biden crise climática acordo de paris
Foto: RS | Fotos Públicas

O mundo parou para acompanhar a apuração da eleição norte-americana para presidência. Depois de dias, Joe Biden e Kamala foram declarados os vencedores e passarão a ocupar os cargos de presidente e vice-presidente dos EUA, respectivamente.

A eleição trouxe pela primeira vez uma mulher, negra e descendente de imigrantes à vice-presidência. E troxe também a esperança de que a política americana em relação às mudanças climáticas tome rumos diferentes.

Joe Biden, eleito do 46º presidente dos Estados Unidos, já havia prometido, mesmo antes da apuração que, caso fosse eleito, iria trazer os EUA de volta ao Acordo de Paris.

O então presidente Donald Trump negava a realidade das mudanças climáticas e, na madrugada do dia 4 de novembro, ainda durante a acirrada disputa eleitoral, oficializou a saída dos EUA do Acordo de Paris.

Acordo de Paris
Foto: Tia Dufour | Oficial da Casa Branca

Retrocesso ambiental

O histórico acordo foi assinado em 2015 quando 195 países se comprometeram em atuar para que o aumento da temperatura global ficasse abaixo dos dois graus. Na ocasião, EUA, China e Índia, considerados os maiores poluidores do mundo, se comprometeram a reduzir suas emissões de gases poluentes. 

O acordo foi assinado pelo então presidente Barack Obama. Mas, cumprindo sua promessa de campanha, Trump retirou os EUA do Acordo de Paris 2 aos depois. O fato faz parte de um conjunto de posicionamentos de Trump que, além de ser um negacionista do clima, também se destacou por uma série de retrocessos ambientais em seu governo.

Nos Estados Unidos, mais de 125 proteções ambientais foram enfraquecidas ou eliminadas nos últimos 4 anos. Estas e outras ações foram tema de uma reportagem do Washington Post, publicada no dia 30 de outubro, que elencou o retrocesso ambiental no governo Trump.

Foto: Twitter Joe Bidden

No dia em que Trump oficializou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, Biden tweetou: “Hoje, o governo Trump saiu oficialmente do Acordo de Paris e, exatamente 77 dias depois, o governo Biden vai reassumir este compromisso”.

Valorização da ciência

O discurso dos democratas durante e após a disputa eleitoral segue um caminho diferente. Em seu discurso, o presidente eleito Joe Biden afirmou que ele e Kamala Harris haviam sido escolhidos pelos americanos para “unir as forças da ciência e da esperança para as grandes batalhas da nossa época”.

Foto: Fotos Públicas

“A batalha para controlar o vírus, para construir prosperidade, para lutar pelo cuidado com a saúde das nossas famílias, para conquistar a justiça racial e varrer o racismo estrutural do nosso país, e a batalha para salvar o planeta controlando as mudanças climáticas.”

Crise Climática

Além de reafirmar o seu compromisso em trazer os EUA de volta ao Acordo de Paris logo nos primeiros dias de seu governo, Joe Biden anunciou um plano que inclui o investimento de US$ 2 trilhões em infraestrutura verde e um setor de energia carbono-zero até 2035, segundo o jornal The Washington Post.

No entanto, este pode ser um desafio, caso os republicanos mantenham a maioria no Senado. Caso o controle do Senado americano pelos republicanos se confirme, o novo presidente vai precisar de mais ações executivas para cumprir suas metas ambientais.

Entre as promessas de Biden estão reverter as ações do governo Trump na área de saúde e meio ambiente, que anularam medidas adotadas pelo governo de Barak Obama.

Eleição do Clima

biden crise climática
A preocupação com as mudanças climáticas tiveram papel importante na eleição de Joe Biden. Foto: Pixabay

Entre os eleitores, a questão Ambiental, é realmente um prioridade: 74% das pessoas que votaram na chapa Biden-Harris declararam que a preocupação com a crise climática foi um dos fatores determinantes da sua escolha, de acordo com pesquisa da Morning Consult.

A crise climática também é um tema fundamental para o eleitorado jovem, cuja participação pode ter sido definitiva nestas eleições. De acordo com o InsideClimate News, este foi uma peça chave na escolha dos jovens nos estados decisivos.

“Eu acredito que esta foi a primeira ‘eleição climática’, quando a preocupação com o clima teve um papel fundamental nos resultados, mesmo com tantos outros assuntos em pauta”, diz o diretor executivo da Climate Power 2020, Lori Lodes.

“Não haverá mais uma eleição presidencial nos Estados Unidos em que a crise climática não seja o assunto mais importante ou um doa assuntos mais importantes. Esse foi apenas o começo.”

Com informações de EcoWatch