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COP30: entre entregas incompletas e a Amazônia que nunca falha

Depois de cobrir mais uma COP, Reinaldo Canto como foi a experiência de viver a 30ª Conferência do Clima da ONU em Belém

COP30 Belém
Lideranças extrativistas e apoiadores usando porangas na cabeça, participam da marcha “Porangaço dos Povos da Floresta”, evento paralelo à COP30. Foto: Bruno Peres | Agência Brasil

Volto de Belém e da COP30 com aquela sensação agridoce que costuma acompanhar quem acompanha de perto as COPs: a certeza de que ainda entregamos muito menos do que o planeta exige – mas também a convicção de que há sementes potentes sendo plantadas, sobretudo quando a sociedade civil se organiza, se apoia e se fortalece.

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Participei da COP30 representando a Envolverde, em parceria com o CicloVivo, e posso afirmar sem exageros que esse encontro consolidou uma das colaborações mais produtivas e afinadas do jornalismo socioambiental brasileiro. Entre coletivas, entrevistas, análises e muitas horas de sala de imprensa improvisada, reforçamos uma cobertura complementar, plural e comprometida. Em tempos em que a informação confiável é patrimônio e trincheira, essa parceria mostrou força, consistência e – por que não? – afeto pelo ofício.

A Casa do Jornalismo Socioambiental: mais que hospedagem, um território de sentido

Casa do Jornalismo Socioambiental
Imagem: Divulgação

Nossa estadia na Casa do Jornalismo Socioambiental foi outro marco dessa COP. O espaço, que reuniu repórteres, fotógrafos e comunicadores de várias partes do país, virou um laboratório permanente de trocas, reflexões e descompressão. Ali se cozinhavam reportagens e tapiocas, análises e risadas. Era impossível não sentir que estávamos participando de algo maior do que a mera cobertura de mais uma conferência climática.

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Foi naquela casa que percebemos com mais clareza a potência de estarmos juntos: profissionais experientes dividindo o mesmo teto com comunicadores indígenas, jovens repórteres, pesquisadores e ativistas. Aquelas noites de conversa eram tão importantes quanto os painéis oficiais da conferência.

A COP que não entregou tudo – e a cidade que entregou mais do que prometeu

É verdade que a COP30 ficou devendo. O mundo chegou a Belém com urgências que já não cabem mais no futuro, e diplomacias que se acomodam melhor nas notas de rodapé do que na linha de frente das decisões. Faltou ambição, faltou coragem e, principalmente, faltou reconhecer que a conta ambiental já venceu há muito tempo.

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Mas Belém… ah, Belém entregou.

A cidade mostrou uma Amazônia vibrante, generosa, orgulhosa de si e de seu povo. Entre sumaúmas que sombreiam as ruas, o Ver-o-Peso e a Estação das Docas pulsando aromas impossíveis de esquecer e um fervilhar de sotaques e línguas estrangeiras, prevaleceu o calor humano que nenhuma agenda oficial é capaz de traduzir, Belém nos lembrou a razão de tudo isso: proteger a vida em sua forma mais exuberante e essencial.

A hospitalidade foi um capítulo à parte. Nunca faltou uma explicação, um sorriso, uma história. Nos barcos, nas vans, nos bairros, nos mercados, nos auditórios e nos lares improvisados para jornalistas e participantes, o povo paraense mostrou ao mundo que a Amazônia não é cenário: é sujeito.

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cuidado
Foto: Divulgação

Muito ainda por fazer – mas o Brasil está de parabéns

Se a COP não nos deu tudo o que queríamos, Belém nos deu mais do que esperávamos. Volto com a convicção de que o Brasil mostrou, nesta conferência, não apenas seu papel estratégico, mas sua alma: múltipla, forte, diversa, acolhedora e absolutamente indispensável ao futuro climático do planeta.

André Correa do Lago criança munduruku
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, segura criança indígena do povo Munduruku durante manifestação em Belém. Foto: Felipe Werneck | Fotos Públicas

Falta muito – sabemos. Mas também sabemos reconhecer quando um país acerta o tom, quando uma cidade abraça um evento global e quando uma parceria jornalística floresce na adversidade.

A COP30 pode não ter sido perfeita. Mas o Brasil, Belém e a Amazônia estão de parabéns. E nós, comunicadores comprometidos com a causa socioambiental, seguimos firmes, juntos e ainda mais certos da importância de contar essas histórias.

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Reinaldo Canto
O jornalista Reinaldo Canto tem mais de 30 anos de experiência em jornalismo socioambiental.