ForestaMi
Foto: Craig Bradford | Unsplash
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Um ambicioso projeto de reflorestamento urbano está em curso em Milão. O objetivo é plantar três milhões de árvores até 2030 – levando mais áreas verdes para espaços públicos e privados – a fim de mitigar os efeitos das mudanças climáticas. 

Ruas, praças, telhados e fachadas residenciais: o plantio deve tomar conta de todos os cantos da cidade que quer se tornar a “Capital Verde da Itália”. Batizado de ForestaMi, o projeto é promovido pela gestão municipal e pelo Conselho Regional da Lombardia. Trata-se do resultado de uma pesquisa realizada pela Universidade Politécnica de Milão. Por dois anos, de 2018-2020, o estudo buscou entender a situação atual do território da cidade e sua vegetação urbana. 

“Em primeiro lugar, o estado e a porcentagem de cobertura da vegetação natural foram analisados ​​e avaliados, chegando-se a uma cobertura estimada do dossel (a área ocupada pelas copas das árvores em todo o território) de 16%. O estudo subsequente de vazios urbanos (zonas que sofrem de falta de vegetação natural) lançou luz sobre o potencial para iniciativas de replantio e possíveis projetos-piloto”, detalha o site oficial da iniciativa. 

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Além de mapear áreas estratégicas de plantio, a pesquisa também aponta quais atividades precisam ser colocadas em prática a curto prazo (até 2023), tais como a “realização de estudos sobre o impacto da silvicultura urbana na saúde e no bem-estar psicofísico da população”. 

Uma das metas objetivas do ForestaMi é aumentar a cobertura da copa das árvores em 5%, passando de 16% para 21% em toda a área metropolitana até 2030. 

O trabalho é grande e busca envolver entidades públicas, associações, empresas privadas, além, é claro, da própria população. 

Visão estratégica 

Com 268 páginas, o estudo agora serve de guia para o desenvolvimento de políticas e estratégias florestais urbanas. Entre os pontos a serem desenvolvidos, podemos destacar: 

  • Criar uma infraestrutura verde na cidade metropolitana por meio do estabelecimento de uma rede de corredores verdes e azuis para conectar parques, florestas, agricultura e arquitetura verde;
  • Melhorar a agricultura urbana e periurbana e promover a criação de hortas urbanas;
  • Promover a transformação de pátios escolares, universidades, vazios urbanos de condomínios e hospitais em oásis verdes
  • Aumentar o número e as superfícies de telhados verdes;
  • Recuperar solos abandonados e poluídos por meio de processos de fitorremediação.
 Foto: Andrea Ferrario | Unsplash

Em suma, são medidas que podem facilmente inspirar outros gestores públicos, sobretudo, das grandes cidades. Uma das questões citadas, que atingem inúmeras áreas urbanas, é o efeito “ilha de calor”, que pode ser amenizado com o plantio de árvores: ajudando a refrescar os bairros e reduzir o uso de ar condicionado. 

O programa ForestaMi é considerado por seus desenvolvedores a “maneira mais eficaz, econômica e envolvente de desacelerar o aquecimento global, reduzir o consumo de energia e limpar o ar, melhorando assim o bem-estar dos cidadãos”. Ou seja, reconhecem os benefícios ambientais, econômicos e até mesmo para a saúde mental. 

Desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de profissionais, entre ecologistas, paisagistas, agrônomos, engenheiros florestais, planejadores urbanos, sociólogos, pedólogos e engenheiros, a pesquisa científica teve a coordenação de Stefano Boeri, aclamado arquiteto do mundialmente famoso bosque vertical, e pode ser conferida na íntegra aqui

Por enquanto, já foram plantadas mais de 280 mil árvores. Você confere o andamento do programa no site oficial da iniciativa

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