Do alto, parece um mar azul com pequenos pontinhos brancos. Mas, quando olhamos mais de perto, cada ponto é uma tartaruga verde nadando em direção à praia para desovar – cerca de 64 mil animais.

Em dezembro de 2019, pesquisadores que trabalham no Projeto de Restauração da Grande Barreira de Corais em Raine Island, fizeram este vídeo como forma de mostrar uma outra maneira de contabilizar as tartarugas verdes (Chelonia mydas) nadando para chegar ao local de desova.

Raine Island é considerada a maior colônia de tartarugas verdes do mundo, de acordo com a Great Barrier Reef Foundation. Nos anos anteriores, os pesquisadores usaram uma metodologia diferente de trabalho. Eles fizeram marcas com tinta atóxica nos cascos das tartarugas que estavam desovando na praia e contaram manualmente os animais no mar.

“De um barco pequeno, contávamos quantas tartarugas pintadas e não pintadas conseguíamos ver, mas os olhos eram atraídos com mais facilidade para as tartarugas com as marcas brancas, o que reduzia consideravelmente a precisão dos dados”, explica Andrew Dunstan, do Departamento de Meio Ambiente e Ciência do Governo de Queensland.

O uso do drone se mostrou muito mais eficiente. Os pesquisadores analisaram cada frame do vídeo, e contabilizaram com mais precisão o número de tartarugas marcadas e não marcadas. Os resultados do estudo foram publicados no jornal Plos One.

Vista aérea das tartarugas em Raine Island. Foto: Christian Miller

“Com os dados do drone comparados com as contagens anteriores, pudemos constatar que nossos números estavam errados em um fator de 1,73”, diz Richard Fitzpatrick, cientista coordenador da Oceans Foundations e co-autor da pesquisa. “Usamos este fator para corrigir dados anteriores. O que antes tomava muito tempo dos pesquisadores, pode ser feito por um operador de drone em menos de uma hora”.

Espécie ameaçada

As tartarugas verdes são uma espécie ameaçada de extinção, mas nos últimos anos contatou-se um certo aumento no número de desovas, que os cientistas atribuem ao trabalho de conservação e ao monitoramento de atividades pesqueiras.

Em Raine Island a quantidade de fêmeas desovando cresceu consideravelmente. Nas últimas duas temporadas, cerca de 20 mil tartarugas desovaram no local. Nesta temporada o número chegou a 64 mil.

Tartarugas descansando em Raine Island. Foto: Christina Miller

Trabalho nas praias

Para garantir que as fêmeas continuem vindo ao local, a equipe do Projeto de Recuperação de Raine Island está trabalhando para tornar as praias mais habitáveis para espécie. “Raine Island é local que abriga a maior quantidade de tartarugas verdes para desova no mundo e por isso estamos trabalhando duro para recuperar este habitat tão importante”, relata Anna Marsden, diretora da Great Barrier Reef Foundation.

“Estamos em ação para melhorar e restaurar as praias usadas na desova e construindo barreiras para impedir que as tartarugas morram, tudo para aumentar a resiliência da ilha e garantir a sobrevivência das tartarugas verdes e de várias outras espécies, completa Anna.

Com informações de Mongabay