lingerie roupas íntimas sustentável
Foto: PIxabay

Tudo o que consumimos tem um impacto ambiental, desde a sua fabricação, com o uso de recursos naturais até o descarte, gerando resíduos que muitas vezes se tornam grandes poluidores. Com as roupas íntimas, isso não é diferente.

Como o próprio nome diz, as peças íntimas são de uso individual e, além de não serem compartilhadas,  muitas pessoas não acreditam que elas possam ser reaproveitadas de alguma maneira. Poucas pessoas pensam em doar uma calcinha, por exemplo, acreditando que isso seria algo pouco higiênico.

Essa noção pode ser uma das justificativas por trás de dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), que afirmam que cerca de 170 toneladas de lixo são produzidas, anualmente, apenas pelo setor de roupas íntimas do país. E, ainda de acordo com a instituição, nem metade dessa quantidade é, de fato, reciclada. 

O que fazer então com roupas íntimas que já não usamos mais? A resposta para esta pergunta começa não na hora de descartar, mas na hora que compramos roupas íntimas.

Consumo consciente

A indústria da moda lança novos tecidos, novas modelagens e produtos sem parar. Durante a pandemia, compras online cresceram muito, o que inclui a compra de calcinhas e sutiãs. “Com a pandemia, as visitas no site triplicaram e as vendas aumentaram 300%”, afirma Rayane Rodrigues, representante da marca Vest Rio Lingerie. 

Isso significa, portanto, que mais peças íntimas estão sendo compradas, em um país no qual a reciclagem perde sua força frente às medidas de isolamento social. “No fim da cadeia, a gente acaba fazendo o que consegue – que é minimizar o impacto tentando não jogar no lixo”, lamenta Cristal Muniz, designer de 27 anos, responsável pelo site Uma Vida Sem Lixo.

Foto: Patrick Kool | Unsplash

Ou seja, assim como fazemos com tudo o que compramos, é necessário perguntar, antes de comprar, se o novo produto é realmente necessário. Se for necessário, podemos optar por alternativas mais sustentáveis, com matérias primas naturais que não demorem séculos para se decompor.

Para serem reaproveitadas na natureza, as roupas íntimas precisam ser feitas com matérias primas puras, feitas com o mesmo material. Quando se trata de calcinhas e sutiãs, isso não é tão comum, já que diversas possuem, pelo menos, uma pequena porcentagem de elastano para tornar a peça mais flexível. 

“Os tecidos puros de fibras naturais se decompõem mais rápido, mas normalmente possuem elásticos ou algum detalhe de outro material”, afirma Muniz.

O destino ideal para lingeries feitas 100% de algodão ou linho, sem adornos ou elásticos é a compostagem. Existe a opção de fazer isso em casa, enterrando a peça cortada em pequenos pedaços. Mas é preciso que ela seja natural, inclusive no que se refere ao tingimento do tecido.

Lingeries biodegradáveis

Foto: Divulgação | Liebe Lingerie

A Liebe Lingerie lançou uma linha básica, com materiais nobres e tecido com tecnologia biodegradável. Esse tecido, que pode ser utilizado e lavado normalmente com toda segurança, após o descarte se decompõe no meio ambiente em até três anos.

“O desenvolvimento deste tecido é importante para o presente e também para o futuro de muitas gerações, pois uma lingerie comum fica até 150 anos na natureza”, diz o CEO da marca, Cairo Benevides. As peças são produzidas com o Amni Soul Eco®️, um fio de poliamida 6.6 aprimorado em sua formulação para permitir a decomposição mais rápida após descarte em aterros sanitários.

O mix de produtos traz as linhas Basic Up, com cinco modelos de sutiãs – meia taça, meia taça sustentação, tomara que caia up, meia taça ideal e meia taça lift -, quatro modelos de calcinhas – fio dental drapeado, biquíni bumbum franzido, fio dental bumbum franzido e biquíni drapeado, além da Naked Touch, uma criação minimalista e geométrica. A nova linha já está disponível no e-commerce e nas lojas de todo país.

Troca de peças

Entre os dias dias 5 e 19 de novembro, a Liebe faz uma ação em parceria com o projeto de reciclagem Leninha Roupa de Baixo, no qual a cada sutiã usado entregue nas lojas, dá 50% de desconto na peça da coleção biodegradável. A marca espera receber cerca de 500 unidades, que serão doadas para o projeto e serão transformados em recheio para almofadas.

As novas peças serão desenvolvidas em parceria com o coletivo Flor de Cabruêra e cada uma carregará um bordado das mães que acompanham os filhos em tratamento na Associação ACTC Casa do Coração. Os sutiãs que estiverem em perfeito estado serão devidamente higienizados e doados para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Como reaproveitar lingeries 

Peças presentes em um conjunto de lingerie não são as mais fáceis de serem recicladas. “Como, na maioria das vezes, a gente não consegue contar com a reciclagem, o melhor é arranjar um uso dentro de casa. A dica é cortar as peças em pequenos pedacinhos e usar de enchimento de almofadas, bichinhos de pelúcia, algum outro tipo de objeto têxtil”, aconselha Muniz que, em julho, fez um vídeo em seu canal no Youtube com formas de descartar uma lingerie.

Se o tecido estiver mais encardido, uma saída é usar a calcinha ou sutiã – sem bojo ou com o enchimento retirado – como lenço para limpar as mãos ou pincéis de maquiagem, evitando, assim, manchar toalhas de banho. 

Caso nenhuma dessas opções agrade, ainda é possível utilizar-se do material para montar sachês aromáticos. Basta preenchê-los com ervas e plantas cheirosas, fechá-los e guardá-los em armários, gavetas ou sapateiros. 

Doação de lingerie é opção estratégica

Se a calcinha ou sutiã estiverem sem furos e bem higienizados, a doação é a melhor opção. Diversas campanhas trabalham especificamente com doações de peças íntimas para mulheres carentes pelo Brasil.

E uma coisa há em comum: todas as organizadoras dos projetos batem na tecla de que calcinhas e sutiãs não precisam, necessariamente, ir para o lixo e que há uma grande demanda, de mulheres em situações de vulnerabilidade econômica, por essas peças. 

Por todo o país, existem bazares, brechós e ONGs que contam com o recebimento de doações de lingerie. E, muitas vezes, os doadores podem entregar a peça lavada normalmente na máquina ou à mão – já que uma limpeza mais profunda é realizada pela maioria dessas instituições. Portanto, sutiãs e calcinhas em bom estado podem – e devem – ir para doações.