Empresas brasileiras de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos assumiram o compromisso voluntário de substituir o uso de micropartículas plásticas sólidas insolúveis (MPSIs) por outros ingredientes com função semelhante, mas biodegradáveis, em produtos enxaguáveis, como os esfoliantes.

Segundo nota da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o setor decidiu eliminar o uso de MPSIs em sua fabricação, atendendo a um movimento global para redução da poluição oceânica, sem comprometer a qualidade e a segurança para os consumidores. Reino Unido, França, EUA e, mais recentemente, o Japão, já adotam medidas para proibir ou inibir o usos destes ingredientes em produtos cosméticos e de higiene pessoal.

As microesferas plásticas são utilizadas na formulação de alguns produtos de cuidados pessoais (com tamanho igual ou menor que 5 mm), usadas para esfoliar ou limpar. Agora a indústria vai identificar outros ingredientes que sejam comprovadamente seguros e eficazes para o uso dos consumidores, destaca a ABIHPEC. “Novas formulações e ingredientes necessitam ser avaliadas e testadas, bem como submetidos às exigências legais que normatizam este segmento. A indústria pretende que a contribuição do setor seja reduzida, eliminando o uso de micropartículas plásticas sólidas insolúveis em produtos enxaguáveis até 2021.”

Os microplásticos estão presentes em produtos como pasta de dente, creme de barbear e em esfoliantes e géis de limpeza facial e de banho.

Projeto de lei contra microplástico avança na Câmara

No final do ano passado, avançou também na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei de autoria do deputado federal Dr. Mário Heringer (PDT/MG) que proíbe o uso de microplásticos em produtos de higiene e beleza. Se virar lei, as empresas de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos terão que se adaptar de qualquer forma. (saiba mais)

Sobre poluição e contaminação por microplástico

De acordo com especialistas, a poluição por microplásticos pode ser mais prejudicial ao meio ambiente do que por pedaços maiores, pois ela atinge diretamente a cadeia alimentar. Segundo um relatório divulgado pelo Reino Unido, em alguns casos, um único banho pode liberar 100 mil microesferas no ecossistema.

Estudo aponta que mais de 70% dos peixes ingerem essas partículas, especialmente de grande porte, como o atum, popular em nossa dieta alimentar. Os microplásticos que contaminam as águas vêm de uma variedade de fontes, entre elas estão as roupas sintéticas, as poeiras de pneus e os plásticos encontrados em produtos de higiene e beleza.

Além da vida marinha, que logicamente afeta os humanos também, é sempre bom ressaltar uma pesquisa lançada no ano passado que mostrava que fragmentos plásticos estão presentes em 83% de água da torneira de todo mundo e também em 93% das águas engarrafadas de marcas líderes mundiais. Um outro estudo mostra que microplástico está presente em 90% das marcas de sal do mundo.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.