Dirigindo um carro elétrico e pensando em uma cidade melhor

Nossa editora experimentou um veículo elétrico pelas ruas de São Paulo e, enquanto dirigia o BYD Dolphin, questionou algumas escolhas

mobilidade urbana carro à combustão
Foto: Natasha Olsen | Arquivo Pessoal

Pode parecer estranho começar esta matéria sobre a experiência de dirigir um carro elétrico inovador com uma foto minha ao lado de um carro à combustão de 2006. Esse é o meu carro e acho importante iniciar este relato dizendo que para mim, e para a grande maioria da população brasileira, os carros elétricos ainda não são uma compra acessível.

Talvez por isso, começar minha experiência com carros elétricos em um BYD Dolphin tenha sido uma feliz coincidência. Acredito que para um produto ter um impacto positivo, ele precisa ser uma possibilidade para um número significativo de pessoas. Com um valor em torno de R$ 150 mil, o modelo da BYD não é exatamente “popular”, mas foi o veículo elétrico que chegou ao Brasil com um preço competitivo, similar inclusive a opções à combustão.

Com um bom custo-benefício, o veículo se tornou o carro elétrico mais vendido do Brasil em pouco tempo. Em 2023, 608 carros foram emplacados e, até maio de 2024, esse número já chegou a 8095. Na sequência, a BYD lançou o Dolphin Mini, modelo menor, mais urbano e mais barato (cerca de R$ 115 mil) e vendeu 7734 veículos em 2024.

Sei que o veículo individual não é a opção mais sustentável de transporte, mas é positivo que entre carros movidos à combustíveis fósseis e veículos híbridos ou elétricos, as pessoas possam optar por aqueles que emite menos gases de efeito estufa.

BYD Dolphin
Saber que nosso deslocamento não gera poluentes no trajeto é um dos pontos positivos de dirigir um carro elétrico. Foto: Natasha Olsen | Arquivo Pessoal

E, além de ser menos poluente, o veículo elétrico é muito mais confortável – em vários sentidos. A primeira diferença, gritante, foi a ausência do barulho do motor. Estamos acostumados com a vibração e ruídos “naturais” dos carros e é muito melhor dirigir um veículo silencioso que parece deslizar sobre o asfalto. O som do rádio pode ficar mais baixo, os barulhos externos são mais perceptíveis e, no final do dia, o cansaço é menor.

A aceleração também é melhor, mais forte. O freio parece responder mais rápido e a sensação de segurança também aumenta. A adaptação a um carro que responde com muito mais agilidade demora um tempo, mas é fácil se acostumar com o que é mais eficiente.

O conforto também vem obviamente da troca de um veículo 2006, com todas as consequências dos anos rodados, por um modelo novo. E aí entra também a tecnologia. É possível controlar várias funções do carro por controles na direção ou na tela multimidia, enorme e que pode rodar para as posições vertical e horizontal de acordo com a preferência de quem dirige.

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A tela multimídia e as câmeras trazem mais segurança e facilidade para manobras e estacionamento. Foto: Natasha Olsen | Arquivo Pessoal

E, para mim, o carro elétrico trouxe um outro conforto importante: saber que o meu deslocamento não estava gerando CO2 e contribuindo para o aquecimento do planeta. No dia a dia, opto pelo metrô, ônibus ou caminhadas, no caso de pequenas distâncias. Aplicativos de transporte e veículos compartilhados também vêm antes da opção de usar o carro individual. Já experimentei uma bicicleta elétrica e achei bem bacana.

Mas, com o carro elétrico, me sentia mais tranquila para ir e vir, sabendo que não estava poluindo (ainda mais) o ar da cidade onde vivo.

Volto a dizer que veículos individuais não são os modais mais sustentáveis. Além de mudar a maneira como “rodamos”, precisamos de cidades com um planejamento mais inteligente e justo, em que os grandes deslocamentos não sejam uma imposição para quem precisa trabalhar e usar serviços básicos como educação, comércio, saúde e lazer.

Mas, rodando com o BYD Dolphin por uma semana, me perguntei como seria uma cidade em que os veículos não fizessem barulho, não emitissem CO2 e fossem mais acessíveis. Trocar os carros à combustão, por carros híbridos ou elétricos não resolveria o problema do trânsito. Mas, uma cidade com veículos eletrificados seria um lugar com menos poluição sonora e menos poluição atmosférica – e isso seria muito bom.

carro elétrico BYD
Foto: Divulgação | BYD

Abastecimento e infraestrutura

No período em que fiquei com o BYD Dolphin, precisei recarregar a bateria uma única vez. Entre os benefícios oferecidos para quem compra o carro está o wallbox (estação de carregamento) e o carregador simples como brindes. O wallbox pode ser instalado em casas ou condomínios por um eletricista e permite que o veículo seja carregado sem nenhum problema. Já o carregador simples pode ser ligado à uma tomada 220V comum, desde que seja aterrada.

Para uma carga de 80% da bateria, são necessárias cerca de 6 horas no wallbox, 14 horas com o carregador simples e apenas meia hora em um carregador rápido, disponível em hubs de abastecimentos e eletropostos. É fato que carregar um carro elétrico demora mais tempo do que abastecer um veículo à combustão. Mas, o valor pago é muito menor – uma economia de aproximadamente 70%.

carro elétrico BYD
Foto: Divulgação | BYD

Esse valor deve entrar na conta de quem decidiu parar de usar combustíveis fósseis para se locomover. Com os preços de modelos híbridos e elétricos caindo, a conta fica cada vez mais favorável para o consumidor. O seguro também não é caro, já que os roubos de veículos elétricos é mais raro e, em alguns lugares, proprietários de carros eletrificados tem desconto no IPVA e isenção de rodízio municipal.

Híbrido ou elétrico: qual o mais sustentável?

Voltando ao meu carro 2006, vale dizer que o veículo mais sustentável é aquele que você já tem. Cuidar bem do produto que você já comprou (seja ele um carro ou uma roupa), que já foi fabricado e está sendo usado é um dos princípios do consumo consciente. O impacto ambiental começa na fabricação, com a extração e uso de bens naturais, continua no uso dos produtos e segue com o descarte – que gera resíduos.

Por isso, é bom para o planeta e para o seu bolso que a gente cuide bem do que já foi produzido e evite compras recorrentes. Quando falamos de um carro, com tanto impacto ambiental envolvido, esta regra é ainda mais importante.

Mas, quando chegar a hora de comprar um carro novo, me pergunto qual seria a melhor escolha: um veículo 100% elétrico ou um híbrido?  Passei muito tempo sem ter um carro. Pegava emprestado de familiares e amigos quando precisava e sempre consegui ir e vir com transporte público.

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Eletrificar o transporte público e veículos compartilhados é fundamental para uma mobilidade urbana mais sustentável. Foto: Divulgação | 99

Comprei meu carro atual quando precisava fazer viagens longas com frequência, entre Florianópolis e São Paulo. E acho que esta necessidade é determinante para a escolha entre um veículo elétrico e um híbrido.

Para o deslocamento urbano, um veículo elétrico funciona muito bem. Mesmo que não exista uma boa infraestrutura de carregamento, a instalação de um carregador residencial pode resolver este desafio.

Para quem precisa viajar com frequência, por distâncias que superem a autonomia média dos veículos elétricos, um híbrido pode ser uma boa opção já que ainda não temos pontos de carregamento em todas as rodovias e os que existem nem sempre estão disponíveis ou funcionando.

Nesse caso, é importante optar por um modelo híbrido flex, que possa ser abastecido com etanol. Algumas pesquisas apontam inclusive para uma redução maior na emissão de gases de efeito estufa quando comparamos um veículo 100% elétrico e um veículo plugin híbrido flex, que seja abastecido exclusivamente com etanol. Vivendo Brasil, país produtor de etanol, um híbrido flex é também uma opção válida.

BYD Dolphin
Foto: BYD

A BYD deve começar a fabricar veículos híbridos flex no início de 2024, assim que a fábrica brasileira da montadora chinesa entrar em operação – o que estápreviso para o primeiro semestre do ano que vem.

Não sei quando vou trocar meu carro por um novo. Mas com certeza, dirigir um veículo elétrico pelas ruas de São Paulo me fez repensar a maneira como nos deslocamos. Do ponto de vista individual foi uma experiência muito boa. O carro é confortável, silencioso, cheio de recursos e bonito – foi um prazer ir e vir com o BYD Dolphin. Seria ótimo que carros assim fossem uma possibilidade para um número cada vez maior de pessoas.

Do ponto de vista coletivo, a eletrificação do transporte para um futuro melhor precisa incluir ônibus e caminhões. Antes de pensar em carros novos, precisamos repensar nossas escolhas e modo de viver. As cidades do futuro são mais caminháveis, mais pedaláveis, tem planos diretores e um transporte público melhor – e uma ferramenta para construir tudo isso é o nosso voto nas eleições municipais.

Para saber mais sobre o BYD Dolphins, acesse o site da montadora e confira a Ficha Técnica do modelo.

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Foto: Natasha Olsen | Arquivo Pessoal