O cenário é um refeitório industrial. À mesa, hortaliças frescas, 100% livres de agrotóxicos, colhidas no dia, logo ali, no quintal da fábrica. A novidade, inédita no mundo, é uma parceria entre a Mercedes-Benz do Brasil e a startup BeGreen. A iniciativa está beneficiando os mais de 8.000 funcionários, além de suas famílias, uma vez que a produção é vendida a preço promocional e pode ser levada para casa.

Segundo as empresas, esta é a primeira Fazenda Urbana do mundo instalada dentro de uma indústria. A iniciativa de plantar hortaliças em um parque fabril dedicado à produção de caminhões e ônibus tem como foco principal proporcionar uma alimentação de mais qualidade aos colaboradores. É a aplicação do conceito “farm to table”, ou seja, da fazenda para a mesa com a procedência dentro de casa.

A startup BeGreen também opera uma Fazenda Urbana dentro de um shopping center em Belo Horizonte (MG).

Fazenda urbana

Estima-se que cerca de 2,7 mil quilos de hortaliças ou 44 mil pés de verduras, ervas e temperos serão colhidos ao mês. Entre os cultivos estão alface baby (verde e roxa), rúcula, espinafre, agrião, chicória, salsinha, hortelã, cebolinha, coentro e manjericão já são cultivados no local que, em breve, também iniciará a produção de tomate e berinjela.

A estufa terá a maior parte da colheita destinada aos restaurantes da fábrica de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, mas uma parcela será reservada para os colaboradores que quiserem comprar os alimentos e levar para casa para preparar nas refeições com a família. Os interessados podem fazer uma assinatura mensal que garante uma cesta de alimentos semanalmente.

As ONGs parceiras da empresa também serão beneficiadas pelo projeto. De acordo com o volume, as verduras podem ser doadas para instituições como a “Hamburgada do Bem” e a Instituição Assistencial Meimei – IAM, que atendem crianças e adolescentes carentes.

“O projeto reúne vários pilares que norteiam todas as atividades do Grupo Daimler, como inovação, sustentabilidade, saúde e responsabilidade social”, ressalta Carlos Santiago, vice-presidente de Operações da Mercedes-Benz do Brasil.  

Aquaponia e aeroponia

A combinação das técnicas de aquaponia e aeroponia com o uso de tecnologias como a luz de LED e software de gestão garante a produção em larga escala em um curto espaço de tempo. A aquaponia integra a criação de peixes com a produção de plantas, adotando a água como meio comum. Os peixes ficam em um tanque e são alimentados com ração orgânica, e uma bomba transfere a água do tanque, já rica em nutrientes, até o sistema de hidroponia, em que são cultivadas as hortaliças.

A água é então purificada pelas plantas e, por meio da mesma bomba é devolvida ao tanque dos peixes, fechando o ciclo. As vantagens da aquaponia são o baixo consumo de energia elétrica e a economia de 90% de água em relação à agricultura convencional. O método de cultivo também dispensa o uso de fertilizantes e pesticidas químicos.

Já o sistema de aeroponia, que foi desenvolvido em parceria o SENAI CIMATEC da Bahia, o Sebrae e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e a BeGreen, segue o mesmo princípio da aquaponia, com a diferença de que as raízes das hortaliças ficam suspensas no ar. Nesse método, a água que provém dos peixes chega às plantas após um processo de nebulização, umedecendo as raízes com uma névoa repleta de nutrientes.

“Com a aeroponia, é possível quadruplicar a produtividade na estufa, ampliando os benefícios da alimentação saudável para os colaboradores, suas famílias e a comunidade”, explica Carlos Santiago.

Tecnologia

Um software desenvolvido exclusivamente para o projeto faz o monitoramento, a operação e a gestão de todos os processos. A tecnologia permite controlar a temperatura, a luminosidade, a umidade, a condutividade e o PH da água. O sistema é online e possibilita o acompanhamento em tempo real de qualquer dispositivo conectado à internet.

Fazendas Urbanas pelo mundo

Atualmente, a maior Fazenda Urbana em cobertura de edifícios do mundo fica em cima de uma fábrica, em Chicago, nos Estados Unidos, e produz anualmente cerca de 10 milhões de cultivos. No Canadá, uma antiga fábrica de gás também ganhou novo uso virando uma fazenda urbana. A cidade de Paris, na França, também está planejando criar  a maior fazenda urbana em cobertura do mundo, em uma área de 14 mil metros quadrados.

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Arquiteta e urbanista com formação em desenvolvimento sustentável pela University of New South Wales, em Sidney, Austrália. Fundou o CicloVivo em 2010 com a proposta de falar sobre sustentabilidade de forma divertida e descomplicada. Acredita que o bom exemplo é a melhor maneira de influenciar pessoas e que a simplicidade é a chave para vivermos em harmonia.