A aplicação de tecnologias ecológicas pode resultar em um prédio autossustentável e “fora do sistema”. Esta foi a aposta de um grupo ao criar o Centro Infantil Econef, ao pé do Monte Kilimanjaro, a montanha mais alta da África, no norte da Tanzânia. A instituição funciona como uma extensão de um orfanato para crianças que, na maioria dos casos, perderam os pais para o vírus HIV.

Inaugurado em 2014, o orfanato agora também possui espaços de recreação, salas de aula e uma biblioteca. Apesar da construção ter parceria com arquitetos e engenheiros suecos, o respeito por materiais locais e métodos construtivos tradicionais permearam a obra. O prédio é adaptado às condições climáticas, culturais e econômicas locais e priorizou-se, ao máximo, técnicas de baixo custo e soluções que exigem pouca manutenção.

Entre as aplicações, destacam-se a captação de água da chuva, o uso de painéis solares, o aquecimento solar de água, ventilação natural e sanitários ecológicos. Ao redor do centro infantil, há áreas para criação de animais e cultivo de vegetais. Está também em andamento um projeto para produzir biogás a partir dos dejetos de cabras, vacas e porcos.

Fotos: Escritório de Arquitetura Asante

Baobá como inspiração

Com tronco gigantesco, a árvore Baobá pode reter mais de 100 mil litros de água. Tal capacidade é essencial para a espécie que, natural do continente africano, está presente sobretudo em regiões áridas. Assim como esta árvore milenar, o prédio coleta a água que cai do céu usando uma calha central e canaliza-a para dois tanques.

Além dos benefícios óbvios de ter um prédio autossustentável, tudo isso também tem como objetivo reduzir a dependência do orfanato em doações privadas.

O projeto é uma parceria da Econef com os escritórios de arquitetura LÖ&V, Asante, Arquitetos Sem Fronteiras e ainda o Engenheiros Sem Fronteiras.

Fotos: Robin Hayes | Econef