Unindo a boemia carioca à sustentabilidade no bairro mais movimentado do Rio de Janeiro, a cervejaria Kona, da Ambev, e a startup Green Mining desembarcaram na Lapa para uma iniciativa de logística reversa para solucionar um dos principais problemas da região: a dificuldade dos bares e restaurantes em descartar corretamente as garrafas e embalagens de vidro. Em apenas um mês, a ação já conta com 50 bares participantes e recolheu 8,4 toneladas de vidro que serão reencaminhas à linha de produção.

Como funciona

Um coletor percorre a Lapa colhendo as garrafas de vidro dos estabelecimentos parceiros e levando-as para uma central de recebimento no bairro. Posteriormente, o material é encaminhado à fábrica de vidros da própria Ambev, onde é processado e transformado em novas garrafas. A coleta é feito com triciclos, ou seja, zero emissão de gás carbônico.

Para a gerente de marketing da cervejaria, Carolina Aguiar Ventura, a havaiana Kona tomou a iniciativa com um trabalho proativo. “O Havaí e o Rio de Janeiro possuem muitas similaridades, até por isso, consideramos as cidades como ‘Sister Cities’. Assim como em nossa terra natal, temos uma grande preocupação com a sustentabilidade e com o descarte correto dos materiais. Essa iniciativa visa ajudar os comerciantes da Lapa e também a conscientizar as pessoas sobre esse assunto”, afirmou Carolina.

Projeto Green Mining

A Green Mining é uma startup paulistana que desenvolveu um sistema de otimização de hubs para a coleta de vidro. A iniciativa, presente também em São Paulo e Brasília, já encaminhou para reciclagem mais de 315 toneladas de vidro, evitando a emissão de mais de 52 toneladas de CO2 desde o início da ação, em dezembro do ano passado.

Veja aqui o projeto em São Paulo: Em um mês, cervejaria recolhe mais de 7 toneladas de vidro em bares.

Rastreabilidade

A eficiência dessa economia circular é baseada em um sistema de certificação que é feito em todas as fases do processo garantindo que todo o material coletado chegue ao seu destino de maneira correta.

Foto: Divulgação/Green Mining

“Todas as informações são registradas em aplicativo por cada coletor, que recebe um smartphone para realizar o trabalho. Com informações como data e local da coleta, quilos e destinação dos recicláveis, o sistema permite, também, rastrear o percurso de cada triciclo, garantindo a transparência da informação”, afirma o CEO da Green Mining.

Sem precariedade

Um dos pilares da iniciativa é contratar, formalmente, ex-catadores de rua, que são capacitados pelo programa “Reciclar para Capacitar”, da Amlurb, e registrar em carteira de trabalho, com todos os direitos garantidos e EPIs (Equipamentos de proteção individual).

Trabalhadores e triciclo da Green Mining
Da esquerda pra direita: coletores Julio Lima, Antonio Gomes e o supervisor Julio Chagas. | Foto: Divulgação/Green Mining