, oito milhões de toneladas de plástico vão para os oceanos todos os anos. Esta é a primeira vez que a comunidade acadêmica estuda este tipo de estimativa.

O trabalho foi feito por um grupo de cientistas norte-americanos de diferentes instituições. De acordo com as análises, somente em 2010, a quantidade de plástico que chegou aos mares foi de 4,8 a 12,7 milhões de toneladas. Os resíduos são provenientes de comunidades que vivem a um raio de 50 quilômetros das áreas costeiras em 192 países.

Neste período de um ano, foi registrada a fabricação de 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos nestes mesmos locais. Os especialistas esclarecem que o problema deste tipo de material é recente. O uso do plástico no mercado de consumo teve início entre as décadas de 1930 e 1940. Mesmo assim, as primeiras soluções para a gestão adequada dos resíduos surgiu apenas em 1970 e somente na Ásia, Europa e América do Norte.

Somado a isso está o rápido descarte dos utensílios feitos de plástico, com a maior parte deles indo para o lixo após serem usados uma única vez. Os pesquisadores esclarecem que parte dos 192 países considerados no estudo não possui qualquer sistema de reciclagem ou destinação adequada de resíduos sólidos. Mesmo assim, a quantidade de plástico produzida segue aumentando.

Em 2013 a indústria registrou a produção de 299 milhões de toneladas de plástico, um aumento de 647% sobre os números registrados em 1975. A previsão para o futuro não é positiva. Jenna Jambeck, da Universidade da Geórgia e uma das principais autoras do estudo, estima que o impacto cumulativo para os oceanos será de 155 milhões de toneladas até 2025.

Mesmo tendo identificado esta enorme quantidade, os especialistas salientam que o impacto pode ser muito maior do que o visualizado. A justificativa é o fato de uma quantidade muito pequena de plástico estar flutuando no mar, entre 6.350 e 245 mil toneladas. O restante pode está perdido no fundo dos oceanos.

“Estamos sendo oprimidos por nosso lixo. Mas, o nosso quadro nos permite examinar também as estratégias de mitigação, como a melhoria da gestão dos resíduos sólidos globais e a redução de plástico no fluxo de resíduos”, finalizou Jenna.

Redação CicloVivo

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.