Por ONU Meio Ambiente

Curtir, compartilhar e postar já se tornou muito comum. Mas fazer isso falando apenas de plantas é novidade. Essa foi a proposta de quatro estudantes e um professor de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, vencedores da edição de 2018 da Maratona UNICEF SAMSUNG. No APPlanta, meninas e meninos dos anos iniciais do ensino fundamental podem identificar e conhecer mais sobre diferentes tipos de plantas e suas classificações biológicas, compartilhando tudo em uma rede social acessada por outros alunos e professores.

A ideia surgiu de uma conversa entre Diego Izidro, professor do ensino técnico em Jogos Digitais da Escola Estadual Adê Marques, e uma colega que leciona Biologia no Ensino Fundamental da mesma escola.

A professora comentava das dificuldades dos alunos com os temas de botânica. Diego, então, teve a ideia de criar um espaço online em que educadores pudessem compartilhar fotos e informações sobre plantas, enviando tarefas para seus alunos.

O intuito era fazer com que o aplicativo funcionasse como uma caça ao tesouro, em que cada estudante pudesse procurar, por exemplo, uma planta na sua região e postar fotografias.

Semeando e Desenvolvendo ideias

O projeto começou a ganhar raízes com a chegada dos estudantes Júlio Cesar, Rafael Nunes e Alexsandro Silva – do 2º ano do Ensino Médio Técnico em Jogos Digitais – e de Lucas Luan, aluno do técnico de Manutenção de Suporte de Informática.

Com o objetivo de trabalhar o tema das plantas e pensando no público jovem, engajado em redes sociais, o grupo começou a pensar formas de transformar a experiência no aplicativo em algo dinâmico.

Com a equipe completa, a empreitada subiu de nível: o app virou rede social.

Maratona UNICEF SAMSUNG 2018

Com o plano em mãos, enviaram o projeto para a Maratona UNICEF SAMSUNG, que é uma iniciativa que reúne estudantes de escolas públicas, professores, designers e programadores para desenvolver aplicativos voltados para turmas do ensino fundamental.

A emoção foi grande quando a equipe descobriu que era uma das 31 selecionadas.

Compartilhando conhecimento

Os alunos, que já tinham aulas de programação desde o início do Ensino Médio, começaram com os trabalhos. Aos poucos, o APPlanta foi tomando forma.

Participando da mentoria pedagógica oferecida pela Maratona, o projeto do grupo ficou cada vez mais dinâmico e acessível para o público.

“Coisas como o tamanho da letra e o uso da cor pra quem tem problemas com baixa visão e daltonismo foram pensadas durante a mentoria. Para essa parte de acessibilidade e do design o programador geralmente não se atenta tanto”, explicou o professor Diego, um dos responsáveis pela ideia do projeto desde o início.

APPlanta: app que virou rede social

Juntando todas as orientações recebidas, depois de meses de trabalho, o APPlanta virou realidade. Ao iniciar o app, o usuário deve fazer uma conta e escolher entre o perfil de professor ou aluno.

No caso do perfil para estudantes, é só cadastrar e-mail e escolher uma senha. Já para o perfil de professor, é preciso enviar uma declaração da instituição em que leciona atestando o cargo para poder ter acesso liberado e criar espaços de discussão com alunos.

Com a conta criada, o aluno pode procurar as salas criadas pelo seu professor ou pode ir diretamente pro feed para postar, curtir, comentar e ver o que já foi compartilhado por outros usuários.

No feed, o aluno também pode interagir e solicitar informações sobre diferentes tipos de plantas – uma verdadeira rede social biológica.

O professor tem acesso às mesmas funcionalidades, mas tem a possibilidade exclusiva de criar salas e enviar atividades para os alunos.

Além disso, ao criar uma sala, os professores podem escolher se ela terá ou não uma senha de acesso – função que permite que apenas aqueles com a senha participem da discussão. Assim, o professor pode criar salas virtuais para turmas específicas com os temas que estão sendo trabalhados em sala de aula.

Regando a semente

A ideia das salas fechadas surgiu durante uma testagem com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, iniciativa que trouxe novas alterações. Meninas e meninos sugeriram que o aplicativo permitisse uma maior quantidade de caracteres na escrita das postagens, ícones mais compreensíveis para o aluno, e também analisaram o layout e o funcionamento.

Depois de regada e podada por quase seis meses, a semente do APPlanta estava pronta para sair de Ponta Porã e crescer em São Paulo.

Conhecimento offline

Na fase presencial da Maratona UNICEF SAMSUNG, a equipe participou de dois dias de visitas técnicas e compartilhamento de conhecimentos na capital paulista.

Ao contrário da rede social, dessa vez a interação foi cara a cara. Os estudantes passaram um dia imersos, trocando ideias com outras equipes finalistas de todo o Brasil e apresentando o projeto.

Era a primeira vez dos meninos fora da cidade natal, Ponta Porã. “Eu achei muito bom que nos classificamos para a fase final da maratona, porque nós fomos a única escola estadual selecionada”, se orgulha Alexsandro Silva, um dos membros da equipe.

“Representando a escola estadual, podemos dizer que nós podemos muito mais”, concluiu o estudante.

De volta ao MS, o APPlanta cresce

Voltando para casa, mais ideias surgiram. O app segue ativo e a equipe pretende melhorá-lo, acrescentando ferramentas de acessibilidade como comando de voz.

Além disso, ainda como forma de ampliar e melhorar o APPlanta, os estudantes pretendem promovê-lo em outras redes sociais e em escolas para capturar um maior número de usuários e realizar melhorias baseadas na experiência de cada aluno.

A volta para casa também provocou um impacto gigante na Escola Estadual Adê Marques. A equipe percebeu o aumento do interesse dos estudantes para cursar o ensino técnico em Jogos Digitais – curso que antes, segundo eles, não tinha alto percentual de interesse.

“As pessoas viram o reconhecimento que ganhamos depois da maratona. Neste ano, muitos alunos queriam entrar em uma nova sala, e eles também estavam motivados para se inscrever”, conta o estudante Júlio César, um dos membros da equipe do APPlanta.

Inovação e Educação

O professor Diego se orgulha da experiência, que trouxe frutos tanto para os membros da equipe quanto para a escola estadual, e conta que mais quatro projetos inovadores já foram criados para ser desenvolvidos.

“Os meninos viram o que a inovação e educação podem fazer, que podem nos levar para outros lugares, para ter novas experiências. Acho que hoje eles têm uma cabeça muito diferente”, relatou o professor.