Salvador inaugura trilha de abelhas nativas sem ferrão

Com o espaço aberto ao público, crianças terão a oportunidade de aprender desde cedo sobre a importância das abelhas

Salvador abelhas
O espaço abriga dez caixas de abelhas de cinco espécies nativas da Mata Atlântica. | Foto: Bruno Concha | Secom PMS

As abelhas têm um papel fundamental no meio ambiente para o equilíbrio do ecossistema e a produção de alimentos. A cidade de Salvador, que possui iniciativas de estímulo à criação de abelhas nativas sem ferrão, acaba de inaugurar um Meliponário Municipal em seu Jardim Botânico. Intitulado “A Trilha das Abelhas”, o projeto é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Sustentabilidade e Resiliência (Secis) e se soma aos roteiros já existentes no mesmo local.

O espaço abriga dez caixas de abelhas de cinco espécies nativas da Mata Atlântica. “Este é um espaço destinado a educar o público sobre a espécie e sobre a conscientização ambiental”, afirma o secretário da Secis, Ivan Euler.

Uruçu-nordestina
Uruçu-nordestina. | Foto: Dayse Euzébio

O local estará aberto para visitação pública durante o horário de funcionamento do parque, das 8h às 17h. “As crianças terão a oportunidade de aprender desde cedo sobre a importância das abelhas. Teremos um agendamento especial para escolas, com o acompanhamento de um técnico que guiará os visitantes, demonstrando e explicando todos os detalhes”, explica o diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam), João Resch, do qual o Jardim Botânico integra.

O nutricionista e apicultor Daniel Cady, dono de uma criação de mais de 300 mil abelhas, esteve presente no lançamento da “Trilha das Abelhas”. Para ele, esse contato com as abelhas é terapêutico. “Costumo dizer que o local onde criamos as abelhas é um ambiente de cura. É fundamental promover uma alfabetização ecológica, tanto para adultos quanto para crianças, a fim de reconectar-nos com a natureza. Muitas vezes, desconhecemos a importância das abelhas, e é necessário preservar e divulgar esse conhecimento e cultura de forma coletiva”, diz.

Abelhas em Salvador

Desde 2020, a prefeitura de Salvador tem espalhado os meliponários em hortas comunitárias urbanas, como forma de aumentar a produção de espécies vegetais, por meio da polinização, e evitar a extinção das abelhas nativas. Uma das espécies beneficiadas é a Uruçu, que é típica na região do Nordeste e sofre com o desmatamento e o uso de agrotóxicos.

Salvador abelhas
Foto: Bruno Concha | Secom PMS

Os meliponários são estruturas formadas por caixas onde as colônias de abelhas são criadas. Cada meliponário possui capacidade para mais de 350 abelhas. As caixas de madeira possuem base de sustentação de eucalipto, para ajudar na fixação da estrutura e telha de proteção. Para manter as abelhas protegidas são utilizadas folhas de acetato e esponjas com óleo queimado em torno da estrutura, para não atrair formigas, lagartixas e outras espécies que podem danificar as estruturas.

Salvador abelhas
Foto: Bruno Concha | Secom PMS

Além disso, as caixas recebem cuidados de limpeza e são envolvidas por fitas adesivas para manter a temperatura. Possuem ainda camadas protetoras de geoprópolis (mistura de barro e própolis) produzido pelas abelhas. O mel produzido fica armazenado como reserva alimentar para as próprias abelhas dentro da caixa.