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Mulher em árvore, no Parque no Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo. Foto: André Ravazzi | Unsplash

Cada vez mais as pessoas se concentram em grandes centros urbanos. As cidades estão cheias de gente e possibilidades, mas isso está longe de significar que sejam um ambiente acolhedor. A solidão e a ansiedade estão presentes na vida de quem vive na correria das “selvas de pedra” e, para ajudar a aliviar estes sentimentos, a resposta está na natureza.

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Muitos estudos já foram publicados, mostrando como o contato com a natureza afeta positivamente a nossa saúde. Ouvir o canto dos pássaros, colocar a mão na terra, passar algum tempo do nosso dia em contato com o verde – tudo isso traz benefícios para o nosso bem-estar físico e mental. E agora, pesquisadores mostraram que as áreas verdes ajudam também a amenizar o sentimento de solidão.

Solidão, uma epidemia

De acordo com o Dr. Vivek Murthy, Cirurgião Geral dos Estados Unidos durante o mandato de Barack Obama, a “epidemia de solidão” global é uma consequência esquecida da vida urbana que acarreta sérios riscos de redução do tempo de vida.

“A solidão está associada a um risco maior de doenças cardíacas, depressão, ansiedade e demência”, disse Vivek. “No trabalho, está associada a reduções no desempenho das tarefas. Isso limita a criatividade e prejudica outros aspectos da função executiva, como a tomada de decisões”.

parque augusta
São Paulo – Abertura para o público do Parque Augusta – Prefeito Bruno Covas, no centro da capital.

Muitos pesquisadores apresentaram soluções para combater a solidão, como redesenhar a arquitetura urbana para ajudar a facilitar as interações sociais ou tornar mais fácil para as pessoas terem animais de estimação. E agora um novo estudo recomenda adicionar a natureza à mistura. 

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Conexão e natureza

As descobertas foram publicadas na revista Scientific Reports e incluem a revisão das avaliações fornecidas por mais de 750 residentes do Reino Unido que se ofereceram para usar um aplicativo de smartphone personalizado por duas semanas. 

Os participantes foram consultados aleatoriamente três vezes por dia, durante as horas de vigília, usando uma técnica chamada de “avaliação ecológica momentânea”. Além de questionamentos sobre superlotação e percepção de inclusão social, os voluntários foram questionados sobre seu entorno natural: “Você está vendo árvores agora?”; “Você consegue ver as plantas agora?”; “Você pode ver ou ouvir os pássaros agora?”; e “Você pode ver a água agora?”.

Sentimentos de “solidão momentânea” foram então classificados em uma escala de cinco pontos. 

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Área verde em Nova Iorque. Foto: Carl Newton | Unsplash

De acordo com as mais de 16,6 mil avaliações recebidas, ambientes superlotados aumentaram os sentimentos de solidão 38%, independentemente da idade, sexo, etnia, nível de educação ou ocupação – quanto mais pessoas ao redor, mais a sensação de solidão crescia. 

Já quando as pessoas interagiam com espaços verdes, ouviam os pássaros ou olhavam para o céu, a percepção da solidão caiu 28%. A inclusão social, definida pela equipe de pesquisa como se sentir bem-vindo por um grupo ou compartilhar valores semelhantes, também diminuiu a solidão em 21%.

“Se a solidão for diminuída pelo contato com a natureza, melhorar o acesso a espaços verdes boa qualidade, como parques e rios, em áreas urbanas densas pode ajudar as pessoas a se sentirem menos solitárias”, destacam os cientistas.

“A natureza é um componente crítico porque, acredito que no fundo de nossas almas, existem conexões realmente profundas com as forças naturais.”

Johanna Gibbons, arquiteta e paisagista
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Foto: Larm Rmah | Unsplash

A arquiteta e paisagista Johanna Gibbons, membro da equipe de pesquisa do estudo, explica que as cidades são provavelmente o único habitat global crescendo em um ritmo rápido. “Portanto, devemos criar habitats urbanos onde as pessoas possam prosperar”, disse ela. 

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