Há quase dois meses, o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, compartilhava o vídeo #MilãoNãoPara. Criada por uma associação de bares e restaurantes, a campanha pedia a continuidade das atividades comerciais durante a pandemia. Um mês depois, morria quase mil pessoas por dia na Itália, sobretudo na região da Lombardia, cuja capital é Milão. O prefeito admitiu o erro, a estratégia mudou e promete mudar ainda mais. Um dos grandes destaques é o plano de reduzir o uso do carro.

O plano, intitulado “Milão 2020, estratégia de adaptação”, possui 17 páginas e está sujeito a mudanças. Entre as medidas urbanísticas, prevê-se a inclusão de mais ciclovias, ampliação de calçadas e redução dos limites de velocidade a 30 km/h em algumas vias.

Também sugere a recuperação das áreas de estacionamento de carros para o uso de bares e restaurantes. Desta forma, os estabelecimentos podem colocar mais mesas em suas áreas externas.

A ideia é facilitar a possibilidade das pessoas continuarem a cumprir o distanciamento social. Além disso, haverá mais estímulo ao uso do espaço público ao ar livre -, sobretudo de áreas verdes.

Ao total, são cerca de 35 km de ruas a serem transformadas em espaços para pedestres e ciclistas.

O projeto fala de “perseguir os objetivos relacionados à transição ambiental”. Entre eles, a descarbonização e o favorecimento de ações de resiliência energética, climática e de emergência.

Outro ponto interessante levantado é que é preciso garantir o acesso a qualquer serviço em um raio de 15 minutos a pé. Seria um movimento de revalorização do comércio local.

Plano antecipado

O plano foi chamado de ambicioso pelo The Guardian. Em entrevista ao jornal britânico, o assessor de área urbanística de Milão, Pierfrancesco Maran, afirmou que as metas estão antecipando algo que já era previsto. “Antes, planejávamos para o ano de 2030; agora, entramos numa nova fase, e estamos pensando em 2020 mesmo. Em vez de pensar no futuro, temos que imaginar o tempo presente”.

Há um grande receio de que no retorno ao trabalho, residentes priorizem o carro em detrimento ao transporte coletivo. A situação é compreensível, afinal a população traumatizada quer evitar contaminações. Porém, além do impacto no trânsito, há a preocupação com a qualidade do ar – que durante este período melhorou em grandes capitais do mundo. O plano de Milão então é promover os meios individuais de mobilidade menos prejudiciais, como bicicletas, scooters e veículos elétricos.

As experimentações vão começar na Corso Buenos Aires, que é uma importante rua comercial de Milão. A partir desta segunda-feira (27), às propostas estão abertas para contribuição dos cidadãos por meio do site do governo.

A gestão municipal considera que haverá uma mudança radical no estilo de vida dos cidadãos e na organização das cidades. Portanto quer estar preparada para gerenciar novas medidas de contenção -, em um momento em que ainda não vacina ou nada que garanta a erradicação da doença.

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