Imagina captar o sol que bate nos arranha-céus para gerar energia – transformando prédios em verdadeiras usinas solares. Esta é uma das possibilidades que cidades do futuro poderão aproveitar com o desenvolvimento de painéis solares transparentes. Na Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, pesquisadores criaram uma nova célula que chegou a 8,1% de eficiência, um recorde para painéis com tal característica.

A célula solar possui 43,3% de transparência e é feita em carbono, enquanto que os painéis comuns são feitos de silício. As janelas que cobrem os prédios são locais perfeitos para aplicar o novo tipo de painel “porque oferecem algo que o silício não pode: uma combinação de eficiência muito alta e transparência visível muito alta”. A afirmação é do professor de engenharia Stephen Forrest, que liderou a pesquisa.

“O novo material que desenvolvemos e a estrutura do dispositivo que construímos tiveram que equilibrar várias compensações para fornecer boa absorção de luz solar, alta tensão, alta corrente, baixa resistência e transparência de cor neutra, tudo ao mesmo tempo”, explica Yongxi Li, cientista assistente de pesquisa em engenharia elétrica e ciência da computação.

célula solar transparente
Foto: Robert Coelius

Os edifícios com fachadas de vidro normalmente têm um revestimento que reflete e absorve parte da luz para reduzir o brilho e o aquecimento no interior do edifício. Em vez de jogar fora essa energia, os painéis solares transparentes poderiam usá-la para suprir uma parte das necessidades de eletricidade do edifício.

Foram criadas duas versões de revestimentos ópticos para os painéis, um com tonalidade ligeiramente esverdeada e outra de cor neutra. Mesmo a colorida, segundo informa a universidade em comunicado, “se parece muito mais com o cinza dos óculos de sol e das janelas dos automóveis”. De todo modo, ambas podem ser fabricadas em larga escala e, melhor ainda, utilizando materiais menos tóxicos do que outras células solares transparentes.

A pesquisa foi publicada na PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).