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Para validar o uso dos drones na coleta de dados de GEE, foram feitos testes no entorno do campus da USP em São Carlos. Fotos: Antonio Daud | EESC

Os órgãos de prevenção e combate a incêndios florestais de São Carlos, no interior paulista, poderão contar, em breve, com uma ajuda para detectar mais rapidamente focos de queimadas e combatê-los antes que tomem maiores proporções e não possam ser debelados. Isso porque está em desenvolvimento um drone capaz de medir gás carbônico e metano no ambiente e, desta forma, detectar focos de incêndio rapidamente.

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Dotados de sensores de gases, combinados com sistemas de inteligência artificial, os novos drones são fruto do trabalho de pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP. O modelo poderá ser usado, sobretudo, para detectar incêndios florestais.

“Já temos interação com a Defesa Civil, a Prefeitura e a Secretaria de Meio Ambiente de São Carlos e submetemos uma proposta para avaliar o uso dos drones que estamos desenvolvendo para identificar focos de incêndio no município”, disse Glauco Augusto de Paula Caurin, professor da EESC e coordenador do projeto, à Agência Fapesp.

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O drone capaz de medir gás carbônico e metano no ambiente foi apresentado no dia 11 de junho durante a sessão de aeronáutica da Fapesp Week França, que aconteceu na capital da região da Occitânia, no sul da França.

Como funciona o drone

Os drones possuem pequenos sensores de baixo custo, desenvolvidos pelos pesquisadores, que são capazes de detectar de modo seletivo e medir continuamente as concentrações na atmosfera de gás carbônico e metano, além de outros parâmetros, como a temperatura e a umidade, a partir do ar que flui dentro da aeronave. “Realizamos diversos ajustes para integrar sensores de gases específicos, que funcionam em conjunto como um nariz eletrônico”, detalhou Caurin.

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lauco Augusto de Paula Caurin é professor da EESC-USP e coordenador do projeto. Foto: Maisa Cietto.

Os dados de concentração de gases coletados pelos sensores são então analisados por sistemas de inteligência artificial, que permitem identificar suas fontes de emissão. Dessa forma, é possível detectar em um ambiente durante o sobrevoo dos drones a presença de gás carbônico e gases traços, como o metano, que são liberados durante uma queimada.

“Os drones permitem detectar muito mais rapidamente focos de incêndio florestais em comparação com os satélites, por exemplo. Dessa forma, é possível que as autoridades possam agir de forma mais ágil para controlá-los”, avaliou Caurin.

Monitoramento de emissões poluentes

Por meio de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), financiado pela fundação em parceria com a Shell, os pesquisadores avaliaram nos últimos anos o uso de drones para o monitoramento de gases de efeito estufa (GEE).

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Os resultados dos testes indicaram que os drones são eficientes e podem ser uma alternativa mais barata em comparação com os métodos usados hoje para essa finalidade, como satélites, aviões de pesquisa e torres de observação.

incêndios Pantanal
Foto: Joédson Alves | Agência Brasil

Em vez de realizar um único voo para coleta de dados por meio de um avião de pesquisa, é possível fazer diversos sobrevoos com drones, comparou o pesquisador Caurin. Também é possível delimitar melhor um local de interesse de coleta de dados em comparação aos satélites, que passam e rastreiam uma determinada área a cada dois dias, por exemplo.

Outra vantagem do uso de drones em comparação com esses métodos é a possibilidade de variar a altura para a coleta de dados. “Por meio da coleta de dados de gases de efeito estufa com drones, em vez de uma média de gás carbônico ou de metano em uma superfície, é possível obter o volume de distribuição desses gases em uma determinada região”, afirmou.

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“Hoje, mesmo com o uso dos melhores satélites, não conseguimos obter essa informação volumétrica. Com os drones, a coleta de dados de gases de efeito estufa deixa de ser uma superfície ou mapa da região e passa a ser uma informação volumétrica”, explicou.

De acordo com o pesquisador, a despeito de apresentarem ótimo desempenho, os drones comerciais existentes hoje são capazes de voar entre 15 minutos e meia hora. Por isso, ainda são inviáveis para sobrevoar grandes áreas, como a de florestas. Por meio de projetos de pesquisa em aerodinâmica, o grupo pretende tornar os equipamentos mais eficientes, capazes de voar por mais tempo e cobrir áreas maiores.

Para validar o uso dos drones para coletar dados de GEE, os pesquisadores realizaram testes no entorno do campus da USP, em São Carlos, situado entre uma região de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado. “No futuro, com um equipamento mais apto, pretendemos fazer missões na Amazônia”, diz Caurin.

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Por Elton Alisson | Agência Fapesp