Por Ana Lúcia Machado

Brinquedo é coisa séria quando o assunto é infância. Saber avaliar o que é um bom brinquedo para a criança depende primeiramente da compreensão do significado do brincar e do seu ciclo.

Brincar é o motor que move a infância. Brincar brota da alma. É um processo de ativação da criança. E como todo processo, é vivo, se manifesta numa sucessão de etapas e se expressa em gestos e formas maleáveis, moldáveis, permitindo a criança criar, construir, desmanchar e transformar.

Toda brincadeira parte de um desejo da criança, das suas narrativas e interesses pessoais. Ela pensa em brincar de determinada forma, e a partir dessa ideia, elabora maneiras possíveis de realizar a brincadeira, buscando reunir e compor materiais para alcançar seu objetivo. Na sequência, ela mesma constrói seu brinquedo, sua brincadeira e desfruta desse brincar, fechando assim o ciclo.

Estudos e pesquisas sobre as sinapses do brincar, apontam que criar um brinquedo prepara a criança para o desenvolvimento de estratégias na vida adulta e que a concentração exigida numa brincadeira, corresponde à mesma que será empregada em atividades profissionais no futuro.

Quando a criança brinca apenas com brinquedos industrializados, brinquedos prontos, inibimos seu impulso de transformar em brinquedo, elementos do cotidiano que estão à sua volta. O brinquedo pronto entregue nas mãos da criança quebra o ciclo do brincar indo direto para a etapa final do processo, desestimulando a imaginação, a criação livre, e o trabalho de construção.

Além disso, a criança perde rapidamente o interesse pelo brinquedo que lhe é dado pronto, pois com a ruptura desse ciclo, ela não se vincula ao brinquedo por não ter sido ativa no processo de criação.

Um bom brinquedo tem que ter plasticidade, de maneira que o mesmo objeto possa ser transformado pela imaginação da criança em várias coisas diferentes, de acordo com o enredo de suas brincadeiras.

Um bom brinquedo é aquele que funciona e é movido pela energia da própria criança, por sua imaginação e capacidade criadora. É a força interior da criança que coloca em movimento objetos, que reúne materiais e compõem um todo repleto de sentido, produzindo alegria.  Essa mesma energia movimenta também o corpo da criança promovendo seu desenvolvimento e gerando saúde.

Num simples passeio ao parque, é possível descobrir o lúdico ao alcance das mãos – gravetos, sementes, folhas, pedrinhas, entre outras coisas, que magicamente podem se transformar em brincadeiras divertidas. Quer algumas dicas? Leia aqui.

Aqui vale a expressão “menos é mais”. Menos brinquedos prontos, é mais imaginação, criatividade, desenvolvimento e saúde na vida da criança.